22 Oct, 2017 Última atualização em 6:38 PM, Oct 9, 2017

Diabetes, avanço no tratamento, mas falta prevenção

Publicado em Saúde & Bem-estar
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Por Dra. Silvia Nascimento Bicalho

A primeira documentação dos sintomas do diabetes está no papiro Ebers, elaborado em torno de 1500 AC: uma doença caracterizada por emagrecimento, sede contínua e emissão frequente e abundante de urina.

Apenas no século II DC, na Grécia Antiga, a doença recebeu o nome de diabetes, que significa “passar através de”, explicando o fato de que a poliúria que caracterizava a doença assemelhava-se à drenagem de água através de um sifão. Mais adiante, médicos indianos detectaram a doçura da urina a partir da observação de que havia maior concentração de formigas e moscas em volta da urina de pacientes, o que foi confirmado nos séculos XVII e XVIII, na Inglaterra, quando provaram efetivamente a urina de um paciente e a aqueceram até o ressecamento, constatando a presença de um resíduo açucarado, fornecendo evidências experimentais de que pessoas com diabetes eliminavam de fato açúcar pela urina. Em 1769 foi introduzido o termo mellitus (mel, em latim), caracterizando a urina abundante com odor e sabor de mel.

A partir de evidências de que o diabetes estava relacionado às células pancreáticas, levando a alterações à ação da insulina e/ou deficiência de sua secreção, puderam desenvolver tratamentos. O principal marco no tratamento do diabetes mellitus é a descoberta de insulina, em 1921. Foi extraída dos pâncreas de bovinos e suínos e possibilitou aos doentes uma sobrevida e qualidade de vida maior. Em 1955 surgiram as primeiras medicações orais. Desde então, novas drogas orais e injetáveis estão sempre surgindo no mercado. A partir da década de 1980, foi criada a insulina por DNA recombinante. Hoje, já possuímos inúmeros análogos de insulina humana. Atualmente, já dispomos da bomba de insulina, um aparelho do tamanho de um celular, com comando eletrônico, que envia doses de insulina continuamente de forma pré-programada. E já estamos no caminho para o desenvolvimento do pâncreas artificial.
Entretanto, mesmo com os avanços, observamos um número crescente de portadores da doença. Sabemos que hábitos e estilo de vida estão relacionados ao diabetes tipo 2. Segundo o Atlas do Diabetes 2015, realizado pela International Diabetes Federation (IDF), no mundo, um em cada 11 adultos tem diabetes (415 milhões); um em cada sete nascidos é afetado pelo diabetes gestacional; 542.000 crianças têm diabetes tipo 1; e a cada seis segundos uma pessoa morre devido ao diabetes. O IDF estima que, em 2040, um em cada 10 adultos terá diabetes (642 milhões). No Brasil, 14,3 milhões de pessoas têm diabetes (9,4% da população); 130.700 pessoas morreram devido ao diabetes; 30.900 crianças têm diabetes tipo 1; e estima-se que, em 2040, 23,2 milhões de pessoas terão diabetes.

Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), 2016. As informações não têm precisão científica, mas são indicadores quando comparadas aos anos anteriores. De acordo com a pesquisa, os hábitos dos brasileiros impactam no crescimento da obesidade e aumentam a prevalência de diabetes e hipertensão; mais da metade da população está acima peso; a obesidade cresceu 60% em dez anos: de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016; e houve um crescimento de 61,8% no número diagnosticados com diabetes: de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016.

Todos esses números reforçam a tendência para o crescimento do diabetes no mundo e a necessidade urgente de estratégias para combater as epidemias de obesidade e diabetes. São necessárias mais políticas públicas por parte dos órgãos de saúde para a conscientização sobre prevenção, mas também uma mudança de comportamento da população. Por isso, proponho uma reflexão sobre os seus hábitos e como o seu estilo de vida pode ser melhorado para o combate ao diabetes.

Assessora Médica do Grupo Hermes Pardini
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Jornal Belvedere

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