21 Sep, 2017 Última atualização em 4:59 PM, Sep 12, 2017

Setor de turismo dos EUA reage aos vetos migratórios de Donald Trump

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Por Paulo Queiroga
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As ordens de veto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump contra refugiados e cidadãos de países de maioria mulçumana já repercutem negativamente no movimento de turistas nos EUA.

O setor de turismo já sente no bolso as medidas restritivas de entradas de estrangeiros. Para o trade turístico americano, o veto cria para o mundo uma imagem pouco receptiva dos EUA para o turismo internacional e põe em risco o setor responsável pelo emprego de 7.7 milhões de pessoas naquele país.

Entenda o que acontece e as repercussões

Os vetos foram suspensos temporariamente pelos tribunais, o que não impediu os viajantes de todo o mundo, mesmo fora das nações afetadas, de cancelarem viagens aos EUA, com medo de serem barrados nos controles migratórios de aeroportos.

Em pesquisa, a empresa americana de consultoria Forward Keys informou que, após o primeiro veto migratório, as reservas de turistas nos EUA caíram 6,5%, enquanto, com o anúncio da elaboração de uma outra proibição revisada para evitar a suspensão da Justiça, a queda se repetiu, desta vez em 4%.

A Hostelling International USA, uma organização sem fins lucrativos, que administra hotéis em todo o país, recebeu vários pedidos de cancelamento de reservas de grupos de jovens de países não afetados pelo veto de Trump, com medo de serem interrogados por terem dupla nacionalidade e não conseguirem entrar nos EUA.

Apavorados com a queda dos indicadores, executivos e dirigentes de entidades ligadas ao turismo estão em campanha aberta na imprensa internacional, na tentativa de amenizar a crise iminente do setor na terra de Donald Trump.

O diretor-executivo da associação de agências de viagens de negócios - GBTA, (sigla em Inglês) Michael W. McCormick, tentando atenuar os efeitos negativos, declarou à imprensa que o segundo veto “é muito mais limitado e claro”, e acrescentou que “toda restrição aos viajantes deve ser baseada na segurança e não deve impedir as viagens de maneira desnecessária”.

Na mesma linha, Patricia Rojas-Ungár, vice-presidente de Relações Governamentais da patronal US Travel Association, entidade que reúne dirigentes de empresas de turismo, na tentativa de diminuir os efeitos negativos para a milhionária massa de visitantes no país que mais recebe turistas no mundo, ressaltou a redação da segunda ordem do presidente sobre o veto revisada em março.

Em sua opinião, “um reforço da segurança” é necessário e o governo Trump foi “mais prudente” na redação do segundo veto revisado, mas ainda é preciso saber se os turistas, especialmente os europeus, deixarão de lado suas preocupações.

No último trimestre de 2016, a riqueza gerada pelo turismo caiu 3,3%, segundo dados do governo americano divulgados em março, primeiro número oficial que inclui o período pós-eleição de Trump, em novembro.

Segundo projeções da empresa de consultoria Tourism Economics, a retórica e as políticas isolacionistas de Trump poderiam fazer com que 6,3 milhões de estrangeiros deixassem de viajar aos EUA, o que equivaleria a perder US$ 30 bilhões por ano.

Isto seria desastroso para uma indústria que movimenta US$ 1,77 trilhão nos EUA, que segue líder do ranking de países que mais viajantes e dinheiro atraem, à frente de concorrentes como Espanha, França e China.

A retórica de Trump contra refugiados, muçulmanos e a favor de um muro na fronteira com o México parece não estar beneficiando o turismo, que tem um grande potencial de gerar empregos. “A percepção é tão forte como a realidade. Devemos deixar claro que os turistas são bem-vindos no país, que têm as portas abertas”, opinou Patricia Rojas-Ungár.

Trump conhece muito bem o competitivo mercado mundial do setor, cuja queda nos EUA poderia afetar, principalmente, sua cidade natal, Nova York, e um dos estados que o levou à Casa Branca, a Flórida. (Com agência EFE)

Jornal Belvedere

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