25 Nov, 2017 Última atualização em 1:26 PM, Nov 13, 2017
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Por Luiz Hélio Lodi

A sustentabilidade passa pelo equilíbrio público-privado, pela regulação urbana inteligente, menos intervenção estatal, apoio governamental, projetos responsáveis, a chave para o caminho da luz no final do túnel.

HelioLodiO conceito de sustentabilidade ganhou força no mundo a partir da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, quando foi produzida a Agenda 21, apesar de ser um conceito mais antigo vindo dos anos 80. Foi definido nesta época como o conjunto de ações que atendem as necessidades da população, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem suas próprias necessidades.

 

Já naquela época se sentia a necessidade de conter os impactos causados pela exploração descontrolada dos recursos naturais, o que se tornou mais evidente anos depois quando o planeta passou a experimentar um maior desenvolvimento econômico .

A idéia abraçada na época por idealistas e ambientalistas, passou a ser perseguida mais tarde também  por urbanistas, arquitetos, construtores, empresários e sociedade em geral, que compreenderam que a harmonia entre o desenvolvimento e a preservação dos valores ambientais, sociais, culturais, etc. é condição para a viabilidade de qualquer projeto. Suas realizações para serem economicamente viáveis devem também ser ecologicamente corretas.

Ainda que a teoria seja perfeita e as intenções sejam boas, a prática é totalmente diferente. Grande parcela da população que emergiu dos níveis de pobreza, assim como aqueles que escalaram níveis sociais e econômicos mais altos, aumentaram seu poder de compra e demandaram mais carros e habitações. O crescimento demográfico e a migração do interior para as capitais inflaram as cidades, o excesso de carros e falta de adequado transporte público travaram a mobilidade urbana, a expansão econômica não teve a devida regulação das políticas públicas e os recursos públicos não foram aplicados onde e como  deveriam.

Assim o crescimento rápido do número de pessoas, do seu poder de consumo e  de carros nas ruas se defrontam com a inércia do poder público para acompanhar as demandas crescentes. A estrutura urbana e seus equipamentos são os mesmos de anos atrás. A aprovação de projetos e licenciamentos ambientais são causa de conflitos entre o público e privado.

Neste conceito de sustentabilidade tem prosperado no setor imobiliário e de construção civil a ideia das cidades compactas e verticalizadas, coisa impensada nos anos 80, quando havia espaço abundante e recursos naturais sobrando. Comprova-se que elas atendem todos os requisitos sustentáveis, desde que devidamente reguladas e são também mais econômicas, seja no aspecto dos custos da implantação, quanto no seu custeio de operação e manutenção (água, esgoto, serviços públicos, etc).

Concentrar pessoas no mesmo espaço em que elas moram , trabalham, estudam, se divertem,  fazem compras e consultam seu médico, no máximo a 15 minutos a pé de sua casa é a busca da qualidade de vida perdida. Elas irão morar em prédios suficientemente afastados um dos outros para manter privacidade, vista, iluminação, insolação e ventilação.

Quanto mais altos os prédios melhor, desde que os afastamentos aumentem também, assim eles ocupam menores espaços de projeção e possibilitam maiores áreas de lazer e generosos espaços verdes ao seu redor.

Dependendo do potencial construtivo do terreno e do tamanho das unidades habitacionais, o mesmo número de pessoas que ocupa espaços verticais ocupará cerca de 10 vezes menos área de terreno se morasse cada um em uma única casa no uso unifamiliar.

No futuro podemos até prever que aquele que quiser morar em habitação individual terá que ficar bem afastado dos centros urbanos, como já acontece em países europeus e americanos.
O desenvolvimento de novas descentralidades, como é chamado este modelo de ocupação – é autônomo em relação ao centro urbano da cidade  -  é tarefa do poder público responsável pela regulação desta política e da iniciativa privada que aprova e desenvolve os projetos.

O critério do custo/beneficio deveria nortear as prioridades das aplicações de recursos públicos, como é feito na iniciativa privada. O benefício neste caso não é só o econômico, mas o bem estar e felicidade da população. Este é o desafio do gestor público, selecionar as prioridades dentre as que oferecerão o menor custo em relação ao beneficio da felicidade e do bem estar.

E por outro lado o empresário do setor privado deverá contemplar em seus projetos   todos os aspectos de nossa vida, a preservação de nossa cultura e do ambiente, o desenvolvimento econômico, o crescimento saudável das futuras gerações, o bem estar e fortalecimento da cidadania  e dignidade humana.

O equilíbrio público-privado – regulação urbana inteligente, menos intervenção estatal, apoio governamental, projetos responsáveis - é a chave para o caminho da luz no final do túnel.

Empresário e diretor da Associação dos Empreendedores dos Bairros Vila da Serra e Vale do Sereno

Última modificação em Quinta, 26 Setembro 2013 15:57
Jornal Belvedere

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