26 Jun, 2017 Última atualização em 6:38 PM, Jun 23, 2017

Alerta de presença de lagartas venenosas no Vila da Serra

perigo | Na foto de Vanessa Greco, um monte de lagartas que “queimou” seu filho Gabriel perigo | Na foto de Vanessa Greco, um monte de lagartas que “queimou” seu filho Gabriel
Publicado em Meio Ambiente
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Uma criança de apenas seis anos foi queimada por uma lagarta venenosa no último dia 27 de maio, durante o Festival de Cervejas Artesanais, realizado no Vila da Serra.

O evento contava com um espaço Kids na Rua das Flores e por isso haviam várias crianças no local. A vítima foi encaminhada ao Pronto Socorro João XXIII, precisando ser internada com urgência, mas já está passando bem e recuperando em casa. Após o ocorrido foi verificado que havia uma árvore infestada por lagartas.

A criança é Gabriel, que após ser “queimado” pela taturana foi levado para o hospital pela mãe Vanessa Greco, onde recebeu o soro aplicado pela equipe de toxicologistas. “Parecia uma queimadura de panela quente. Fomos até o lugar em que ele estava brincando e vimos que a árvore em que ele encostou estava com a base tomada por amontoados de lagartas”, disse Vanessa Greco à imprensa.

Bombeiros civis que estavam no local identificaram a lagarta, removeram os  insetos e isolaram a área. Ednildo de Alcântara Machado, professor do Departamento de Entomologia Médica do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF) da UFRJ, explica que “quando ocorre um desequilíbrio no meio ambiente, e estas lagartas se reproduzem rapidamente. Portanto, é preciso que os departamentos de Zoonose das cidades acompanhem a ocorrência dos casos para entender o motivo do aumento dos acidentes “.

Diante da gravidade do fato, o vereador por Belo Horizonte, Álvaro Damião, que estava presente ao evento, encaminhou um ofício à Secretaria de Assuntos Institucionais e à Secretária de Saúde pedindo vistorias com urgência na região para combater a infestação das lagartas venenosas no local, para que a sociedade não corra risco. Apesar de não ser de jurisprudência da Regional Centro Sul de BH, por ser o bairro pertencente ao município de Nova Lima, as autoridades de zoonose disseram que enviariam o comunicado à Prefeitura da cidade responsável.

Queimaduras podem ocasionar problemas sérios

As lagartas dos gêneros Lonomia e Podalia, comuns no Brasil, causam queimaduras na pele e podem ocasionar problemas ainda mais sérios. Conhecidas popularmente como lagartas de fogo ou taturanas, estas larvas têm diversas especificidades importantes.

O soro antilonômico, usado exclusivamente para combater a intoxicação causada pela lonômia, é produzido a partir do sangue de cavalos, informa o Instituto Butantan, produtor nacional da solução. Por ser baseado em equinos, o soro pode ser rejeitado pelo paciente, provocando choque anafilático, parada respiratória e cardíaca. Contudo, índices do Butantan apontam que estas reações são incomuns. Após a aplicação da solução, deve-se permanecer em observação no hospital por no mínimo 24 horas.

O professor do Departamento de Entomologia Médica do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF) da UFRJ, Ednildo de Alcântara Machado explica que esse tipo de inseto atinge outra fase da vida ao se transformar em lagarta. “A lagarta de fogo é a fase larval da mariposa. O ciclo de vida da mariposa é formado por quatro etapas: ovo; larva ou lagarta (período no qual ela come muito e fica cerca de 20 ou 30 vezes maior do que era no momento da eclosão do ovo); pupa (fase parecida com o casulo da borboleta); e, finalmente, inseto adulto, que não oferece perigo”, esclarece o professor.

Atualmente, o Sudeste é a região brasileira que apresenta maior incidência de acidentes com taturanas. Elas também são encontradas no norte do Paraná e no Mato Grosso. Seu ambiente de vida é tipicamente rural, pois elas se alimentam de folhas, e, nesta fase da vida, precisam de muito alimento para se desenvolver.

Lagartas que oferecem risco de queimaduras normalmente apresentam em seus corpos estruturas externas que podem se assemelhar a pinheiros natalinos ou pêlos. De acordo com o professor Ednildo de Alcântara Machado, estas estruturas contêm toxinas que causam as feridas na pele.
Estas lagartas têm cerca de 4,5 a 5,5 centímetros de comprimento, com as cores de fundo que variam de verde ao marrom.

Jornal Belvedere

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