23 Nov, 2017 Última atualização em 1:26 PM, Nov 13, 2017

Vale do Mutuca promove abraço simbólico em defesa da natureza

Publicado em Meio Ambiente
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Moradores dos condomínios e ambientalistas defendem a instituição do Corredor Ecológico do Vale do Mutuca e temem pela implantação do empreendimento imobiliário Vila Castela II.

“Formalização do corredor ecológico do Vale do Mutuca, que tem uma importância ambiental que transcende a região. Se ele for interrompido por algum tipo de empreendimento, barreira ou até cerca, pode haver prejuízo de toda uma cadeia natural, já que isso atrapalharia a circulação de animais.” Este foi o argumento principal para a realização da caminhada ecológica e do abraço simbólico em defesa da preservação ambiental na região do Vale do Mutuca, localizada em Nova Lima, segundo o presidente da Associação Promutuca, Walmir Braga.

No último dia 18 de maio, moradores dos condomínios que estão na região do Vale do Mutuca e ambientalistas se reuniram para chamar a atenção para o reconhecimento e a institucionalização do corredor ecológico na ligação entre as bacias dos rios das Velhas e Paraopeba. O evento foi organizado pela Associação para Proteção Ambiental do Vale do Mutuca (Promutuca), com o apoio de entidades como o Movimento SOS Nova Lima, além dos próprios moradores do Vila Castela.

O corredor ecológico do Vale do Mutuca já existe na prática, mas ainda não foi reconhecido. Segundo a Associação, tramitam tanto na Câmara Municipal de Nova Lima quanto na Assembleia Legislativa de Minas Gerais projetos de lei, de autoria do deputado Fred Costa (PEN), que visam proteger legalmente o corredor ecológico.

Vila Castela II

Os moradores do Condomínio Vila Castela, por sua vez, temem a implantação do empreendimento imobiliário na área que ficou conhecida como Vila Castela II. Para eles, a preocupação é com o impacto ambiental, já que se trata de terreno de Mata Atlântica, em que circulam animais diversos, incluindo espécies em extinção.

“Nosso movimento é para a preservação da mata atlântica em 1 milhão de metros quadrados em estágios médio e avançado de regeneração. Não somos contra nenhum empreendimento por si, somos contra as ilegalidades ambientais e administrativas do projeto”, ressaltou o advogado João Batista Pacheco Antunes de Carvalho, presidente dos Conselhos do Vila Castela e membro do Promutuca.

Em entrevista á imprensa, advogado João Batista Pacheco Antunes de Carvalho, disse que o projeto que prevê o empreendimento chamado Vila Castela II tem uma série de problemas ambientais: “O Código Florestal proíbe a construção em área de preservação ambiental com declividade superior a 30% e esse é o caso de grande parte dos lotes pretendidos. Além disso, a Lei 6.766 (Lei do Loteamento) proíbe o parcelamento do solo quando o declive for superior a 47 graus, o que também ocorre em grande parte da área em questão”.

O outro lado

Também à imprensa, o advogado João Paulo Domenici de Britto, que representa os proprietários da área do chamado Vila Castela II, afirmou que o grupo é inteiramente favorável à manutenção do corredor ecológico, inclusive com a preservação da faixa de 30 metros das margens de rio.  O advogado ressalta que “a área do Vila Castela seria, entre os condomínios do Vale do Mutuca, a com maior zona de preservação ambiental e que pelo projeto não há possibilidade de que a divisão das propriedades prejudique o corredor ecológico, não respeitando o limite de 30 metros de preservação nas margens de rio”.

Ainda segundo o advogado João Paulo, o grupo de proprietários dos lotes reuniu documentos e fez um levantamento da Área de Preservação Permanente (APP) do Ribeirão do Mutuca, no trecho entre a estação de tratamento de esgoto do Vale do Sereno e do Vale da Mutuca. O relatório em questão sustenta que estudos realizados às margens do ribeirão, em faixa de no mínimo 30 metros, apontaram áreas de degradação, ocupações e desmatamento.

Jornal Belvedere

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