23 Nov, 2017 Última atualização em 1:26 PM, Nov 13, 2017

Anel Rodoviário pode alavancar a Região Metropolitana

TEODOMIRO DINIZ  | “Não podemos mais enxergar o Anel como uma rodovia, pois na prática ele é uma avenida” TEODOMIRO DINIZ | “Não podemos mais enxergar o Anel como uma rodovia, pois na prática ele é uma avenida”
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O empresário Teodomiro Diniz, diretor da FIEMG e do Instituto Horizontes, explica a potencialidade humana e econômica que a revitalização do Anel Rodoviário pode trazer para toda a Grande BH.

O Anel Rodoviário é um dos pontos mais sensíveis do trânsito não apenas de Belo Horizonte, mas de toda a Região Metropolitana da Capital. Completamente ultrapassada e degradada, a “rodovia urbana” ocupa frequentemente as manchetes dos noticiários devido aos seus grandes congestionamentos e ao elevado número de acidentes. Mas essa situação pode mudar com um projeto desenvolvido pelo Instituto Horizontes (uma Oscip, ou seja, entidade da sociedade civil de interesse público) para toda a extensão do Anel, em todos os seus 27 quilômetros.

O projeto, cujo desenvolvimento teve o apoio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), tem por objetivo abrir novas áreas de desenvolvimento para Belo Horizonte, melhorar o trânsito na Região Metropolitana inteira, potencializar a economia de BH e melhorar a mobilidade em toda a sua extensão. O estudo foi entregue ao Departamento Estadual de Rodagem (DER-MG), que trabalhou no projeto sob delegação do DNIT, e por sua vez, fez algumas modificações, alterações e reestruturações.

Atualmente, o projeto está pronto na Justiça Federal, com os custos todos levantados. O DNIT já fez o pedido e aguarda a chegada do projeto para fazer a análise. Se estiver tudo em conformidade, o órgão vai elaborar, por RDC (Regime Diferenciado de Contratação), o edital para o projeto executivo e a execução da obra.

Para detalhar mais sobre este projeto, o JORNAL BELVEDERE ouviu o empresário Teodomiro Diniz Camargos, diretor da FIEMG, do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) e do Instituto Horizontes.

Importância ímpar

Para Teodomiro Diniz, o Anel Rodoviário tem uma importância ímpar e é um componente fundamental do ponto de vista da mobilidade para Belo Horizonte e toda a Região Metropolitana, mesclando dois movimentos importantes: o de carga e de pessoas. No de carga, ele tem o movimento intrarregional e o nacional, pois ele liga as BRs 381, 262, MG-050.

O Anel passa em sete das nove regionais de Belo Horizonte e liga dois pontos importantes na Região Metropolitana: o Vetor Oeste (BH, Betim e Contagem) responsável por 85% da economia da RMBH) e o Vetor Norte. O Anel é a interligação nacional, regional e da cidade de BH.

Via obsoleta

Segundo o diretor da FIEMG, o Anel rodoviário está de certa forma obsoleto e precisa ser requalificado, mudar a sua cara e melhorar o seu uso. “Para isso, é necessária uma grande obra de requalificação, esse é o nosso projeto que o DER já terminou e entregou recentemente ao Ministério Público, pois embora o Anel seja uma área do DNIT, o órgão federal delegou ao órgão estadual a tarefa de cuidar do projeto”, explica Teodomiro Diniz, lembrando que o Anel Rodoviário é o campeão de acidentes na Região Metropolitana e “estamos cansado de ver manchetes sobre acidentes nessa via”.

Do ponto de vista da passagem da população para as duas margens, a requalificação do Anel poderia facilitar essa interação e, consequentemente, reduzir o número de acidentes. Já do ponto de vista de carga, ele começa a ficar saturado, com grandes problemas de capacidade, pois a mistura do tráfego local com o de longas distâncias gera congestionamentos permanentes. “Qualquer acidente ou enchente trava todo o Anel e, travando esta via, trava-se Belo Horizonte, a Região Metropolitana e a passagem de carga nacional, o que é muito prejudicial a todos”, ressalta o empresário.


Divisor de vidas     

Para Teodomiro Diniz tudo isso vem com um agravante: o Anel hoje é uma via que tem população de um lado e de outro, secciona a cidade e desqualifica a vida urbana em toda a região. “O Anel atualmente está cheio de invasões, com um número muito alto de acidentes gerados por travessia de pedestres”, argumenta.

