26 May, 2017 Última atualização em 2:06 PM, May 11, 2017

Abraço simbólico na Serra da Moeda em defesa das nascentes

Publicado em Meio Ambiente
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Ato defende as mais de 30 nascentes da Serra que servem de abastecimento direto para mais de 10 mil famílias que moram na região e toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte.  Também reivindica a criação do Monumento Natural Estadual da Mãe D’Água.

Moradores de condomínios do entorno da BR-356 em Nova Lima, Brumadinho e Itabirito, além de ativistas ambientais, esportistas e apaixonados pela natureza, participaram, no último dia 21 de abril, de um grande abraço simbólico na Serra da Moeda, em Brumadinho, ao lado do Restaurante Topo do Mundo. O ato, realizado pela décima vez, contou com a participação de 10 mil pessoas, segundo os organizadores, cobra preservação ambiental da Serra da Moeda e, principalmente, das nascentes do entorno, ameaçadas por grandes empreendimentos e pela exploração de minério, conforme ONG Abrace a Serra da Moeda.

“A Serra da Moeda atravessa oito municípios, mas a pior região de conflito está em Brumadinho, Itabirito e Nova Lima. A pressão vem das mineradoras e dos empreendimentos imobiliários. O importante seria que esta área seja declarada, pelo estado, Monumento Natural de Minas, a exemplo do que já ocorreu com o Monumento Natural Municipal Mãe D’Água, iniciativa de Brumadinho”, disse a Beatriz Vignolo, da ONG Abrace a Serra da Moeda. 

E é justamente este um dos principais motes da campanha: a criação do Monumento Natural Estadual da Mãe D’Água, que também cobra da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) responsabilidade sobre a segurança hídrica da região. As mais de 30 nascentes da região contidas na área do Monumento Natural Municipal da Mãe D’água, segundo ONG Abrace a Serra da Moeda, todas servem de abastecimento direto para mais de 10 mil famílias que moram na encosta do maciço, além de serem importantes na formação das bacias hidrográficas dos rios Paraopeba e Velhas, que distribuem água para toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

Coca-Cola

De acordo com Beatriz Vignolo Silva, uma das nascentes exploradas pela fábrica da Coca-Cola, localizada em Itabirito (região Central), teria secado. O manancial era responsável pelo abastecimento de mais de mil famílias que vivem na região. “Desde então a empresa envia quatro caminhões-pipa por dia a essas famílias para suprir a demanda de água. Nosso foco principal esse ano é reivindicar das autoridades que tomem providências com relação ao dano que já vem sendo suportado pela Serra da Moeda”, enfatizou.

Além da fábrica da Coca-Cola, outro empreendimento de grande impacto, segundo a ONG, seria o Complexo Residencial CSul, construído na Lagoa dos Ingleses.

CSul investe R$ 10 milhões em estudo hídrico na região

A direção da empresa CSul esclareceu que investe R$10 milhões em estudo inédito sobre disponibilidade hídrica na região da Lagoa dos Ingleses e destina 3 milhões e 200 mil m² para a implantação de uma Unidade de Conservação na Serra da Moeda.

A empresa ressalta que mantém “o compromisso de utilizar conceitos de sustentabilidade em todas as etapas de seu projeto. Para tanto, a CSul está desempenhando em uma iniciativa inédita no Brasil no segmento de desenvolvimento urbano, o Programa de Pesquisa e Monitoramento dos Recursos Hídricos na região da Lagoa dos Ingleses. A iniciativa visa quantificar previamente à implantação do projeto, a disponibilidade hídrica da região, garantindo tanto o uso racional dos recursos hídricos quanto sua conservação. Diante da criação de uma nova centralidade que propõe a implantação de um conjunto de bairros planejados que privilegiam a relação harmônica com os recursos naturais, a CSul aderiu a uma proposta do órgão licenciador para implantar um projeto que proporcionará maior conhecimento sobre os recursos hídricos em sua região de atuação”.

De acordo com o Presidente da CSul, Maury Bastos, mesmo sem obrigação legal, a empresa está investindo aproximadamente R$ 10 milhões para a realização desse estudo que consiste na perfuração de poços tubulares profundos, piezômetros, pluviógrafo automatizado com dados diários e uma rede de monitoramento de córregos, nascentes, poços e piezômetros composta por até 40 pontos.

A CSul também propõe a criação de uma Unidade de Conservação na Serra da Moeda que visa preservar o bioma da região, estimular o local como fonte de pesquisa científica e promover um destino turístico.

Coca-Cola busca soluções alternativas

Em nota, a Coca-Cola Femsa Brasil esclareceu que a operação em Itabirito possui, desde o início, todas as licenças ambientais exigidas para funcionar regularmente. Em relação ao abastecimento de água, a companhia informou que está trabalhando junto à Associação da Comunidade de Campinho, ao Serviço de Abastecimento de Água e Esgoto (Saae) e às prefeituras de Brumadinho e Itabirito para ajudá-los a encontrar soluções alternativas para o fornecimento de água aos moradores da região.

Ainda conforme a empresa, evidências técnicas, presentes em um estudo hidrogeológico iniciado em 2016, indicam que não há interferência dos poços do Saae Itabirito em relação à vazão das nascentes em Brumadinho. O Saae é a concessionária municipal que fornece água para a fábrica e possui outorga dos poços utilizados para abastecimento da região.

“Vale ressaltar que a fábrica da Coca-Cola Femsa Brasil, inaugurada em junho de 2015 em Itabirito, dispõe das mais avançadas tecnologias para otimizar os processos hídricos dentro das operações, com eficientes sistemas de reaproveitamento e reuso de água”, informou o documento.

Jornal Belvedere

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