23 May, 2017 Última atualização em 2:06 PM, May 11, 2017
Publicado em Prêmio & Homenagem
Lido 57 vezes
Avalie este item
(0 votos)
Tagged sob

Por Martha Medeiros

Um bebê nasce. O médico anuncia: é uma menina! A mãe da criança, então, se põe a sonhar com o dia em que a sua princesinha terá um namorado de olhos verdes e casará com ele, vivendo feliz para sempre.

A garotinha ainda nem mamou e já está condenada a dilacerar corações.

Laçarotes, babados, contos de fadas: toda mulher carrega a síndrome de Walt Disney.

Até as mais modernas e cosmopolitas têm o sonho secreto de encontrar um príncipe encantado. Como não existe um Antônio Banderas para todas, nos conformamos com analistas de sistemas, gerentes de marketing, engenheiros mecânicos. Ou mecânicos de oficina mesmo, a situação não anda fácil. Serão eles desprezíveis? Que nada. São gentis, nos ajudam com as crianças, dão um duro danado no trabalho e têm o maior prazer em nos levar para jantar. São príncipes à sua maneira, e nós, cinderelas improvisadas, dizemos sim! sim! sim! diante do altar; mas, lá no fundo, a carência existencial herdada no berço jamais será preenchida.

Queremos ser resgatadas da torre do castelo. Queremos que o nosso pretendente enfrente dragões, bruxas, lobos selvagens. Queremos que ele sofra, que vare a noite atrás de nós, que faça tudo o que o José Mayer, o Marcelo Novaes e o Rodrigo Santoro fazem nas novelas. Queremos ouvir “eu te amo” só no último capítulo, de preferência num saguão de aeroporto, quando ele chegará a tempo de nos impedir de embarcar.

O amor na vida real, no entanto, é bem menos arrebatador. “Eu te amo” virou uma frase tão romântica quanto “me passa o açúcar”. Entre casais, é mais fácil ouvir eu “te amo” ao encerrar uma ligação telefônica do que ao vivo e a cores. E fazem isso depois de terem se xingado por meia-hora. “Você vai chegar tarde de novo? Tenha a santa paciência, o que é que você tanto faz nesse escritório? Ontem foi a mesma coisa, que inferno! Eu é que não vou preparar o jantar para você às dez da noite, te vira. Tchau, também te amo.” E batem o telefone possessos.

Sim, sabemos que a vida real não combina com cenas hollywoodianas.

Sabemos que há apenas meia dúzia de castelos no mundo, quase todos abertos à visitação de turistas. Sabemos que os príncipes, hoje, andam meio carecas, usam óculos e cultivam uma barriguinha de chope. Não são heroicos nem usam capa e espada, mas ao menos são de carne e osso, e a maioria tentaria nos resgatar de um prédio em chamas, caso a escada magirus alcançasse o nosso andar. Não é nada, não é nada, mas já é alguma coisa.

Dificilmente um homem consegue corresponder à expectativa de uma mulher, mas vê-los tentar é comovente. Alguns mandam flores, reservam quarto em hoteizinhos secretos, surpreendem com presentes, passagens aéreas, convites inusitados. São inteligentes, charmosos, ousados, corajosos, batalhadores.
Disputam nosso amor como se estivessem numa guerra, e pra quê? Tudo o que recebem em troca é uma mulher que não para de olhar pela janela, suspirando por algo que nem ela sabe direito o que é. .........

Perdoem esse nosso desvio cultural, rapazes. Nenhuma mulher se sente amada o suficiente.

Martha Medeiros nasceu em Porto Alegre (RS) é formada em Comunicação Social. Fez sua carreira na área de publicidade e propaganda. Trabalhou em agências de propaganda nos setores de criação e redação. Entre outros livros, publicou: “De Cara Lavada” (1995), “Geração Bivolt” (1995), seu primeiro livro de crônicas, “Santiago do Chile” (1996), “Topless” (1997) que recebeu o Prêmio, Açorianos de Literatura, e “Trem Bala” (1997). Seu romance “Divã” (2002) foi adaptado para o cinema e para uma minissérie para a TV. Escreveu um livro infantil “Esquisita Como Eu” (2004). Como jornalista, escreve crônicas para o Jornal Zero Hora. Colabora também para outras publicações.

Pérolas de Minas estimula a doação de cabelos

Uma parceria inédita em BH vai incentivar as mulheres que queiram doar seus cabelos para a confecção de perucas para pacientes em tratamento de câncer de mama. A inciativa é fruto de uma parceria do Grupo de Apoio Pérolas de Minas e a rede de salões de beleza Socila. Durante todo o mês de março, as interessadas poderão cortar os cabelos gratuitamente nas nove unidades participantes e as madeixas serão repassadas a instituições parceiras do Grupo. O tamanho mínimo para doação de cabelos é 15 cm e os cortes serão feitos entre 13 e 17h. Posteriormente as perucas serão doadas para as integrantes do Grupo Pérolas de Minas.

Segundo Maria Luiza Oliveira, Presidente do Grupo Pérolas de Minas, o objetivo é envolver o maior número possível de mulheres nesta causa que é de interesse de todas. “Sempre recebemos demandas de mulheres que querem ajudar doando cabelos. Agora criamos este canal com o Socila que irá facilitar esta ação e alegrar o coração de inúmeras mulheres”, define.

Exposição “Tempo, Lugar de Mulher”

O BH Shopping em homenagem ao Dia Internacional da Mulher promove entre desde o dia 8 de março até o 8 de abril, no Piso Mariana, uma exposição que retrata a beleza da mulher idosa. Em parceria com o laboratório Geraldo Lustosa apresenta a mostra com 18 imagens de senhoras em fotos que propõem um debate da representatividade da mulher idosa. As pacientes que entraram nas unidades do laboratório foram abordadas com placas contendo palavras de empoderamento como forte, linda, criativa, ousada, intelectual, independente, sexy, determinada. Ao escolherem uma palavra que as representasse, elas foram convidadas para uma sessão de fotos, que culminou na exposição.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do Século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Desde o final do Século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem ao movimento pelos direitos das mulheres e como forma de obter apoio internacional para luta em favor do direito de voto para as mulheres (sufrágio universal). Mas somente no ano de 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março.

Jornal Belvedere

Artigos assinados são de inteira responsabilidade do autor. Não expressando, portanto, a opinião da redação do Jornal Belvedere.

Folhear Última Edição

258

 

Anuncie Aqui2016 05