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“Verticalização parece tabu, mas o que se discute é a mobilidade urbana”

Publicado em Cidades Sustentáveis
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Entrevista / GILMAR DIAS
Presidente da Associação dos Empreendedores dos Bairros Vila da Serra e Vale do Sereno

Consciente de seu papel como empreendedor e cidadão, Gilmar Dias,  engenheiro formado pela Universidade FUMEC, com mais de 20 anos dedicados à construção civil, é diretor-presidente do Grupo EPO e presidente da Associação dos Empreendedores dos Bairros Vila da Serra e Vale do Sereno.  

FotoGilmarDiasEsse mineiro de Martinho Campos, casado e pai de dois filhos, aprendeu o ofício de construtor com a avó, Maria. Gosta, mesmo com um jeito discreto e direto, de falar sobre grandes temas, entre eles sustentabilidade e verticalização na construção civil. Leia o que pensa o empresário, nesta entrevista:

 

JORNAL BELVEDERE - Por favor, como o Senhor apresenta um ponto de vista em relação à verticalização das metrópoles?
GILMAR DIAS - Falar de verticalização parece tabu para alguns, mas o que se discute é mobilidade urbana, através da criação de novas centralidades, onde as pessoas possam morar, trabalhar, estudar, comprar e também ter lazer sem a necessidade de grandes deslocamentos e isso é possível com a implantação de edifícios maiores, e mais altos. É o aproveitamento do espaço urbano.

JB - Com que critérios e ou planejamento a verticalização pode se dar?  
GD - Através da ocupação com maiores afastamentos entre torres, respeitando as taxas de permeabilidade e também com infraestrutura adequada ao atendimento das demandas geradas pela ocupação.

JB - Que indicadores, em sua opinião, mostram que a verticalização pode se dar em uma dada região e em outra não?
GD - Penso que cada região tem suas particularidades, características geológicas, relevo, dentre outras, mas quando se fala de ocupação urbana com grande concentração de pessoas é quase sempre melhor a ocupação vertical.

JB - Ainda é possível (re)construir uma metrópole  sustentável para os mineiros? O que seria, no seu ponto de vista, este ideal de cidade?
GD - Sou otimista por natureza, acredito que mesmo as cidades que cresceram muito rápido sem um planejamento adequado como aconteceu na Região Metropolitana de BH, pode sim retomar o rumo, desde que tenha políticas de ocupação e funcionamento da cidade, deixando os interesses particulares em prol do todo. Levando em conta a qualidade de vida e a segurança das pessoas. Isso se faz com muita responsabilidade, buscando sempre os interesses da maioria.  

JB - Como se resume o direito de vida urbana, tão apregoado por urbanistas? Como entender a cidade? Como ela se consolidou? O que precisa remodelar...
GD - A cidade é uma das maiores e mais complexa invenção humana, é um organismo vivo que não para nunca, e desde que houve uma opção clara de trocar a vida rural, pela urbana, e isto ainda é um processo relativamente novo no Brasil, está em consolidação com muitas melhorias e sem efeitos.

JB - Como entender a integração dos setores dentro da reorganização urbana?
GD - É necessário planejar e agir, criando novas centralidades dotadas de espaços e equipamentos que atendam as demandas dos cidadãos, integrando estas diversas centralidades com acessos rápidos, seguros com mais meios de transportes além dos meios de transportes além dos ônibus.

Jornal Belvedere

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