Presença de torres de telefonia celular tem causado preocupação aos moradores

Publicado Quarta, 10 Julho 2019 16:39

A cientista e pós-doutora Adilza Condessa Dode alerta que os limites de radiação permitidos no Brasil nas Estações de Rádio Base (ERBs) estão acima de vários países do mundo. No próximo dia 16 de julho, a OAB-MG vai debater o assunto, já que vários edifícios em BH estão recusando a instalação dos equipamentos por pressão dos moradores temerosos pela radiação e pela desvalorização do imóvel.

No próximo dia 16 de julho, a  OAB-MG irá realizar um evento para discutir os “Problemas com a locação de torres de telefonia e o direito à saúde”, com a participação da cientista e pós-doutora Adilza Condessa Dode, que é moradora do Belvedere, da doutora e especialista Daniela Tonholli e do advogado Kênio Pereira, especialista em Direito Imobiliário. Na ocasião, Adilza Dode fará um alerta sobre os limites de radiação permitidos pela Anatel que estão muito acima dos praticados em vários países do mundo.

Em sua coluna no Jornal O TEMPO, o advogado Kênio Pereira disse que “diante da divulgação de estudos sobre os riscos da radiação eletromagnética emitida pelas antenas de telefonia e pelas estações de rádio- base, que apontam para o aumento da incidência de diversas doenças, entre elas os cânceres, inúmeras pessoas têm evitado permanecer no entorno desses equipamentos”.

Ainda segundo Kênio, vários condomínios já “se arrependeram de alugar o telhado do prédio para instalar antenas, pois, além do risco à saúde, com o passar dos anos, os aluguéis se tornaram irrisórios”. Para Kênio Pereira, “além de receberem aluguel bem abaixo do preço de mercado, os locadores têm tido o dissabor de verem os apartamentos, casas e lojas encalharem, pois quase ninguém se arrisca a morar ou a trabalhar debaixo ou nas proximidades do alcance da radiação que é emitida durante 24 horas.”

Nos últimos meses este tema tem sido bastante debatido por um grupo de moradores na região, já que algumas empresas de telefonia estão procurando instalar antenas em edifícios para ampliar a sua capacidade de ofertas de serviços.

A instalação dessas antenas de telefonia celular na região já foi motivo de várias batalhas no Belvedere. O ex-presidente da Associação de Moradores do Bairro Belvedere (AMBB), Bruno Gorini, lutou exaustivamente contra a instalação de uma antena na área de um hospital no bairro. Depois, em 2011, outro presidente de associação, Ubirajara Pires, procurou os vereadores para propor regras mais restritivas para a instalação das Estações de Rádio Base (ERBs). Na época, ele questionou que a aprovação da licença de funcionamento das antenas não passava pela população e esta era avisada quando a ERB já estava pronta. O Belvedere possui 46 ERBs, elas ocupam as coberturas que são alugadas pelas operadoras.

Um outro caso aconteceu no Condomínio Vila do Conde, onde uma antena seria instalada em um lote. Uma moradora proprietária de um terreno vizinho, na época acionou a prefeitura e conseguiu na Justiça impedir a instalação da mesma.

Radiação fortalece risco de câncer

Adilza Dode é proprietária da MRE Engenharia e realiza medições em apartamentos e casas para verificar a presença de radiação. Recentemente, ela recebeu do governo da Suíça o reconhecimento de seu trabalho, por apresentar o estudo mais contundente no assunto. Segundo ela, devido ao uso crescente da tecnologia sem fio, a exposição ambiental à radiação de Rádio Frequência tem aumentado, mas não há estudos sistemáticos de exposição ambiental. A MRE Engenharia, Medição de Radiações Eletromagnéticas vem realizando, desde 2000, medições destas radiações em ambientes ocupacional e de público em geral, principalmente, dentro das residências, escolas, áreas hospitalares, nos edifícios e em qualquer local onde estão instaladas as antenas transmissoras de telefonia Celular.

Segundo esclareceu Adilza Dode, a exposição à radiação por radiofrequência (RF) foi classificada em 2011 como um possível carcinógeno humano, o Grupo 2B, pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer da Organização Mundial de Saúde. “A evidência do risco de risco de câncer, desde então, se fortaleceu. A exposição está mudando devido ao rápido desenvolvimento da tecnologia, resultando em aumento da radiação ambiente. A radiação de Rádio Frequência de intensidade suficiente aquece os tecidos, mas a energia é insuficiente para causar ionização, por isso, é chamada de radiação não ionizante. Estes níveis de exposição não térmicos resultaram em efeitos biológicos em humanos, animais e células, incluindo um risco aumentado de câncer.”

