23 Nov, 2017 Última atualização em 1:26 PM, Nov 13, 2017

Turismo caiu 15% na Catalunha após referendo

LAS RAMBLAS | O comércio sofreu uma redução e em alguns hotéis de Barcelona, os preços dos quartos caíram à metade LAS RAMBLAS | O comércio sofreu uma redução e em alguns hotéis de Barcelona, os preços dos quartos caíram à metade
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Por Paulo Queiroga
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A atividade turística na Catalunha reduziu em 15% após o referendo de independência de 1 de outubro. As reservas hoteleiras e de transportes deverão cair 20% até o fim do ano. Este foi o anúncio da Exceltur, organização patronal espanhola do setor de turismo. Segundo a entidade, o impacto deve ser mais forte que o provocado pelos atentados extremistas de agosto em Barcelona e Cambrils.


A cifra é resultado de uma pesquisa da organização Catalunha sobre os números de negócios até 16 de outubro, seguidos de uma queda de 5% do volume de negócios em setembro, segundo a Exceltur.
Em Barcelona, a emblemática avenida “Las Ramblas” mantinha o movimento de pessoas, muitas delas turistas. Mas o comércio da região sofreu uma redução na atividade. Em alguns hotéis de Barcelona, os preços dos quartos caíram à metade. As reservas hoteleiras e de meios de transporte apontam para uma queda de 20% até o fim do ano, ante o mesmo período do ano anterior, indicou a entidade. Se o retrocesso for confirmado, as perdas ficarão em 1,2 bilhão de euros.

Para a Exceltur, se o cenário de volatilidade e disputas se agravar nos próximos meses, a queda da atividade turística poderá chegar a 30%. O índice de emprego também sofreria as consequências. São cerca de 105 mil pessoas empregadas neste setor na Catalunha, indicou a Exceltur. O impacto dessa desaceleração do turismo representa 12% do Produto Interno Bruto (PIB) catalão, e poderá ser maior que as mudanças de sedes de grandes empresas para fora da Catalunha, anunciadas nos últimos dias, em meio às incertezas com a crise política.

A Catalunha, com a capital, Barcelona e as praias da Costa Brava, é a região espanhola que mais recebe turistas estrangeiros. Mais de 18 milhões de turistas visitaram a região em 2016, quase um quarto de todos os visitantes recebidos pela Espanha durante o ano. Com a crise na Catalunha, a Espanha reduz previsão do PIB para 2018. O plano de orçamento para o ano que vem havia sido elaborado com base em um cenário econômico sem mudanças de políticas públicas.

Repercussão em Madri

O governo da Espanha reduziu de 2,6% para 2,3% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2018, por causa da incerteza gerada pela crise com a Catalunha, pela moderação do atual ciclo econômico e pela ausência de um orçamento geral do Estado.

O plano de orçamento para 2018 foi elaborado com base em um cenário econômico sem mudanças de políticas públicas. A proposta é considerada como prudente, levando em consideração a “incerteza atual associada à situação política na Catalunha”, diz o documento.

No entanto, a previsão sob a hipótese de “política constante”, junto com o desaquecimento do crescimento econômico do país, coloca a estimativa do déficit da Espanha para 2018 em 2,3%.

“São projeções prudentes, que incorporam a leve desaceleração econômica, em linha com que antecipam os principais órgãos nacionais e internacionais, mas que também levam em conta uma leve contenção da demanda interna, resultado do impacto negativo vinculado à situação na Catalunha”, destaca a proposta. Sobre 2017, o governo projeta um crescimento do PIB de 3,1%, uma leve alta de 0,1% em relação às previsões de julho.

“O crescimento da economia espanhola em 2018 segue muito sólido, superior à média prevista para a zona do euro, e muito mais sustentável e equilibrado do que em épocas anteriores, graças às reformas estruturais realizadas”, afirma o governo, seguramente, com números que expressam mais um otimismo publicitário do que uma realidade projetada.

O que se espera, como aconteceu em outros países logo após atentados terroristas, terremotos e insegurança política, é que as pessoas, passado o trauma da mudança, retomem a normalidade das viagens. Mas o prejuízo é real e já está contabilizado.

Jornal Belvedere

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