24 Nov, 2017 Última atualização em 1:26 PM, Nov 13, 2017

Grupo EPO investe em projetos de uso misto

Publicado em Novas Centralidades
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O gestor de novos produtos do Grupo EPO, Eduardo Luiz Silva, concorda que nos grandes centros urbanos os incômodos causados pelos engarrafamentos no trânsito acabam comprometendo a qualidade de vida.

“Neste cenário, estamos buscando soluções imobiliárias que possam conciliar moradia, trabalho, consumo e lazer. Os empreendimentos de uso misto são uma ótima alternativa, acessando às pessoas a comodidade de, às vezes, usarem apenas o elevador do prédio para se deslocar de sua casa até o local de trabalho,” observa.       

Segundo ele, há um esforço que antecede a toda etapa de  concepção dos projetos. “Avaliamos, em primeiro lugar, as necessidades locais, que são comprovadas por pesquisas de mercado, contratadas com institutos especializados.” O gerente informa que estão em andamento projetos de uso misto localizados no empreendimento CSul (Nova Lima), em Lagoa Santa, ambos com projeto de Gustavo Penna. Além desses, há um no bairro Buritis e outro, em Contagem.

Localizado à Avenida João César de Oliveira, próximo ao centro de Contagem, o “Contemporâneo” é um complexo mixed-used com área construída em torno de 20 mil metros quadrados. Fará parte do empreendimento uma torre com 18 pavimentos, que reunirá um streetmall, salas comerciais e apartamentos. O empreendimento contará ainda com estacionamento para aproximadamente 470 vagas. O streetmall ocupará o primeiro e o segundo pavimento que compõe a base do complexo que contempla  supermercado, lojas semi-âncoras, lojas satélites e uma praça de alimentação.

A arquitetura vai proporcionar uma estrutura mais aberta, com amplas áreas de convivência, áreas verdes e um espelho d’água com fontes. A parte corporativa da torre abrangerá cinco pavimentos, reunindo um total de 63 salas comerciais, com áreas que variam de 30m² a 47m². Já a parte residencial terá nove andares, com 136 apartamentos tipo loft, com área média de 31m². “O grande diferencial do Contemporâneo é a localização estratégica. Ele será erguido entre o centro de Contagem e o Eldorado, trazendo ao município o conceito de uma nova centralidade, reduzindo o deslocamento do usuário entre casa, trabalho e consumo”, afirma o coordenador de novos produtos do Grupo EPO, Mateus Hermeto.

 

O conceito pode parecer inovador, mas há décadas no Brasil encontramos ótimos exemplos de edifícios de uso misto

"Ir para o trabalho todos os dias usando apenas o elevador ou comprar um remédio sem ter que pegar carro ou ônibus, pois basta descer do prédio, também pelo elevador. Parece cômodo e soa impossível, mas esta é a ideia dos empreendimentos mixed use, chamados também de multiuso ou de uso misto. Esse tipo de configuração de edifícios ou condomínios, utilizado há anos em cidades no mundo todo, volta à tona como uma tendência no mercado imobiliário de países como Estados Unidos e Japão, e tem se destacado também nas maiores cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo.

O conceito pode parecer inovador, mas há décadas no Brasil encontramos ótimos exemplos de edifícios de uso misto. Em 1956, foi inaugurado em São Paulo o Conjunto Nacional, que fica na Avenida Paulista, projetado pelo arquiteto David Libeskind. É esse também o caso de dois grandes projetos de Oscar Niemeyer - os edifícios Juscelino Kubitschek, o JK, de 1952, em Belo Horizonte e o Edifício Copan, projetado em 1950 e inaugurado em 1966, em São Paulo. Os conjuntos apresentam as principais características dos mixed-use, abrigando cinema, teatro, academia, lojas, restaurantes, consultórios, apartamentos residenciais com diversas tipologias e até igrejas.

Nas décadas de 50 e 60, já existia a intenção de que as pessoas tivessem absolutamente tudo ao alcance, num ideário modernista, em que o homem teria mais tempo para si, usufruindo o que as cidades tivessem de melhor e ficando pouco tempo em casa. A ideia acabou fugindo um pouco do previsto, pois devido ao gigantesco adensamento, o fluxo de pessoas pelos condomínios cresceu exorbitantemente – pelo Nacional, por exemplo, passam cerca de 50 mil pessoas diariamente – reduzindo a privacidade, gerando problemas de controle, segurança, manutenção condominial e qualidade dos ambientes - o que fatalmente ocasionou a decadência desse modelo. A desvalorização dos hipercentros, aliada às diversas crises econômicas do Brasil, também ajudaram no processo de esquecimento do mixed use.Atualmente os empreendimentos nesse formato oferecem, além da moradia, bens e serviços do cotidiano com grande apelo à questão da mobilidade urbana.

Com lojas, supermercados, espaços corporativos para escritórios, centros de convenções, restaurantes, criam-se verdadeiras minicidades, novas centralidades que configuram um novo estilo de vida. É a simples ideia de não precisar sair de perto de casa, por exemplo, para comprar pães ou itens necessários para o jantar, tudo com total conveniência. Grande atrativo ao perfil da classe média contemporânea, que tem o tempo escasso e se vê fadada a enfrentar um transporte público sem qualidade, além da violência urbana. Já não se aguenta mais pedir comida delivery.Nesse sentido, o mixed use volta a configurações antigas, com soluções que por um tempo ficaram esquecidas nas metrópoles.

Quem já parou para observar a configuração dos prédios em cidades como Paris, Londres, Barcelona, Buenos Aires, provavelmente, notou que a maioria dos edifícios verticais antigos possui um embasamento de lojas, escritórios e até mesmo entradas para galerias comerciais. Enquanto nos andares acima encontram-se habitações ou escritórios. Tive a oportunidade de trabalhar numa agência de arquitetura em Paris onde o mesmo prédio abrigava lojas voltadas para rua, habitações e escritórios que, dependendo do andar, até eram vizinhos de porta. É o formato do uso misto, configurado ao longo das ruas e quarteirões, com usufruto de facilidades e comodidade não em apenas um edifício, mas ao longo de toda a cidade, para toda a população.A metrópole brasileira contemporânea enfrenta a necessidade de rever drasticamente seu modo de configuração. Com problemas de mobilidade urbana, violência, infraestrutura urbana precária, é urgente a mudança no sentido de composição e ordenação das centralidades.

O tradicional zoneamento não é mais capaz de suprir a complexidade das múltiplas necessidades das pessoas. Os deslocamentos devem ser menores, o acesso a bens e serviços pode estar na rua, mais próximo das moradias, longe dos megasshoppings, evitando assim mais carros nas ruas. Quem sabe um dia, nesse sentido, possamos usufruir de uma Belo Horizonte onde possamos resolver nossa vida em questão de dois ou três quarteirões, a pé, com qualidade de vida em uma cidade realmente plural."

Alexandre Nagazawa
Arquiteto e urbanista, sócio diretor da BLOC Arquitetura e Empreendimentos

Última modificação em Quinta, 11 Dezembro 2014 15:47
Jornal Belvedere

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