21 Aug, 2017 Última atualização em 4:31 PM, Aug 11, 2017

Hospital Nossa Senhora de Lourdes corta atendimento em alguns setores

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Redução da verba do SUS e dívida da gestão anterior da Prefeitura de Nova Lima colocam o hospital, que é referência para a microrregião com atendimento a 96% dos casos incidentes em Nova Lima, Raposos e Rio Acima, em situação crítica.

Com informações obtidas em uma reunião da diretoria executiva do Hospital Nossa Senhora de Lourdes de Nova Lima, o corpo clínico da instituição, que por sinal é independente, publicou uma carta aberta à população nova-limense, denunciando a situação alarmante do único hospital instalado no Centro da cidade.
O Nossa Senhora de Lourdes, que é referência para a microrregião, com atendimento a 96% dos casos incidentes em Nova Lima, Raposos e Rio Acima, recebia, em 2015, do Sistema Único de Saúde cerca de R$ 1,2 milhão por mês, realizando cerca 460 internações/mês, 17.700 exames/mês, 8.108 atendimentos de pronto socorro – cerca de 270 ao dia, 1.226 sessões de hemodiálise/mês e 1351 de fisioterapia.

Segundo a nota, no ano passado o valor foi reduzido para R$ 950 mil/mês sem sofrer cortes no atendimento à população. Para isso, precisou realizar cortes na folha de pessoal e fechou o ano com um déficit de aproximadamente R$ 3 milhões. A equipe médica, segundo a nota, chegou a aceitar a ficar sem reajuste de salários por dois anos, aceitando, inclusive, que valores de contratos fossem reajustados para baixo no intuito de não haver impacto no atendimento e em novas demissões.

Ainda segundo a nota, o valor foi novamente reduzido, dessa vez para R$ 800 mil/mês, além da dívida de R$ 4,400 milhões da gestão municipal anterior com o hospital. Os médicos alegam que também não receberam os valores referentes aos atendimentos de novembro e dezembro. E que durante a reunião da Administração da instituição com os médicos, definiu-se que o hospital precisaria interromper o atendimento de setores cujos gastos são mais impactantes, para manter-se aberto. A ideia inicial era fechar o Pronto Socorro Pediátrico e do CTI. Além só atender pacientes de urgência encaminhados pela UPA. Ou seja, o paciente em estado grave, enfartado ou ferido deverá se dirigir à UPA e ser encaminhado para o hospital.

Dívida milionária

No documento, os médicos informam que o prefeito Vítor Penido já se pronunciou que não há como manter e reajustar o valor de R$ 1,2 milhão do hospital, “em virtude da dívida milionária deixada pela administração anterior e pelo comprometimento da receita do Município com a folha de pagamentos, inchada pela mesma administração”.

E que entretanto, ele garantiu em reunião em seu gabinete com a Administração do Hospital, “que caso a Câmara de Vereadores concorde em reduzir o repasse absurdo da Prefeitura que é de 30 milhões/ano, que equivalem a R$ 250 mil por mês por vereador, para 10 milhões/ano, ou seja, R$ 83 mil por mês por vereador, a Prefeitura terá como manter e até mesmo reajustar o valor do Hospital e consequentemente o Hospital conseguirá manter o atendimento integral à população”.

Ou seja, a saúde, que é prioridade em qualquer governo, precisa convencer os vereadores de Nova Lima reduzir seus gastos com gabinete e outros, para não entrar em colapso total. Na nota, os médicos citam que a população, “ao contrário dos nossos políticos, não tem alternativa para sua saúde, exceto o Hospital Nossa Senhora de Lourdes”. E terminam alertando que “caso não haja êxito nesta negociação e não consigamos manter o CTI, a Pediatria e o PA em funcionamento, saibam todos que nós, médicos, tentamos o nosso máximo e que os políticos em quem a população votou e confiou terão as mãos sujas de sangue”.

Prefeitura esclarece

Em nota de esclarecimento, a Fundação Hospitalar Nossa Senhora de Lourdes informou que “em razão da interrupção de parte dos atendimentos desde a última terça-feira (03/01), a Prefeitura Municipal de Nova Lima esclarece que tem trabalhado incansavelmente para assegurar a qualidade de todos os serviços prestados à população”. E que a Administração Municipal está reestruturando sua base de atendimento primário e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com o objetivo de absorver mais de 70% da demanda do Pronto Atendimento da Fundação Hospitalar Nossa Senhora de Lourdes, que são de baixa complexidade.

Segundo a prefeitura, para 2017, “está previsto o repasse de subvenção à referida instituição no valor de R$ 9,610 milhões. Importante salientar que, de acordo com a pactuação entre o Estado de Minas Gerais e a Fundação Hospitalar Nossa Senhora de Lourdes, a instituição também recebe anualmente do SUS R$ 880 mil para o Pro-Hosp e R$ 2,400 milhões para a Rede Resposta.

E que a Prefeitura “já prepara a divulgação do edital para o credenciamento de hospitais que busca, a partir de um orçamento suplementar, reduzir a fila de espera por exames eletivos e cirurgias que há anos estão parados. Para que os repasses sejam cumpridos, a Administração Municipal encaminhou à Câmara de Vereadores a Lei Orçamentária Anual (LOA) 2017, que prevê a redução do repasse para o Legislativo de R$ 30 milhões para R$ 10 milhões. A medida visa investir os outros R$ 20 milhões em saúde e educação. Contudo, a Câmara, que já poderia ter analisado a LOA desde o ano passado, ainda não o fez.

Neste momento de extrema dificuldade financeira que Nova Lima enfrenta, a Prefeitura lamenta que questões políticas venham provocando sérias consequências à prestação de serviços essenciais, dos quais os cidadãos tanto necessitam, e reitera que as soluções para a crise passam necessariamente pela colaboração de todos” encerra a Nota de Esclarecimento.

Última modificação em Terça, 10 Janeiro 2017 16:29
Jornal Belvedere

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