A via separa a vida da cidade em duas, gerando vizinhos que não se relacionam, são distâncias enormes que são necessárias percorrer para ir de um lado para o outro. E isso significa perda de mobilidade e mais trânsito no Anel, pois não há passagens fluidas de um lado para o outro como deveria existir para a união da cidade.

Teodomiro Diniz lembra que o Anel Rodoviário nasceu numa época (década de 1950) distante e que havia população apenas de um lado. E com o passar dos anos, ele passou a ser totalmente urbanizado de forma inadequada na sua borda. “O Anel é hoje um desqualificador da vida urbana e não cumpre a sua função principal que é promover a mobilidade. Daí a necessidade de melhorar nesses dois sentidos”, ressalta.

Centralidade linear

Pelo projeto, o Anel tem uma grande potencialidade de virar uma nova centralidade linear (rearticulando com todas as grandes avenidas que cruzam ou chegam até ele) e é possível fazer com que um lado “converse” com o outro, com passagens (a maioria em nível) de cerca de 500 em 500 metros, que tenha uma via expressa no centro para o trânsito de longas distâncias e pistas laterais para o trânsito local. “Nosso projeto inicial previa o trânsito local com duplo sentido em cada lado, ou seja, mão e contramão de cada lado, mas o projeto final não levou isso em consideração na totalidade do Anel, para evitar desapropriações e dificuldades de custo”, explica Teodomiro Diniz.

O diretor da FIEMG afirma que, mesmo assim, a proposta melhora as vias laterais e a interligação dos dois lados. E com isso, ganha-se na mobilidade tanto das pessoas quanto das cargas e ganha-se na qualificação de toda a região do ponto de vista urbano quando você integra um lado com o outro. Com todo esse complexo de obra, “ganharíamos toda uma região que é fundamental para o desenvolvimento de Belo Horizonte”, destaca o empresário.

Prestação de serviços

Teodomiro Diniz lembra que BH não tem mais áreas livres e que essa região seria importante para a cidade prestar serviço, sem que a pessoa precisasse vir à Região Central. “Nós dividimos o Anel em três partes: no Vetor Sul, grandes equipamentos para lazer; na Central, comércio, grandes equipamentos de serviços (PM, Bombeiros, Hospitais) e semiatacados e atacados; e no final (da Cristiano Machado para frente), grandes complexos de moradias e instrumentos sociais de apoio à população (escolas, escolas técnicas, cooperativas de artesanato, centros de exposição, dentre outros).

Na verdade, a requalificação seria feita ao longo de todo a Anel, envolvendo áreas como a do Aeroporto do Carlos Prates, da Vallourec, que fica na outra ponta; da UFMG, atraindo indústrias de ponta, startups, etc. “O Anel é de uma riqueza impressionante, mas você não consegue explorá-lo do jeito que ele está hoje”, lamenta o diretor do Instituto Horizontes.

Diniz lembra que seria importante para a requalificação do Anel a construção do Anel Norte (liga Betim a Ravena, passando por Contagem, Neves, Vespasiano), que aliviaria o tráfego de mercadorias na via.

Diniz acrescenta que o Anel Rodoviário é a grande vitrine de Belo Horizonte para o Brasil, que passa por ele todos os dias, de ônibus, de caminhão e de carro: “E, ao depararem com um espaço degradado daquele, as pessoas certamente vão levar uma imagem muito ruim da cidade”.

Interesse público

O diretor da FIEMG explica que o projeto foi desenvolvido pelo Instituto Horizontes, para toda a extensão do Anel Rodoviário, ou seja, para todos os seus 27 quilômetros e a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) gostou da ideia e financiou o desenvolvimento do projeto executivo inicial, que acabou sendo modificado, alterado e reestruturado pelo DER-MG. E que a Prefeitura de Belo Horizonte travou as bordas das grandes vias, desde o último Plano Diretor, e continua agora na proposta do novo Plano, para esperar o tempo para repaginar e reestruturar a Lei de Uso e Ocupação do Solo ao longo do Anel.

Teodomiro Diniz esclarece que a obra é federal, embora o projeto tenha sido delegado a um órgão estadual (DER-MG), e que ele está pronto, com todos os custos levantados, aguardando licitação e verba federal. Ele lembra que a obra também envolve a Concessionária Via 040, que tem a concessão do trecho da BR-356 até o Trevo para Brasília (no bairro Califórnia) e obrigações contratuais para a melhoria deste trecho. Para finalizar, ele ressalta que “não podemos mais enxergar o Anel como uma rodovia, pois na prática ele é uma avenida e precisa ser caracterizado como tal”.   

Última modificação em Terça, 29 Novembro 2016 16:37
Jornal Belvedere

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