26 May, 2017 Última atualização em 2:06 PM, May 11, 2017
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Por Bernardo S. Brandão Vianna *
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Vamos nesta coluna conversar um pouco sobre como é produzido a nossa querida cerveja. Nos textos anteriores, abordamos sobre os ingredientes e pude falar um pouco sobre produção, mas bem suscintamente e em relação apenas a cada ingrediente específico. Agora, vamos ao que realmente interessa! Como é feita a cerveja?

Primeiro, é importante dizer que o movimento cervejeiro caseiro vem crescendo espantosamente no Brasil. Quando comecei a me aventurar nas panelas, não haviam em Minas Gerais lojas especializadas para compra de insumos, equipamentos ou acessórios para produção caseira de cerveja. Assim, tínhamos que solicitar tudo isto em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Hoje em dia, Minas Gerais possui algumas lojas especializadas onde todos podem ter acesso fácil ao que se precisa para produzir a sua própria cerveja. Além disso, muitos são os cursos hoje que formam cervejeiros caseiros em Minas e dentre eles destaco o ministrado pelo Pablo Carvalho e o famoso curso do Felipe Viegas da Cervejaria Taberna do Vale. Acredito que hoje são os melhores cursos do estado.

Enfim, a grande questão é: qual a diferença entre a produção caseira e a produção industrial? Respondo que a diferença está apenas na regulamentação estatal na qual o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) impõe às produções industriais com fins comerciais. Na essência, a cerveja que o caseiro produz, o fabril também produz. Obviamente exitem diferenças de equipamentos, procedimentos, mas no fim, o processo é o mesmo.

Sempre que vou fazer cerveja, parto com a certeza de que nós cervejeiros apenas temos a função de preparar o alimento para as leveduras, estas, as verdadeiras cervejeiras que irão produzir a nossa bebida e mais à frente explicarei o porquê.

Como já abordado em outras oportunidades, começamos com o malte, aquele que será o responsável pela cor, corpo e teor alcóolico da cerveja. O malte possui, dentre diversas de suas propriedades, açucares que queremos transferir do grão para o líquido. Estes açucares serão, durante o processo de fermentação, o alimento ideal para que as leveduras os transformem em álcool e gás.

Assim, através de diversos processos químicos e biológicos, o malte, inserido na água cervejeira, é cozinhado em diversas temperaturas diferentes, por tempos diferentes, para conferir ao mosto (nome do líquido neste momento) a quantidade de açucares necessária. Após, há a necessidade de extrair qualquer impureza existente e começar a conferir a ele alguns sabores que não somente o do malte. Assim, partimos para a fervura. Durante a fervura, o lúpulo é adicionado com o fim de condimentar a cerveja, balancear o dulçor presente e de ser um conservante natural para a cerveja. É com a fervura que eventuais sabores e aromas indesejáveis, provenientes dos grãos utilizados, são eliminados da cerveja. Após a fervura, o mosto deve ser rapidamente resfriado a fim de que as nossas estralas da companhia, as leveduras, possam começar o seu trabalho, iniciando, assim, o processo de fermentação. Como dito, é neste momento que as leveduras passam a transformar os açucares em álcool, caso estejam em temperatura ideal para este trabalho. Após, o líquido fermentado e já quase pronto, deve passar por um período sabático, chamado maturação, onde irá “arredondar” seus aromas e sabores.

Assim, após a maturação, o líquido pode ser filtrado ou não, à depender do estilo da cerveja ou do gosto de seu cervejeiro, sendo, posteriormente, envasado em garrafas, latas ou barris.

Cerveja ou Chopp?

A diferença é simples: recipiente de envase. Garrafa ou lata, cerveja. Barril, chopp. Enquanto a cerveja é expulsa da garrafa direto para os nossos copos apenas pela força da gravidade, o chopp necessita de uma pequena ajuda, a pressão exercida pelo gás carbônico existente dentro daqueles cilindros ao lado das chopeiras, para ser expulso do barril. Ainda, as garrafas podem ser pasteurizadas ou não, procedimento este para que a cerveja tenha uma conservação maior, mas que também depende do cervejeiro e do estilo da cerveja ora produzida. A verdade é que não há diferença na produção entre a cerveja e o chopp, sendo que um mesmo lote de cerveja pode ser envasado simultaneamente em recipientes diferentes.

* CERVEJEIRO | Sommelier de Cervejas pela Academia Sommelier de Cervejas de Minas Gerais e Prático Cervejeiro pelo sistema FIRJAN/SENAI.
Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Jornal Belvedere

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