21 Sep, 2017 Última atualização em 4:59 PM, Sep 12, 2017

Moradores acuados diante da inexistência de um plano de mobilidade

Publicado em Trânsito
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A cada acidente na região e até mesmo no Anel Rodoviário, moradores, estudantes e trabalhadores do Belvedere e Vila da Serra ficam preocupados com a situação caótica no trânsito que têm que enfrentar.

Mais uma vez um acidente no Anel Rodoviário, na manhã do dia 6 de fevereiro, reacendeu o alerta para alguns moradores da Região do Belvedere sobre os impactos causados pelo trânsito. Os relatos de moradores revoltados com o tempo gasto para sair ou chegar ao bairro e ao vizinho Vila da Serra - alguns levaram exatamente 50 minutos para chegar do bairro Santa Lúcia, no Ponteio, até o trevo do BH Shopping - culminaram em algumas medidas pontuais que necessitam atenção especial por parte do poder público. Os moradores se veem acuados diante da inexistência de um plano de mobilidade e anteveem problemas piores num futuro próximo em relação à ocupação instalada de alguns edifícios em construção na localidade.

Uma dessas preocupações é com o Edifício Concórdia que está em fase de construção na Alameda Oscar Niemeyer. Considerado o maior edifício de Minas Gerais, com investimentos da ordem de R$ 350 milhões, o Concórdia Corporate tem 43 andares, 170 metros de altura e ocupa uma área de mais de 7.600 m², onde funcionava, até 2012, o Chalezinho. O empreendimento terá oito andares de estacionamento e trinta pisos comerciais. E, com a previsão de entrega da obra para esse ano, surge então como uma preocupação maior por parte dos moradores com relação aos impactos no trânsito, uma vez que serão 800 vagas de garagem.

Saídas do bairro

Resultado de uma parceria entre a construtora Caparaó, Codeme Engenharia e a norte-americana Tishman Speyer, o mega e imponente edifício de estrutura metálica e vidro azul está fincado em uma área de ocupação bastante heterogênea e com a presença de grandes edifícios. “A edificação está ao lado de três grandes hospitais, uma universidade, de um intenso comércio, diversificada área gastronômica e encostado a uma rodovia, que por si só já é um grande problema”, exclama a moradora do Belvedere, Beatriz Guimarães, que adquiriu um imóvel comercial na região.  Para a advogada, o empreendimento além de interferir na paisagem da Serra do Curral será responsável por consequências no trânsito e no meio ambiente.

Para o Tradutor Público, e também diretor presidente da Associação Villa Monteverde e vice-presidente da recém criada “União de Condomínios e Associações do Vila da Serra, Vale do Sereno, MG-030 e Região” (UniViva), Paulo Barbosa, não houve um adequado estudo prévio de impacto de vizinhança. “Não adianta o arquiteto fazer uma planta sem olhar para o entorno. De sua mesa em um escritório em São Paulo, Nova York ou de qualquer outro lugar é possível a concepção de projetos belíssimos. No entanto, o mais importante é conhecer a região, suas peculiaridades, vir no local a ser construído e ouvir o morador”, destacou.

Paulo Barbosa argumenta que “em todos os edifícios construídos na região não há sequer uma vaga destinada ao visitante. E, no caso do Concórdia ele está construído em uma das duas saídas do bairro.  As soluções não são pensadas antes. Primeiro, são feitas as construções e após criado o problema as empresas correm atrás de medidas compensatórias. É preciso que as soluções sejam apontadas na fase do projeto”, destacou.

Exemplificando a situação do trânsito que se forma na região durante vários horários do dia, Paulo Barbosa citou que em 2004 a sua esposa gastava exatos dois minutos para chegar até à Fundação Torino, onde era professora. E que em 2014, em seu último ano na escola, eram gastos mais de 40 minutos da Villa Monteverde até à instituição.

No caso do trânsito nesse ponto específico ele argumenta que trata-se de um problema instalado na divisão de dois municípios, que nem é “empurrado, mas sim ignorado”. Para ele, não existe a vontade de identificar soluções imediatas como a inversão de mãos na via em horário de pico ou a criação de um itinerário específico para acesso à escola. “De um lado deparamos com o congestionamento no acesso à Fundação e ao Belvedere. Do outro, com um mega empreendimento na encosta de uma rodovia e um trevo saturado pelo trânsito local. E mais à frente, no trecho entre o BH Shopping e o Pontilhão, que não é terra de ninguém, pois o DER não reconhece como de sua jurisdição, o problema ainda se agrava. Há o afunilamento de carros nos dois sentidos. Próximo ao trevo, a inexistência de semáforo e quebra-molas tem o argumento de ser indevido por ser uma rodovia. E enquanto isso, nenhuma solução é apresentada. É uma situação inconcebível para uma cidade com 3 milhões de habitantes que ainda não possui um transporte público adequado, como o metrô, e que se depara com outro problema maior na divisa de Nova Lima, quando já antevemos veículos sendo despejados na Alameda”, finalizou.

OUTRO LADO

O JORNAL BELVEDERE tentou vários contatos com a Tishman Speyer, para saber sobre algum projeto específico para a região, sem obter retorno. A empresa que é uma das principais incorporadoras, proprietárias, operadoras e gestoras de imóveis de alto padrão do mundo, chegou a enviar uma nota em novembro de 2016, quando da edição do Caderno Especial Mobilidade, informando que “em resposta ao questionamento relativo ao trânsito na região onde está sendo construído o Concórdia Corporate, uma empresa especializada foi contratada para analisar a questão. Foi elaborado um projeto que simula o cenário do tráfego no entorno, propondo melhorias, durante a operação do empreendimento. No momento, o documento está em aprovação junto aos órgãos públicos responsáveis.”  O projeto até o momento não foi apresentado ao JORNAL BELVEDERE para uma análise juntamente com os moradores. A expectativa é que realmente o estudo contemple todas as demandas de tráfego e trânsito no local.

O projeto do edifício Concórdia foi aprovado pela Prefeitura de Nova Lima, o que declara que a edificação está em conformidade com as leis e os regulamentos administrativos do município. O empreendimento também recebeu parecer favorável de vários órgãos para a tramitação do processo de licenciamento ambiental junto a SUPRAM Central. Dentre eles o Instituto Estadual de Florestas (IEF), Fundação de Parques Municipais de Belo Horizonte, Secretaria de Trânsito de Nova Lima, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Apa-Sul, Parque do Rola Moça e Copasa.

Jornal Belvedere

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