23 Nov, 2017 Última atualização em 1:26 PM, Nov 13, 2017

Moradores mobilizados contra a instalação de crematório e velório no Vale do Sol

UNIÃO  | Lideranças de moradores do Vale do Sol procuraram o deputado Fred Costa e mostraram dispostção para impedir a construção de um crematório na principal avenida do bairro UNIÃO | Lideranças de moradores do Vale do Sol procuraram o deputado Fred Costa e mostraram dispostção para impedir a construção de um crematório na principal avenida do bairro
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Por Goretti Sena
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Empreendimento denominado Memorial Vale do Sol, que está sendo construído na principal entrada do bairro, a Quinta Avenida, já reconhecida pelas características gastronômicas na região.

Quem mora em uma área residencial gostaria de ter como vizinho um velório e um crematório? A pergunta feita pela dentista Valquíria Câmara, moradora do bairro Vale do Sol, Região Noroeste de Nova Lima, virou uma caixa de ressonância entre os demais residentes do local, que estão mobilizados e contrários à possibilidade de construção do empreendimento denominado Memorial Vale do Sol, que está sendo construído a “toque de caixa” na Quinta Avenida, principal acesso ao bairro e aos condomínios Quintas do Morro, da Patrimar Engenharia, Morro do Chapéu e Passárgada.

A possibilidade de instalação do crematório levou os representantes da Associação de Proprietários e Moradores do Residencial Vale do Sol (APREVS) a solicitarem ajuda ao deputado Fred Costa (PEN), na Assembleia de Minas, que por sua vez, já agendou para o próximo dia 12, uma reunião com o secretário de Planejamento de Nova Lima, André Rocha, e com o prefeito Vítor Penido, no intuito de indeferir o projeto através da negativa do alvará de funcionamento do empreendimento. Os moradores apontaram ao parlamentar dados ambientais e urbanísticos acerca do empreendimento, considerando ainda a mobilização comunitária contrária à instalação do empreendimento.

O estabelecimento, de aproximadamente 800 metros de área construída, está sendo erguido ao lado de restaurantes e de um diversificado comércio na região. De acordo com o Formulário de Caracterização do Empreendimento (FCE) emitida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMAD), ele está localizado em uma Unidade de Conservação (UC) de uso sustentável e de proteção integral protegida pela APA-Sul e também localizado em zona de amortecimento das Áreas de Proteção Ambiental da Estação Ecológica de Fechos. A descrição da atividade constante no documento é de um crematório com capacidade instalada de até 12 kg/dia (?). E o empreendimento ainda não possui licença ambiental, nem autorização de funcionamento emitida pelo órgão estadual, apenas uma licença simples, a Autorização Ambiental de Funcionamento (AAF).

Empreendimento trará problemas sociais, econômicos e ambientais

O presidente da Associação dos Condomínios Horizontais (ACH), Aloísio Pimenta de Portilho, também diretor de Meio Ambiente do Morro do Chapéu Golfe Clube, informou que os moradores do residencial são totalmente contrários à instalação do crematório, e que a Quinta Avenida é um logradouro lotado com nove restaurantes e por isso já é reconhecido pelas características gastronômicas na região. “Além disso, não ficaria bem uma funerária e um crematório na principal passagem para os condomínios Morro do Chapéu e Passárgada. A ACH apoia totalmente essa reivindicação dos moradores do Vale do Sol e atuará firmemente contra a concessão do alvará pela Prefeitura de Nova Lima”, alertou Portilho.

O diretor da APREVS, Luiz Fernando Diniz, ressaltou durante a visita ao gabinete do deputado Fred Costa na ALMG que a instalação de um crematório no Vale do Sol trará vários problemas de ordem social, econômica e ambiental para a região. “Primeiro, o aspecto econômico, pois nossos imóveis sofrerão enorme desvalorização. Quem vai querer adquirir um imóvel ao lado de um crematório?”, questionou. Depois, segundo Diniz, “pelo aspecto social porque a população não se sentirá à vontade em morar ao lado de velórios e se encontrar com cortejos fúnebres e com pessoas abaladas por suas perdas. E, também, pelo aspecto ambiental, pois de acordo com a descrição do empreendimento no cadastro de pessoas jurídicas, a mesma poderá exercer outra atividade que poderá contaminar todos os lençóis freáticos da região. Afinal, a água que usamos no Vale do Sol é de um grande lençol, o que é muito preocupante”, advertiu. Além disso, os moradores temem por serviços a serem realizados como limpeza de corpos e o chorume desses poder contaminar a água de fontes naturais.


