25 Sep, 2017 Última atualização em 4:59 PM, Sep 12, 2017

Mercado aposta em empreendimentos que reúnem num só lugar moradia, serviços e lazer

Publicado em Novas Centralidades
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Por Goretti Sena *

Tendência • Mixed-use ou uso misto

Os notórios problemas de mobilidade urbana que afligem as grandes cidades brasileiras estão contribuindo para a consolidação de um modelo que não é inédito no mercado imobiliário mas que, agora, contribui para a conquista da sonhada  qualidade de vida. Poder trabalhar perto de casa contando ainda com uma estrutura de serviços de comércio e lazer, livre dos infernais engarrafamentos de trânsito...quem, nos dias de hoje, não sonha com isto? Atentas a este desejo, empresas do mercado imobiliário investem em empreendimentos mixed-use ou uso misto.

O Mixed-use, ou uso misto, não é uma novidade no mercado imobiliário. Além do Conjunto Nacional (veja artigo ao lado de Alexandre Nagazawa), em São Paulo, há outros bons exemplos de como o modelo, se bem planejado, pode dar certo. Experiências, no mundo inteiro, mostram isso. A solução é bem sucedida até em empreendimentos universitários. A Roosevelt Universty de Chicago é um deles, reunindo num só edifício – uma torre de 32 andares com somente 40 vagas na garagem – salas de aulas, escritórios administrativos, refeitório, laboratórios, academia de ginástica, centro de conferências e, é claro, apartamentos onde, nos últimos 17 andares, residem os estudantes.

Os grandes adensamentos humanos estão aí, desafiando os urbanistas nos quatro cantos do mundo. Nas cidades de Barcelona, Manhattan e Nova York se concentram mais de 300 habitantes por hectare e em São Paulo, só no bairro de Higienópolis vivem cerca de 250 pessoas por hectare. Todos querem morar na cidade, avisam as estatísticas mais realistas. E onde todos vão viver... Para onde as cidades vão crescer?  - perguntamos. “Existem inúmeras maneiras de concentrar pessoas de forma sustentável e com qualidade de vida”, responde o engenheiro e arquiteto Cláudio Bernardes, presidente do Secovi/SP. Ele garante que “atrelado ao adensamento inteligente está a construção de espaços com escala humana”. O mercado imobiliário tem sido ágil para oferecer soluções e alguns lançamentos já incorporam uma proposta inédita - a de conciliar escritório com residência, consolidando aquela tendência do Home Office da década de 1980. Em São Paulo, já existem prédios que oferecem o uso misto de residência e escritório e, neles, elevadores e entradas independentes cuidam de fazer com que a comunicação entre um espaço e outro não seja percebida pelo cliente. Quanto ao morador - geralmente um profissional liberal - não precisa enfrentar o trânsito, investir em dois espaços localizados geralmente em bairros diferentes ou em duas diaristas, isso pra citar uma lista enorme de vantagens. Há projetos que incorporam áreas comuns. Mas, ao invés de amplos espaços gourmets e áreas de lazer, os moradores vão compartilhar salas de reunião de negócios, serviços de concièrge, motoboy, entre outras comodidades que atendem bem, em especial, um público jovem, em busca de soluções funcionais.

* Jornalista e editora

Última modificação em Sexta, 12 Dezembro 2014 12:08
Jornal Belvedere

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