27 Jun, 2017 Última atualização em 6:38 PM, Jun 23, 2017

Albi, fascinante paisagem medieval incrustada no Sudoeste da França

IDADE MÉDIA  | Percorrer Albi com muita calma é indispensável para perceber os detalhes das casas da época medieval IDADE MÉDIA | Percorrer Albi com muita calma é indispensável para perceber os detalhes das casas da época medieval
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Além das cores e do prazer de se hospedar em um castelo do século 12, a região também produz vinhos únicos de cepas ancestrais e queijos de leite de cabra.

Inspiração do pintor impressionista, Toulouse Lautrec e cenários inesquecíveis eternizados pelo filme ‘O Nome da Rosa’, best-seller do escritor italiano Umberto Eco, a cidade de Albi, (pronuncia-se Albí), na região do Midi Pyrénées, Sudoete da França, é a mais original expressão da França medieval.
O nome remete a alba, cor branca em latim. Mas em Albi, ao fim da tarde, o sol colore seus tijolos, jardins e terraços, o que explica o apelido La Rouge.

A região de Albi é tão original, que os habitantes falam sua própria língua: o dialeto occitano, que deriva da língua românica, um misto de francês e catalão.

Os bispos da Igreja Católica iniciaram a construção da monumental igreja dedicada à Santa Cecília, padroeira dos músicos em 1282. A obra, em estilo gótico, é um mundo de contrastes entre a austeridade do exterior e a profusão de detalhes internos. A cidade foi surgindo em torno da catedral. Um conjunto harmonioso de pequenas e grandes casas ostenta o charme do tijolo aparente.

A prosperidade econômica de Albi se deu a partir do século 15, com duas ervas utilizadas como corantes de tecidos: o açafrão Crocus sativus e o pastel, planta de cachos de flores amarelas e miúdas, a Isatis tinctoria.

Dos pistilos vermelhos retirados da flor do açafrão, os albigenses produziam os cobiçados tons de amarelo, ocre e laranja. Mas, foram com as folhas do pastel que, maceradas, resultavam em sete nuances de azul, que a cidade enriqueceu. A expressão pays de cocagne (terra da abundância) nasceu ali e deriva da palavra coque, bolas de pasta das folhas.

Os ricos comerciantes ergueram palacetes de tijolos com diferentes grafismos, grossas traves de madeira e batentes entalhados. Nos andares mais altos, os solários secavam as folhas do pastel.

Percorrer Albi com muita calma é indispensável para perceber os detalhes das casas, como o ferro trabalhado da época medieval, o chaveiro, a hospedaria, o sapateiro, a adega antiga. Ou ainda descobrir jardins inesperados no fim de becos, junto a fontes, em terraços ou claustros secretos como o de Saint Salvi, onde flores brotam em meio às ervas de uma horta.

O Palácio Berbie, antiga residência dos bispos e uma extraordinária cidadela que avança para o céu com suas muralhas, torres, campanários, pórticos, arcadas e escadarias. Todo esse volume ocre-avermelhado pousa no jardim à francesa, de arabescos verdes que circundam canteiros em flor.

Vinhos e queijos

Além das cores e do prazer de se hospedar em um castelo do século 12, a região também produz vinhos únicos de cepas ancestrais como mauzac, duras, braucol e loin-de-l’oeil. Embutidos e queijos típicos lhe fazem apaixonar pela gastronomia local.

Dentre os produtos regionais mais apreciados de Albi estão os queijos de leite de cabra como o Montgrieu, ou Le Pic, os respounchous (uma espécie de aspargo selvagem), e o cochon apalhat, porco criado na palha e com alimentação especial.

Um costume local que atrai também os turistas é o piquenique, uma verdadeira instituição em Albi. Os moradores abastecem suas cestas de vime com pães, embutidos maravilhosamente saborosos, vinho, queijo, cerejas frescas e estendem suas toalhas às margens do Rio Tarn.

Albi, hoje inscrita na lista dos bens culturais da Humanidade pela UNESCO, também foi cenário da sangrenta Cruzada Cátara, em 1209 e 1244, também conhecida por Cruzada Albingense, iniciativa do Papa Inocêncio III para aniquilar a população considerada herege pela Igreja Católica.

Próximo a Albi, inclua em seu roteiro a cidade de Toulouse, quarta maior cidade francesa, que fica cerca de uma hora de Albi, de carro ou trem.

Aproveitando ainda mais sua estada na região, visite também Carcassone,  uma cidadezinha de 45 mil habitantes e patrimônio da Unesco, uma das mais lindas fortificações da França e uma das maiores construções medievais da Europa.

Jornal Belvedere

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