23 Nov, 2017 Última atualização em 1:26 PM, Nov 13, 2017

Solução para pontilhão na Alameda do Morro já tem até projeto de engenharia

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Ponto de estrangulamento, na passagem debaixo do pontilhão da antiga linha férrea, no final da Alameda Oscar Niemeyer, pode ser solucionado com obras de baixo custo.

Uma das alternativas propostas para resolver o ponto de estrangulamento no pontilhão da Alameda do Morro, no Vila da Serra, é de autoria do engenheiro Roberto Melo, e pode ser viabilizada a qualquer momento, em razão da planta em si e dos custos baixos para a sua implantação, algo em torno de R$ 1,5 milhão em obras. A execução do projeto necessita primeiramente de uma autorização da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), responsável pelo inventariado do terreno desde 2006, quando o mesmo foi transferido à ela pela Rede Ferroviária.

O acesso, além de estreito e com irregularidades na largura das faixas, sofre retenções enormes de trânsito por ser uma das saídas do bairro. Além disso, a altimetria naquele local não comporta a altura de alguns caminhões que chegam a ficar entalados ao tentar passar por baixo daquele ‘viaduto’.

Segundo informou o engenheiro, a partir da autorização seria feita a demolição da passagem, o alargamento das vias que fazem interseção aquele ponto, e a correção e ampliação das três rotatórias: em frente ao Olympus; rua de acesso à Decíola Horta e na Jornalista Djalma de Andrade. “O projeto prevê o alargamento das vias com a criação de uma terceira faixa em cada lado, além de uma pista de acesso na saída do Olympus até a terceira rotatória, o que solucionaria o problema dos moradores que não conseguem acesso à via em horários de pico”, explicou.

Ainda segundo ele, a obra pode ser executada de imediato, sem nenhum prejuízo para o projeto da Via Estruturante, que está sendo estudado para o ramal desativado. Além disso, seria uma obra rápida, com melhorias para vários pontos da região, desde os condomínios mais próximos até mesmo para o trânsito do comércio local e de hospitais.  

“Falta um plano de mobilidade para RMBH”

O engenheiro e especialista em trânsito e transportes, Osias Baptista afirma que a realidade é que nem a PBH, nem o Governo do Estado e nem o DNIT tem um planejamento único para a Região Metropolitana. “Há muitos estudos e nada de concreto”.

“Não existe um plano de mobilidade para Belo Horizonte. A prefeitura está terminando a revisão de um projeto, que na realidade são mais diretrizes a serem seguidas pela cidade nos próximos anos, para saber o que precisa priorizar e o que deve ser considerado, do que uma proposição de estudos específicos.” A informação é do engenheiro e especialista em trânsito e transportes, Osias Baptista, ao afirmar que o plano existente é o VIURBS (Programa Estruturação Viária de Belo Horizonte), realizado em 2008 sobre as vias mais importantes que deviam ser implantadas na cidade, cruzamentos, enfim, quais as intervenções viárias que tinham que ser trabalhadas e qual a prioridade desse trabalho.

Ele conta que o projeto foi apresentado em vários fóruns e hoje é uma referência, mas não possui uma sequência, nem identifica o que é preciso fazer primeiro. “Ele foi feito em uma situação diferente, antes do crescimento vultuoso da frota de veículos, em 2008. E hoje, já estamos com outra inflexão que é a quebra da economia que mudou toda a situação de tráfego. Nosso crescimento de tráfego é meio cíclico; hoje estamos com menos tráfego do que há três anos, por causa da crise. Uma redução sensível, estimada de 6% a 7% em relação a anos atrás. Ainda há lugares com aumento de tráfego, mas no geral houve uma diminuição por causa da crise.”

Crescimento

De acordo com Osias Baptista, há lugares onde a cidade cresceu e o volume de tráfego também, como na Região do Belvedere. “Mas, que o VIURBS não detalhou os projetos. Funciona meio que por “espasmos”, sem conseguir recurso no PAC da Mobilidade, Copa do Mundo, etc., sem detalhar projetos. Hoje, temos um referencial não cronológico e ninguém sabe o que é mais importante fazer e o que deve ser feito primeiro. Não se fez o projeto realmente. E o segundo ponto é que não existe nada semelhante no âmbito da Região Metropolitana de BH, as prefeituras têm seu planejamento próprio, como em Nova Lima, mas não há nada semelhante ao estudo que foi feito para o VIURBS”, ressaltou o engenheiro.

