21 Oct, 2017 Última atualização em 6:38 PM, Oct 9, 2017

Posturas e atitudes do passado

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Por Flávio Krollmann

Prezados leitores do JORNAL BELVEDERE, em especial desta Coluna, desde já peço desculpas pelo tom de desabafo com que me dirijo a vocês e escrevo este artigo.

O problema é que estamos há 100 dias, cem dias sem uma gota de chuva sequer. Cem dias contra o que antes se restringia a somente um, dois meses (no máximo) sem chuva. Cem dias que nossas poucas e limitadas áreas verdes estão sendo consumidas pelas chamas e, mais do que isso, exclusivamente pela atitude irresponsável de pessoas. Porque fogo não nasce sem ser provocado. Cem dias que o ar está seco, próximo ou até igual ao de desertos.

Um dia você imaginava que o ar de nossa cidade ficaria igual ao de um deserto? Pois é.

Pior ainda é presenciar no presente uma turma que tem a cara de pau de falar que está tudo bem e que o “desenvolvimento” deve continuar sendo tocado do jeito que sempre foi. Na verdade eles não falam que o desenvolvimento deve ser tocado como antes, mas agem da mesma maneira de que agiam no passado; não querem saber de planejamento, de futuro e sustentabilidade; querem apenas impor seus projetos, enriquecer e pronto. O resto é pra inglês e os bobos aqui ouvirem. O discurso politicamente correto, populista e sustentável é desmascarado por posturas contraditórias, antiéticas, corporativistas, exploratórias e radicais.

Estas áreas verdes que estão sendo dizimadas vale lembrar, são resistentes, como as pessoas que as protegem, à especulação imobiliária, industrial, mineral e econômica. Já é uma luta quase impossível conseguirmos convencer empresários e agentes públicos da importância de se preservar uma área, uma nascente, uma mata, um pedaço de cerrado ou corredor de fauna. Como que se estivéssemos contra a razão e o bom senso; A resistência é tão grande que nos faz refletir se realmente estamos certos. Coisa de maluco; nós temos de convencê-los do certo e eles, tentam nos convencer que o errado, pela teoria, é o certo. E depois desta árdua luta e a consequente manutenção da área verde (na minoria dos casos), vem a mudança do clima, a escassez de água e mais uma atitude irresponsável das pessoas e insere aquela área, sobrevivente da ignorância e ganância, vítima de um incêndio florestal.

A vontade é de falar e escrever um palavrão.

A pessoa que põe fogo na divisa de um Parque como a do Rola Moça, o empreendedor que tenta (e consegue) aprovar um empreendimento que irá, com certeza, secar uma nascente, suprimir uma mata, a mineração que continua ampliando seu impacto de modo irresponsável, o agente público que ignora isso precisam parar!

O que querem estas pessoas? Destruir tudo? Implantar mais um loteamento, ampliar irresponsavelmente uma planta industrial ou mineral para ganhar um pouco mais de dinheiro? E para que este “mais dinheiro”? Para simplesmente se converter em um carro novo, em uma viagem ao exterior ou a um mimo para mostrar aos amigos? É para isso? Todo este esforço para se converter em um carro novo? Destruir uma mata para ter um carro novo?

Estas pessoas destroem os recursos naturais. As nascentes estão secando; Rios estão minguando (É só olhar o Rio das Velhas e o São Francisco) e ainda tem gente que age desta maneira e ainda canta de galo?

Logicamente nos dirigimos a um grupo que age desta maneira. Já há empresas, mineradoras, empresários, profissionais e até agentes públicos que pensam diferente ou que começam a pensar assim. Mas até eles sofrem, pois seus pares continuam agindo de modo informal, ilegal e sorrateiro. Literalmente “queimam o filme” do segmento e prejudicam a todos. Continuam mantendo ou se utilizando da corrupção, do descumprimento das leis, do jeitinho, para conseguir o chamado “desenvolvimento”.

O País mudou ou pelo menos está fazendo um esforço para mudar. O fato é que a corrupção e esta postura recorrente de prosperar pela marginalidade estão sendo banidos. No mínimo, fora de moda. Mas ainda tem gente que aposta no velho modo de exploração do Brasil. Igual aos dos colonizadores.

Vale apontar também que a radicalidade tem ocorrido e prejudica. É interessante, quando se participa de Conselhos ligados ao meio ambiente visualizar, literalmente, dois times. Os que defendem a causa da preservação e os que defendem o “desenvolvimento”. Como que um não pudesse sobreviver com o outro. Tanto ambientalistas quanto representantes do poder econômico tomam posturas radicais e não abrem mão de discutir ou apoiar um projeto do outro lado. Logicamente já vão surgindo exceções, pessoas com bom senso que conseguem ouvir, respeitar e sugerir. Mas a grande maioria, ainda age como antes. Radicalmente. Para piorar esta situação, os representantes do poder público que também ocupam estes conselhos deveriam agir como representantes da população e assumir, assim, uma posição, até mesmo física, de neutralidade. É lógico que eles terão sua opinião e tem todo direito de tê-la, porém o que vemos é uma confusão e até mesmo uma pré-disposição de agentes públicos para o lado dos que defendem a qualquer custo o desenvolvimento.

Mais uma vez, lógico que há exceções, mas concordemos que é, no mínimo desconfortável, presenciar em uma plenária determinado agente público aos fuxicos, gargalhadas e conversas reservadas com empreendedores, empresários e representantes de Associações e Federações ligadas ao desenvolvimento. Não é ambiente para isso.

Vale concluir também que, no lado dos que defendem a preservação, o radicalismo é consequência de um cenário onde ele é, sempre, minoria, sem estrutura econômica, visto e tratado por alguns agentes públicos como o “do contra” ao desenvolvimento. Em alguns casos é nítido este desconforto. Em ambiente tão desequilibrado, até por sobrevivência, o que lhe resta é impor uma postura mais rígida e radical.

Aliás, ao citar desenvolvimento sustentável, referência é uma cidade, Estado ou país do primeiro mundo em que realmente uma atividade econômica melhora de fato a vida das pessoas e garante esta qualidade de vida para as próximas gerações. Isso é desenvolvimento; aqui no Brasil, você poderia pensar em alguma cidade, por exemplo, que recebeu estes importantes investimentos, seja um loteamento, uma mineração em que realmente a cidade melhorou, os serviços públicos melhoraram, a qualidade de vida, segurança, saúde, educação e lazer melhoraram? Poderia pensar em uma somente?

Você conhece alguma cidade que vive de IPTU que é uma referência?

Aposto que não. Porque aqui só se pensa no imediato. Não se planeja, não se pensa no futuro. Não se pensa no fazer certo.

E lá vão cem dias sem chuva. Desculpem pelo desabafo.

Conselheiro do PROMUTUCA
www.promutuca.com.br • Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
(31) 3581-1166.
Jornal Belvedere

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