25 Sep, 2017 Última atualização em 4:59 PM, Sep 12, 2017

Moradores protestam contra construção de hospital na Serra do Curral

novo hospital | O antigo prédio do Instituto Hilton Rocha sofrerá expansão para dar lugar a um novo estabelecimento que, segundo moradores, ameaça a preservação da Serra do Curral novo hospital | O antigo prédio do Instituto Hilton Rocha sofrerá expansão para dar lugar a um novo estabelecimento que, segundo moradores, ameaça a preservação da Serra do Curral
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Grupo realiza abraço simbólico em defesa e preservação da Serra do Curral. Movimento Amigos da Serra do Curral entrou com ações na Justiça para impedir instalação de um hospital de grande porte no lugar do antigo Instituto Hilton Rocha.

No final de junho, moradores do Mangabeiras e integrantes do Movimento Amigos da Serra do Curral realizaram um protesto, na Praça do Papa, contra a construção de um hospital nas antigas instalações do Instituto Hilton Rocha. Para os defensores a Serra do Curral está ameaçada e luta é uma tentativa de salvá-la, já que o local faz parte do Patrimônio Mundial tombado pela UNESCO chamado Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço.

A moradora do Mangabeiras e integrante do Movimento Amigos da Serra do Curral, Carla Castro explica que a Serra do Curral foi tombada por Lei Federal em 1960 e eleita o símbolo de Belo Horizonte em 1995. Em 2005, foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade por compor a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, é um patrimônio paisagístico, natural, histórico e cultural da cidade, que precisa ser preservado para as atuais e futuras gerações. “Além disso, a Serra do Curral é importante Corredor Ecológico, pois dele dependem o equilíbrio ambiental da área que se estende desde a Serra do Rola Moça até a Serra da Piedade”, ressalta Carla Castro.

No lugar do antigo Instituto Hilton Rocha, que era uma clínica oftalmológica, está projetada a implantação de um hospital de grande porte cuja área será aumentada em 105%, evidenciando-se que não se trata de apenas uma simples reforma, mas de uma nova construção.

A aprovação desta obra como sendo uma “reforma” pela Prefeitura de Belo Horizonte, possibilitou que a obra ocorresse sem o prévio Estudo de Impacto Ambiental (EIA), requerido para todo empreendimento em Zona de Preservação Ambiental (ZPAM). “Estudos biológicos enfatizam a importância da conservação deste corredor ecológico, que possui inclusive espécies ameaçadas de extinção, porém o empreendimento hospitalar estrangulará essa área, impactando a delicada e rica biodiversidade da região em um raio de três quilômetros”, conta Carla Castro.

A moradora explica que o relatório geológico entregue para o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) destaca o alto risco de contaminação do aquífero (verdadeira caixa d’água de BH) e possibilidade expressiva de deslizamento de rochas, pois os estudos atestam a instabilidade do terreno. Diversos movimentos ambientalistas e várias associações de bairro apoiam a causa da preservação da Serra do Curral e seu entorno.

Danos irreversíveis

“O meio ambiente saudável é fonte de saúde e equilíbrio para o ser humano e isso já foi comprovado através de estudos científicos e pauta de inúmeras conferências ao redor do mundo.  Os hospitais são essenciais à nossa sociedade, porém devemos também nos preocupar com a prevenção de doenças proporcionada por um ambiente saudável, com a dignidade humana e o direito das futuras gerações a um ambiente saudável e preservado”, ressalta a moradora.

Carla Castro afirma que existem na Região Metropolitana de Belo Horizonte diversas áreas mais eficientes para a instalação de um hospital. E a sociedade de BH tem interesse em ajudar o hospital na definição desta área. “A implantação do hospital na Serra do Curral gera danos irreversíveis. Já a instalação do hospital em uma área propícia e mais acessível para a população não gera danos irreversíveis, nem para o hospital, nem para a Serra do Curral”.

Os Ministérios Públicos, Estadual e Federal, baseados em várias leis ambientais que protegem o patrimônio tombado, apoiam a devolução da Serra do Curral à natureza e recomendam que a área seja recuperada. “Nós criamos um movimento chamado Amigos da Serra do Curral, fizemos uma fanpage no facebook e também um vídeo onde expomos esse problema. Vários eventos já foram realizados para conscientizar a população, porém somos pequenos diante o capital dos empresários. Esta questão é urgente, pois existem dois processos na Justiça e as obras podem começar a qualquer momento”, aponta Carla Castro.

Jornal Belvedere

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