Segundo Osias Baptista está em licitação o Plano de Mobilidade Metropolitano. “O Belvedere, o que  está nessa junção da Região Sul de BH, até o bairro Cristais, em Nova Lima, você encontra duas cidades. Neste meio você tem um organismo estadual que e a rodovia MG-030, depois outra rodovia a BR-356 gerenciada pelo DNIT e um Anel Rodoviário, gerenciado pela Via 040, com programas de investimentos ainda em discussão e aí vão chegando as alternativas de longo prazo para serem feitas. Cada um trabalha o seu lado, mas nada em conjunto”, ressalta Osias Baptista.

“Há muitos estudos e nada de concreto. Se discutem três alternativas para o projeto do Anel Sul, onde cada órgão tem opinião diferente – DNIT, Governo do Estado e a Prefeitura de BH. No entanto, quando o problema acontece fora de BH ele repercute dentro da cidade. Existe uma série de projetos isolados que vão surgindo de acordo com as necessidades específicas, mas não há nada de planejamento macro na cidade, pelo menos que eu conheço e das discussões que participo”, destaca Osias Baptista.

Ele explica que o anel rodoviário recebe vários estudos que ficam parados por falta de recursos. No entanto, segundo o especialista, é preciso olhar o crescimento da cidade com uma visão geral. “O Anel é tão significativo na vida de BH que esse projeto tem que ser feito através de um estudo funcional e haver uma discussão mais aberta, porque, inevitavelmente, vai trazer desapropriações, vai ferir uma série de interesses e permitir ligações com a cidade. Nunca fizeram marginas, nunca duplicaram pontos e cruzamentos em cima de avenidas, por isso essa discussão precisa ser ampla para ele se viabilizar”, explicou Osias Baptista.

VIURBS Metropolitano

“O que falta é conseguir pensar em um VIURBS metropolitano. Pois, o projeto que foi feito para o rodoanel, está parado e o Estado está reavaliando. É um projeto que tem um equívoco de base, porque todo o Plano Diretor Metropolitano diz que ele tem que ser uma ligação de transporte da Região Norte com Betim que é o grande polo industrial da Região Metropolitana de Belo Horizonte. No entanto, foi feito um projeto com uma rodovia pedagiada, onde não entra ônibus. Como é que você liga Lagoa Santa, Pedro Leopoldo Vespasiano, Santa Luzia, Ribeirão das Neves e outras cidades a Betim e não põe ônibus? E isso em relação à estrutura da cidade, como é que fica?”, questionou Osias Baptista.

Ainda de acordo com ele, existe um Plano Metropolitano de Mobilidade que está em licitação pelo Estado, e que deveria repensar a cidade como um todo. “Não se pode resolver uma coisa dessa sem pensar no Belvedere, por exemplo, que pode de repente ser até o principal prejudicado. É preciso ver o planejamento da cidade como um todo. Não existe pedacinho de solução, ela precisa ser integrada”, alertou o especialista.

Priorizar o transporte público

Osias Baptista enfatizou que Minas Gerais “entrou em um processo de dependência do governo federal como um todo, e esse nunca olhou para cidade, independentemente de qual partido político ou governo. Temos um metrô que já tem 30 anos e nada é resolvido. Um Anel Rodoviário que é uma vergonha com mortes e congestionamentos, e um Rodoanel que está previsto nos estudos do Planbel desde a década de 1970. Até hoje não conseguiram retirar a rodoviária do Centro de BH, uma obra que é de 1971”.

Para Osias Baptista, se não houver um processo de priorizar o transporte público, nada resolve: “Você não pode tirar a cidade para por carros. Precisa, sim, otimizar isso através do transporte público; e o Move foi o primeiro investimento que BH teve desde dos anos 80. Se as pessoas tivessem um transporte público com peculiaridades e nível razoável de conforto, elas não iriam de carro para o serviço. O Brasil está 30 anos atrasado em relação ao resto do mundo porque dificilmente as pessoas não conseguem entender isso como uma política de verdade. Pessoas dizem que a cidade não precisa ter ciclovias porque não há ciclistas. E é o contrário, não tem ciclistas porque não há ciclovias. Na hora que um morador do Vila da Serra perceber isso e conseguir deixar seu carro em uma estação para utilizar o transporte coletivo, ele verá que terá muito mais qualidade de vida. Mas, para isso é preciso investir no transporte público”, reiterou Osias Baptista.

Última modificação em Terça, 29 Novembro 2016 17:09
Jornal Belvedere

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