Pesquisas

Embasada por suas pesquisas e artigos científicos já publicados, ela informou que o Programa Nacional de Toxicologia (NTP) do National Institute of Health (NIH) dos EUA divulgou um relatório em 2016, que mostrou um aumento da incidência de glioma no cérebro e schwannoma maligno (um tipo de tumor) no coração, em até 2 anos, em ratos irradiados com RF. “Esses achados apoiam estudos epidemiológicos em humanos sobre o risco de tumores cerebrais e fortalecem a associação entre radiação de RF e câncer (WYDE et al., 2016).

Resultados recentes do estudo NTP mostraram genotoxicidade da radiação RF em ratos e camundongos (SMITH‑ROE et al., 2017). Este resultado suporta várias descobertas anteriores de quebras de cadeias de DNA em células cerebrais de ratos expostas à radiação de RF, como publicado pela primeira vez por Lai e Singh (LAI H and SINGH NP, 1997). A radiação de RF leva ao estresse oxidativo em sistemas biológicos, incluindo o cérebro, devido a um aumento de radicais livres e mudanças nos sistemas de defesa antioxidante”, ressaltou, citando trechos de artigos científicos.

Adilza explica que o estudo Programa Nacional de Toxicologia - NTP – “fortaleceu bastante as evidências de risco de câncer e reafirma que existem evidências científicas suficientes para reclassificar a radiação do telefone celular como agente carcinogênico no Grupo 1, de acordo com a classificação do IARC. Confirma que os atuais limites de segurança pública baseados apenas nos efeitos térmicos são inadequados e não nos protegem contra os efeitos prejudiciais à saúde associados (CARLBERG M and HARDELL L, 2017; HARDELL L. and CARLBERG M., 2013)”, disse a pesquisadora, citando as publicações existentes.

A MRE Engenharia faz medições em todos os cômodos de uma residência e onde houver o menor nível de radiação a empresa indica para que seja o quarto da criança, ou de um casal. “A maior parte do tempo é geralmente gasto no quarto. Analisamos todos os cômodos dos imóveis e fornecemos o Laudo Radiométrico, com certificado de calibração dos aparelhos utilizados. Nosso laudo é embasado em estudos científicos recentes e comparamos com os padrões da ANATEL e com outros países onde os limites de exposição humana são bem inferiores aos limites adotados em Legislação Brasileira”, explica Adilza Dode. 

A MRE realiza também medições das radiações eletromagnéticas de baixas frequências para os moradores no entorno das linhas de transmissão de alta tensão e no entorno das subestações de energia elétrica.

As preocupações com a chegada da tecnologia 5G

Com relação à tecnologia 5G que vem para aumentar a velocidade de dados, Adilza Dode explica que ela vai necessitar de milhares de antenas espalhados pela cidade. “A frequência do 5G está na faixa de 3,6 gigahertz. Para se ter uma ideia, o forno de micro-ondas residencial é de 2,6 GHZ. Portanto, podemos imaginar que nossa saúde, a saúde de nossas crianças, dos idosos, enfim, de toda a humanidade, das plantas, dos animais e das abelhas principalmente será afetada”, alertou. Ainda segundo Adilza, “com a chegada do 5G chega também a sexta extinção dos seres vivos na Terra. Há países que estão fazendo os testes com o sistema do 5G. A TIM está testando o sistema, em Santa Catarina, e a Oi, em Búzios, no Rio de Janeiro. No entanto, a Suíça retardou a chegada do 5G em 2018, considerando, principalmente, o nosso estudo de Belo Horizonte: ‘Mortalidade por Neoplasias e a Telefonia Celular em Belo Horizonte’, doutorado realizado na UFMG e publicado na revista científica internacional Science of the Total Environment, com a orientação da professora Dra. Mônica Maria Diniz Leão, da UFMG”, informou.

Ela comenta que a China procura países parceiros para a implantação do 5G, mas que os Estados Unidos não liberaram a implantação deste sistema, “pois não há barreira para estas radiações eletromagnéticas. Elas invadem nossos lares, nossos locais de trabalho, nosso corpo; elas são capazes de roubar os arquivos secretos de qualquer governo”, esclareceu.

Para Adilza Dode o correto seria fazer os estudos antes da implantação, e não depois que o sistema estiver sido implantado. “Solicitamos que o nosso governo não libere este sistema de tecnologia 5G aqui no Brasil. Precisamos de nos preocupar com a nossa saúde e segurança em primeiro lugar. No entanto, os presentes resultados das pesquisas mostram que a solução mais segura é desligar permanentemente e desmontar as Estações de Rádio Base”, ressaltou.

Inúmeros trabalhos publicados sobre a incidência de câncer no entorno das antenas transmissoras do sistema de TC (Telefonia Celular) podem ser acessados através do site da empresa www.mreengenharia.com.br. Ou através do telefone (031) 3286-7315.

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