24 Nov, 2017 Última atualização em 1:26 PM, Nov 13, 2017

O novo urbanismo: solução para o desenvolvimento das cidades

Publicado em Novas Centralidades
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Planejamento, sustentabilidade e um desenho urbano voltado para as pessoas, englobando um misto de habitação e trabalho, são algumas premissas da CSul, em Nova Lima.

A região da Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima, deve se tornar autossuficiente nos próximos anos. Uma nova centralidade urbana será implantada ali, a vinte minutos do Belvedere, em área de 27 milhões de m2. O projeto é da empresa CSul Desenvolvimento Urbano, formada pelo Grupo Asamar, Alicerce, BVEP - braço imobiliário do Grupo Votorantim,  MINDT e AGHC Participações. O terreno foi adquirido por R$ 315 milhões e está em fase de planejamento, com previsão de implantação a longo prazo - cerca de cinquenta anos.

O projeto, considerado referência em ocupação urbana, é um dos mais inovadores e arrojados, de desenvolvimento urbano brasileiro e foi concebido de acordo com as diretrizes traçadas pelo PDDI (Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado), para a região metropolitana de Belo Horizonte. Lançado em 2011 pelo Governo de Minas, o PDDI prevê uma descentralização da região metropolitana ao criar polos nos vetores Norte, Oeste e Sul com objetivo de reduzir a dependência dessas cidades em relação à capital.

O arquiteto e urbanista Jaime Lerner, considerado pela revista Time um dos 25 pensadores mais influentes do mundo, assina o Plano Master  do empreendimento, baseado nos princípios   do novo urbanismo. Esse movimento, recente no Brasil, mas bastante explorado nos Estados Unidos e Europa, prevê um desenho urbano voltado para as pessoas, englobando um misto de habitação e trabalho. O empreendimento está sendo concebido com base nas premissas: planejamento, sustentabilidade, mobilidade, infraestrutura e qualidade de vida.

“O caminho do desenvolvimento passa por onde for alicerçado, e para isso, a estratégia é essencial. Por isso o compromisso dos empresários é de desenvolvimento em longo prazo para que tudo seja feito no tempo certo e da melhor maneira”, explica o diretor-superintendente da CSul, Waldir Salvador.

De acordo com Jaime Lerner, a mobilidade urbana, por exemplo, é um desafio universal. “Logicamente, temos metrópoles - principalmente as europeias - que conseguem uma equação equilibrada e humana para os deslocamentos. Não há uma fórmula pronta, mas podemos enxergar algumas coisas em comum naquelas metrópoles, e a principal lição é: prioridade um para o coletivo e para os chamados deslocamentos leves (bicicletas e a pé)”, explica. Para ele, as cidades devem ser estruturadas para que a população use o transporte coletivo e o automóvel seja reservado para os fins de semana e para atividades incomuns. As políticas públicas, os programas de governo e respectivos orçamentos devem deixar claro essa prioridade. “Jamais haverá dinheiro para prover tantas ruas, viadutos e avenidas pensando só no automóvel”, argumenta Lerner. Entretanto, segundo recente matéria publicada no jornal O Globo, os incentivos e subsídios concedidos pelo governo federal a carros, em 2013, foi o dobro investido em transporte coletivo.

Uma das maiores queixas nas grandes cidades é com relação ao tempo gasto no trânsito para se chegar ao trabalho, que em alguns casos chega a duas horas. Com base no levantamento realizado, em 2013, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 18,6% dos trabalhadores das regiões metropolitanas brasileiras gastavam mais de uma hora por dia no trajeto só de ida. A capital mineira está em quarto lugar no ranking de tempo médio de deslocamento de casa para o trabalho, com 36,6 minutos, ficando atrás somente de Rio de Janeiro, São Paulo e Recife. O trânsito se destaca de uma série de motivos que fazem com que as pessoas busquem qualidade de vida urbana: espaços públicos de qualidade, proximidade entre emprego e moradia, infraestrutura, entre outros.

A fim de criar alternativas para as questões econômicas e sociais da Grande BH, o governo de Minas Gerais definiu as centralidades – como demonstra o PDDI - percebida como área urbana com concentração de empregos, serviços, comércios, residências, cultura e lazer.

Coerente com o plano metropolitano, a centralidade no Vetor Sul vem se desenhando a passos largos. Grandes investimentos, melhorias e serviços chegam à região. As construções da fábrica da Coca Cola, que tem recebido investimentos da ordem de US$ 258 milhões, da Suplimed, indústria de equipamentos médicos, com investimentos estimados em R$ 20 milhões e a da Biomm, única fábrica brasileira de insulina, que contará com aportes da ordem de R$ 350 milhões, levarão para região mais oportunidade de empregos. “Um investimento gera outro. Quando uma indústria se instala em um local, a tendência é que a cadeia de fornecedores também se instalem por perto, o que nos faz acreditar que mais e mais investimentos surgirão”, argumenta o diretor-superintendente da CSul, Waldir Salvador.

A concessão da BR-040, pela Via 040, empresa do grupo Invepar, que passou a ser responsável pela gestão do trecho de 936,8 quilômetros da BR-040, entre Brasília (DF) e Juiz de Fora (MG), aponta-se como uma das soluções para o trânsito. A concessão tem prazo contratual de 30 anos, investimento de R$ 7,9 bilhões e prevê a recuperação, operação, manutenção, conservação, implantação de melhorias e ampliação de um dos principais corredores rodoviários do Brasil. O percurso compreende 35 municípios e uma população estimada de oito milhões de habitantes.

Paralelamente a esse desenvolvimento, no projeto da CSul, já estão confirmados o Outlet Premium, do Iguatemi, e a construção de um complexo mixed-used pelo Grupo EPO.

Com uma área construída de 40 mil metros quadrados, o empreendimento do Grupo EPO vai reunir um open mall e duas torres residenciais. Será implantado no mesmo nível da rua, e vai contar com um mix variado de lojas âncoras e semi-âncoras, como Super Nosso e Drogaria Araujo, praça de alimentação; academia e opções de entretenimento e serviços, procurando atender às demandas do bairro e entorno.

Para Jaime Lerner, o projeto CSul pretende materializar boa parte dos conceitos comentados e buscados nos dias atuais, com a criação de uma ‘comunidade sustentável’ onde a oferta de empregos seja tão grande quanto de moradias, onde haja mistura de usos, de renda e de idade, com primazia dos espaços públicos, onde boa parte das atividades possa ser realizadas a pé ou de bicicleta, e ao mesmo tempo conectada com Belo Horizonte através de um transporte eficiente.

Segundo Lerner, “a cidade é o espaço que agrega e integra - quanto maior a mistura, mais humana ela será”, pontua. Para o urbanista, “é isso que ajudará a garantir a coesão social, a segurança urbana, a possibilidade das trocas, o desejo de se congregar nos espaços comuns - ruas, praças, parques, mercados, calçadões, feiras. A cidade é também um anseio coletivo. Precisa de uma visão de futuro que guie o seu desenvolvimento, capaz de motivar os esforços de mais de uma geração para sua consecução. As pessoas querem mais qualidade de vida e precisamos, portanto, aproximar o emprego da moradia. Espaços públicos de qualidade, áreas verdes, equipamentos culturais, infraestrutura social, lazer - tudo isso deve estar integrado o máximo possível no cotidiano dos cidadãos”.

Última modificação em Quinta, 11 Dezembro 2014 15:43
Jornal Belvedere

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