25 Sep, 2017 Última atualização em 4:59 PM, Sep 12, 2017
Publicado em Novas Centralidades
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Por Luiz HÉlio Lodi *

A AVS foi fundada em 2007 com a missão de promover e estruturar o desenvolvimento dos bairros Vila da Serra e Vale do Sereno, concentrando sua ação em três frentes: infraestrutura, meio ambiente e segurança.


Nesse mesmo ano, a atividade imobiliária ganhava grande impulso, estimulada por incentivos governamentais, como financiamento habitacional e aqueles vindos do lançamento de ações em bolsa de valores (IPO) de grandes incorporadoras. Vila da Serra foi um dos alvos visados por estas empresas, além da natural demanda da população que buscava morar ou trabalhar em um local aprazível com vista garantida das matas e montanhas, longe de favelas.

A criação da AVS foi fundamental para disciplinar esta intensa e crescente ocupação, seja atuando junto aos órgãos públicos, seja promovendo um entendimento harmonioso com as empresas que chegavam à região. Nesse sentido, a AVS   buscava transmitir-lhes as posturas assumidas pela entidade (respeito à legislação ambiental, preservação da paisagem natural, por exemplo) esperando que esses compromissos fossem incorporados pelas novas ‘entrantes’  ao mesmo tempo em que prestava o apoio necessário às recém-chegadas.

Hoje, estes bairros abrigam empreendimentos residenciais e comerciais de alto padrão, cada vez mais valorizados pela população que busca qualidade de vida. Vila da Serra pertence mais aos moradores que aos empreendedores e a AVS pretende continuar trabalhando pelo bem comum de seus vizinhos, entendendo que o atual momento é que irá determinar o futuro a ser construído juntamente com as associações de moradores. A consolidação deste trabalho dependerá da consciência de todos os que ali vivem e de sua disposição em participar dos esforços da entidade para promover a sustentabilidade do crescimento do Vila da Serra e Vale do Sereno e sua natural valorização como lugar ideal para se viver.

Sob o ponto de vista econômico e social esta região vinculou ao município de Nova Lima um alto valor agregado. O impulso econômico gerado pela implantação destes bairros é invejável, não só em relação ao aumento de arrecadação municipal (a segunda em importância após a arrecadação minerária) mas também pela geração de renda individual devido às oportunidades de emprego e serviços.

Nova Lima está hoje nas primeiras colocações de renda e índices sociais do Estado de Minas graças às alocações eficientes de seus gestores dos recursos disponíveis.

Tudo isto sem que a vida cultural e social do município fosse impactada pelo grande desenvolvimento econômico.

* Vice-presidente da  AVS/Associação dos Empreendedores dos Bairros Vila da Serra e Vale do Sereno

 

Palavras de um visionário

“Em meados da década de 1970, a região do Rabelo, onde hoje se situam os bairros Vila da Serra e Vale do Sereno, em Nova Lima, era totalmente desabitada. De um lado, a Mata do Jambreiro chegava até os limites dos terrenos e não avançava mais devido à crosta de canga do minério de ferro onde não nascia nada. Do outro lado, vizinho de fronteira, mas separado pela estrada de ferro da MBR, já em BH, ficava o Belvedere, uma ocupação unifamiliar, pois ainda não existia o Belvedere III ,”lembra o empresário e administrador do Vila da Serra Imóveis, Luiz Hélio Lodi.

Naquela época, o minério de ferro estava valendo muito pouco, (não chegava a US10,00 a tonelada) e, como proprietário daquelas áreas do Vila da Serra,  Lodi não viu sentido em continuar na atividade exploratória e, por isso, decidiu dar àquelas terras o destino imobiliário. Nascia, então, em 1982 o bairro Vila da Serra.

A concepção do projeto de ocupação urbana era inovadora para a época. Seria um lugar onde as pessoas poderiam morar, trabalhar e se servir de uma rede de comércio, evitando grandes deslocamentos no trânsito. Assim foram aprovadas áreas destinadas a escolas em todos os níveis, hospitais, clínicas, hotéis com centros de convenção, prédios corporativos, bancos e lojas de conveniência.

O modelo de assentamento continha outra inovação. Não se poderia construir prédios em lotes menores que 4 mil m2, isso acabou imprimindo um novo desenho urbano à região. A ideia era buscar a aprovação de uma ou, no máximo, duas torres em cada terreno, e a opção pela verticalização, além de reduzir os espaços ocupados no solo, possibilitava aumentar os afastamentos entre as torres e ampliar, em muito, as áreas de lazer. “O resultado foi muito bom” – avalia Luiz Hélio Lodi. “Os incorporadores projetaram verdadeiros clubes ao redor dos prédios, sem aumentar a taxa de condomínio devido ao número de moradores ali instalados. Hoje existem condomínios no Vila da Serra nos quais se vive em completa segurança e usufruindo de uma rede de serviços disponíveis dentro dele como espaços fitness, salão de beleza, monitoria para os filhos, dentre outras comodidades,” informa.

A ideia de uma ocupação feita naqueles moldes era impensável para aquela época mas se tornou referência de ocupação urbana bem sucedida nos dias de hoje. “Os urbanistas vêm neste conceito a solução para os atuais conflitos urbanos e a chamam de “centralidade”, ressalta Lodi. “Numa centralidade, as famílias não precisam se deslocar mais do que dois ou três quilômetros de casa para chegar ao trabalho. A escola fica logo ali, a quinze minutos, e os moradores podem ir aos  centros de consumo a pé, tudo com a máxima segurança. Os filhos brincam em áreas verdes preservadas e os pais podem se encontrar os amigos para um happy hour perto de casa,”comenta Hélio Lodi.

Para o empresário, tudo isto é possível numa área mais restrita. Em 100 mil m2, por exemplo, podem residir 130 famílias se consideramos o uso unifamiliar, ou 1 300 famílias se a opção for pelo multifamiliar. A concentração das famílias em um só lugar é o que viabiliza a centralidade, pois vai atrair também a desejada concentração de comércio e serviços para atendê-las, isso a um menor custo de serviços urbanos - água, luz, esgoto, transporte público, limpeza urbana, etc. “Além do mais - ressalta Lodi - um planejamento criterioso pode permitir a existência de grandes espaços verdes, espaçamento entre os prédios e a adequada permeabilidade da área em questão. Ou seja, 1300 famílias podem ter acesso a uma qualidade de vida e bem estar superiores às 130 famílias que residirem no modelo unifamiliar.”

Esta solução vem sendo adotada mundo afora - pequenas cidades autônomas dentro de cidades grandes. Os bairros Vila da Serra e Vale do Sereno são dois exemplos inovadores. No entanto já existem  muitos outros em andamento como o Alphaville, na Lagoa dos Ingleses.

“O que esperamos é que este seja um modelo de ocupação urbana adotado pelo Estado como política oficial. Cabe ao poder público prover não somente a legislação mas também, a infraestrutura de acessos e de serviços urbanos adequados,” observa Luiz Hélio Lodi.

Jornal Belvedere

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