21 Sep, 2017 Última atualização em 4:59 PM, Sep 12, 2017

Micos-estrela não transmitem a febre amarela

Publicado em Saúde & Bem-estar
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Bióloga do Promutuca, Suellen Rodrigues, esclarece que temor em contrair a doença tem levado pessoas a afugentar alguns primatas, mas que a população pode se tranquilizar. Eles não são transmissores da febre amarela, e sim um “anjo-da-guarda” para os humanos. Nova Lima não tem registro de casos da doença.

As notícias sobre a epidemia de febre amarela em algumas cidades têm trazido preocupação desnecessária para uma parcela de moradores de condomínios horizontais de Nova Lima. O temor em contrair a doença tem levado pessoas a afugentar alguns micos-estrela de seus quintais, enquanto outros moradores estão preocupados pelo desparecimento destes em locais onde eram vistos constantemente dentro do Vale do Mutuca. Mas, a população pode se tranquilizar, porque os primatas não são transmissores da febre amarela, eles na realidade são um “anjo-da-guarda” para os humanos.

A bióloga da Associação de Proteção Ambiental Vale do Mutuca (Promutuca), Suellen Rodrigues, explica que a entidade está apreensiva com a repercussão desse temor e está alertando a todos que tanto os bugios, como os micos-estrela e outros macacos “são apenas sentinela da febre amarela. Eles não são transmissores da doença, que por sua vez, é transmitida pelo mosquito através da picada. Os primatas são as primeiras vítimas do mosquito e ao ser picado apenas ele avisa que a doença está se proliferando nas matas”, relata Suellen.

Segundo ela, “vários ambientalistas e pesquisadores estão usando os meios de comunicação para publicarem vídeos explicativos mostrando que os macacos não estão entre os transmissores da doença. São as primeiras vítimas. Há relatos que cerca de 80 bugios já morreram suspeitos da doença no Estado do Espírito Santo. E que entre 2008 e 2009, quando aconteceu o último surto de febre amarela em macacos, cerca dois mil bugios foram infectados pelo vírus ou assassinados por pessoas desinformadas sobre o ciclo da doença. A população precisa se vacinar para se proteger contra a febre amarela e não espantar os primatas de seu ambiente.”

Sullen ressalta que os macacos não são responsáveis pelo vírus nem pela sua dispersão em várias cidades como está acontecendo no Brasil. Até porque, ainda segundo ela, é preciso lembrar que “animais doentes ficam mais letárgicos e de maneira alguma conseguem sair de uma região para a outra espalhando uma doença. Os primatas são mais sensíveis e por isso sempre vão nos dar um sinal de alerta. São nossas sentinelas e nosso anjo da guarda. Daí a importância de protegê-los sempre”, alertou.

Transmissão

Sullen  Rodrigues lembra que o Ministério da Saúde tem alertado bastante que a febre amarela apresenta dois ciclos de transmissão epidemiologicamente distintos: silvestre e urbano. Segundo o MS, “do ponto de vista etiológico, clínico, imunológico e fisiopatológico, a doença é a mesma nos dois ciclos. No ciclo silvestre da febre amarela, os primatas (macacos) são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus, e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata.

Já no ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados. A febre amarela urbana não é registrada no país desde 1942. Enquanto o Aedes aegypti encontrava-se erradicado, havia uma relativa segurança quanto à não possibilidade de reurbanização do vírus amarílico.

Entretanto, a reinfestação de extensas áreas do nosso território por este vetor, já presente em quase todos os municípios do país, traz a possibilidade de reestabelecimento deste ciclo de transmissão do vírus.

A forma silvestre é endêmica nas regiões tropicais da África e das Américas. Em geral, apresenta-se sob a forma de surtos com intervalos irregulares, sem ciclicidade definida. Na população humana, o aparecimento de casos é geralmente precedido de epizootias em primatas não humanos. No Brasil, a partir da eliminação da forma urbana em 1942, só há ocorrência de casos de febre amarela silvestre (FAS) e os focos endêmicos até 1999 estavam situados nos estados das regiões Norte, Centro-Oeste e área pré-amazônica do Maranhão, além de registros esporádicos na parte Oeste de Minas Gerais”, diz o relatório.

Nova Lima sem nenhum caso

Para Suellen é muito importante lembrar que o bugio, assim como outros primatas, não é “um reservatório do vírus”. O vírus não fica na corrente sanguínea do animal após o curto período da febre amarela, que dura cerca de 10 a 12 dias. “Na maioria dos casos, os animais morrem de febre amarela e quando isso não acontece é porque ele já desenvolveu imunidade ao vírus da doença. Daí a importância do seu papel para identificar áreas onde apareceram a febre amarela e definir as ações que devem ser tomadas.”

A bióloga da Promutuca sustenta que o aparecimento da doença faz um alerta das influências das atividades humanas, ao reduzir áreas com desmatamento. Segundo ela, por causa das chuvas a população de mosquitos é maior com o desmatamento e outros fatores não haverá predador para esses insetos. “Esse surto acaba nos ensinando muito e acende um alerta. Quanto maior o desmatamento e a incidência de áreas fragmentadas maior será a frequência do aparecimento de doenças como a febre amarela”, defendeu.

A atual epidemia de febre amarela não ameaça apenas os humanos, mas sim populações inteiras de primatas. E o mais difícil é, sem dúvida, repor essa espécie nas florestas se ela continuar a se estirpar.

O departamento de Zoonoses da Prefeitura de Nova Lima informou ao Promutuca que os quatro casos suspeitos da doença registrados na cidade, um foi descartados e outros três estão sendo investigados.

A Promutuca faz um alerta para que os moradores do Vale do Mutuca se protejam através da vacinação. E, caso encontrem algum animal morto na mata que façam um contato com a ONG.

Jornal Belvedere

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