24 Aug, 2017 Última atualização em 4:31 PM, Aug 11, 2017
Publicado em Comportamento
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O Brasil vive um momento crucial em sua jovem democracia. Cercado de várias crises política, econômica e institucional, como a queda de braço entre os poderes legislativo e judiciário, além de reformas impopulares e dezenas de denúncias de corrupção, o brasileiro espera por mais um ano, ainda mais, difícil.

Após a vitória relativamente folgada que Michel Temer obteve com o impeachment de Dilma Rousseff no Senado, o clima de otimismo e de boas perspectivas aumentou no País. Mas, com o decorrer dos primeiros meses do novo governo e com a aproximação do fim de 2016, o que se viu não foi bem isso. As crises política, econômica e institucional se agravaram e o ano de 2017, apesar de ser visto com mais otimismo, ainda não representa um horizonte de recuperação rápida do cenário macroeconômico. Virou uma incógnita.

Agora o governo Temer, que chega ao final do ano com índices de reprovação popular baixíssimos e, deve, ainda, enfrentar batalhas mais duras no Congresso Nacional e na sociedade em 2017, já que o seu nome está sendo relacionado com os escândalos de corrupção da Operação Lava Jato.

REFORMAS IMPOPULARES
Muita polêmica com a Previdência Social e CLT

No cardápio de propostas do governo está uma série de medidas que prometem encontrar resistência no Congresso e nas ruas. São reformas que alteram direitos de trabalhadores, aposentados e que podem resultar em cortes em áreas como saúde e educação.

Para isso, o governo vem alterando a Constituição Federal, como aconteceu ao fixar um limite para a expansão dos gastos da União, a chamada PEC do Teto. Com a medida a evolução anual das despesas ficará limitada à inflação do ano anterior, por ao menos duas décadas.

Ou seja, na prática, a despesa global não pode ter crescimento real. Caso o orçamento de alguma área cresça, o de outra área tem de sofrer cortes para equilibrar as contas. Críticos da medida acreditam que isso levará a uma redução nos gastos sociais, especialmente, na educação e na saúde.

Além da proposta de controle mais rígido dos gastos públicos, há outros temas impopulares na mesa. O governo Temer quer aprovar uma reforma da Previdência Social para reduzir o crescimento dos gastos com aposentadoria – que já pesa muito no orçamento e deve crescer com o envelhecimento da população.

A necessidade da reforma é quase consenso entre especialistas em contas públicas, mas a revisão da idade mínima exigida para aposentadoria – 65 anos para homens e mulheres, além de outras medidas que têm causado grande resistência dos sindicatos de trabalhadores.

Outra reforma polêmica é a trabalhista, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Para o governo, é preciso flexibilizar garantias dadas hoje aos empregados para dinamizar o mercado de trabalho, gerando mais empregos. Já os movimentos sociais e sindicatos acusam a atual administração de ter dado “um golpe de classe” para tirar direitos dos trabalhadores.

Diante de tantas incertezas e dificuldades, o mercado financeiro, que antes apostava todas as suas fichas na aprovação das reformas, já coloca em dúvida a capacidade do governo. Como deixou bem claro o economista-chefe para América Latina do Banco Goldman Sachs, Alberto Ramos, que já antecipou as dificuldades de Temer em um relatório enviado aos clientes do banco.

"De maneira geral, o final da saga impeachment pode incentivar o governo Temer a acelerar o ajuste fiscal, mas o grau de apoio da base aliada no Congresso para medidas politicamente sensíveis e impopulares permanece obscuro. Na verdade, não ficaríamos surpresos de ver o conteúdo e a espinha dorsal de algumas propostas de ajuste fiscal e reformas enfraquecidas no Congresso”, ressalta o economista do Goldman Sachs, Alberto Ramos.

ECONOMIA
Sem grandes investimentos privados

Na área econômica os especialistas afirmam que o mercado está aguardando o desenrolar de todas estas reformas e se as crises vivenciadas pelo governo Temer serão superadas. No entanto, são poucos os que se arriscam a fazer uma projeção mais firme sobre o que pode estar por vim.

Em uma análise para à imprensa o economista-chefe do Banco do Nordeste (BNB), Luiz Esteves afirma que só se deve esperar grandes investimentos privados perto do final do ano que vem, com o restante do período servindo para que as empresas tomem fôlego. Para ele, a maioria das empresas privadas acumularam muita capacidade ociosa durante o período de recessão, o que significa que muitas delas estão operando com capacidade consideravelmente abaixo do nível normal. Como consequência disso, o primeiro momento dessa recuperação deverá ser de aproveitar essa capacidade ao invés de investir na expansão.

No entanto, alguns economistas do mercado financeiro chegam a afirmar que pode ser ter boas expectativas no decorrer de 2017, com melhoras na atividade econômica e na inflação. A mediana das estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem saiu de 1,1% para 1,2%. Essa melhora ocorre após o governo federal ter revisado a projeção do desempenho da economia no próximo ano de 1,2% para 1,6% de expansão. A nova estimativa vai nortear a elaboração da proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2017.

Quanto à inflação, a mediana do mercado para o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2017 saiu de 5,14% para 5,12%. As projeções para a taxa básica de juros, a Selic, em 2017 ficaria em11%.

MERCADO DE TRABALHO
“Os candidatos precisam se reinventar”

Em uma entrevista à imprensa, Fernando Mantovani, o managing director da Robert Half, uma empresa líder mundial em Recrutamento Especializado nas mais diversas áreas, foi claro em relação ao mercado de trabalho em 2017: “Para aqueles que buscam uma recolocação no próximo ano, a mensagem é esta: mercado de trabalho não ficará parado em 2017. Entretanto, os profissionais e as empresas devem estar preparados para grandes e novos desafios. Ainda não veremos vagas em abundância, mas acredito que as oportunidades serão em maior número que em 2016. Em termos salariais, não veremos grandes variações. É preciso entender que o momento é outro e os salários inchados do passado não voltarão”.

Para Fernando Mantovani os processos de recrutamento continuarão rigorosos e as exigências altas serão mantidas. A escolha do candidato está mais lenta. De acordo com 53% dos diretores de RH que participaram de uma pesquisa da Robert Half, a duração do processo seletivo aumentou em suas empresas, muito em virtude da dificuldade de encontrar o perfil ideal, do maior número de currículos recebidos por vaga e de mais etapas no processo seletivo.

“Os candidatos precisam se reinventar. É preciso estudar a própria carreira. Ainda vejo muita gente perdida na sala de entrevista, que não tem segurança nem clareza no momento de expor sua experiência ou explicar porque deseja a vaga”, conta Fernando Mantovani.

Montovani acrescenta que “em particular, os profissionais mais seniores enfrentam um desafio a mais. Em geral, possuem mais experiência e remuneração mais elevada o que por si só reduz o número de oportunidades. Acredito que além do processo tradicional de recrutamento uma boa rede de relacionamento ativa pode auxiliar a transição”.

Jornal Belvedere

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