O fotógrafo Cristiano Quintino, também diretor da APREVS, comunga das mesmas ideias de Luiz Fernando Diniz: “Há anos os moradores vêm lutando para transformar o Vale do Sol em um espaço gastronômico e os estabelecimentos ali instalados já são conhecidos pela excelência dos serviços e iguarias oferecidos. E que agora seria difícil para um cliente procurar por um restaurante ao lado de uma funerária e de um crematório. Isso iria acabar com a clientela gastronômica já conquistada no Vale do Sol”, alertou.

Fred Costa vê falhas e vai convocar Audiência Pública na Assembleia

O processo de instalação do crematório vem se arrastando desde o ano passado. Em maio de 2016, o então prefeito de Nova Lima, Cassio Magnani Junior, enviou uma declaração ao diretor da SUPRAM Central Metropolitana, Wagner da Silva Sales, informando que para “fins de formalização do processo de Licenciamento Ambiental junto ao Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM) que o tipo de atividade desenvolvida e o local de instalação do Memorial Vale do Sol Ltda., para a atividade de crematório com capacidade instalada de 12 kg/dia, localizado na Quinta Avenida, nº 436, está em conformidade com as leis e regulamentos administrativos do município”. E que todos os impactos ambientais decorrentes do empreendimento, causados na área de influência direta deverão ser minimizados pelo empreendedor.

Nas últimas semanas, as obras avançaram com rapidez e trouxeram mais preocupação aos moradores. Eles repudiam a instalação em si, no local totalmente residencial, e temem por outros serviços funerários que podem estar por trás da descrição da atividade principal, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), onde constam “atividades de administração de fundos por contrato ou comissão” e das atividades econômicas secundárias de “serviços de cremação, atividades funerárias e serviços relacionados não especificados anteriormente”.

O deputado Fred Costa declarou que o objeto social do empreendimento já fala por si, pois traz na certidão simplificada atividades de velório, crematório, administração de fundos e outras não especificadas. “A região será tomada por empresas prestadoras de serviços fúnebres e perderá sua caracterização. Além disso, o comércio local poderá sofrer perdas econômicas, uma vez que é tendência da população deixar de adquirir produtos naquele local para não se deparar com velórios e com o próprio crematório. Além disso, esse é um empreendimento que suscita dúvidas sobre como ocorreu o processo de licenciamento e quem autorizou o mesmo naquele local. Por esse motivo, já entrei com um pedido de audiência pública para ouvir e debater com os moradores sobre a instalação desse crematório no Vale do Sol e de uma visita técnica ao local”, informou Fred Costa.

Para Fred Costa, “a administração municipal anterior não levou em consideração para escolha do terreno, critérios ambientais e de uso da população. Não houve um estudo de impactos de vizinhança. E agora, o processo de licenciamento que está em andamento necessita ouvir primeiro os moradores e ser interrompido de uma vez pelo executivo municipal.”

A arquiteta Mônica Rohfs, outra moradora do Vale do Sol e integrante da APREVS, argumenta que as pessoas vieram para a região em busca de sossego e paz. “Nós escolhemos este lugar por ser bucólico, charmoso, porque queremos trafegar pelas ruas no vale da vida. A última coisa que queremos aqui é um crematório”, conclamou.

O outro lado

O JORNAL BELVEDERE tentou um contato com o empresário Felipe Chiste Dias, proprietário do Memorial Vale do Sol Ltda. – empresa lotada na Rua do Vale, no Vila da Serra -, nova denominação social da Master Agenciamento e Representações Ltda., através do número de telefone que consta no site da empresa. Porém o contato refere-se à Contabilidade Papyrus, prestadora de serviços da empresa, que não informou “não possuir o número de contato da empresa”.
O presidente da Área de Proteção Ambiental Sul (APA-Sul), Luiz Bendia também foi procurado para se posicionar e saber se o órgão foi comunicado sobre o empreendimento, mas o mesmo não foi localizado.

Última modificação em Terça, 10 Janeiro 2017 16:38
Jornal Belvedere

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