Com a palavra, Padre Alexandre Fernandes, o sacerdote das multidões

Publicado Sexta, 09 Março 2018 18:24

ENTREVISTA / Padre Alexandre Fernandes/ Pároco da Igreja Nossa Senhora Rainha.

As milhares de pessoas que frequentam as missas e diversas atividades da Paróquia do Belvedere credenciam o pároco da Igreja Nossa Senhora Rainha como um dos líderes mais respeitados da região. Além do intenso trabalho junto às pastorais e comunidade, o evangelizador Padre Alexandre de Oliveira trabalha pela implantação da Igreja Bom Jesus do Vale, no Vale do Sereno.

Quando ele chegou à Paróquia Nossa Senhora Rainha, em 1998, as missas eram frequentadas, costumeiramente, por cerca de 25 famílias distribuídas pela igreja ainda em obra. Aos poucos esta situação foi se alterando.E hoje, as multidões de pessoas que assistem  às missas com regularidade, além das inúmeras atividades da Paróquia do Belvedere, não lembram em nada o passado. O Belvedere, sem dúvida, cresceu e aumentou seu tamanho, mas ninguém deixa de lembrar, em nenhum momento, o trabalho desenvolvido por padre Alexandre Fernandes de Oliveira.

Padre Alexandre tem seu trabalho reconhecido pelo incentivo à formação de novas pastorais e de novos ministérios de música, além da iniciativa para realização de diversas obras. Entre elas, podemos destacar obras de melhoria na Igreja Nossa Senhora Rainha, tais como a ampliação do ambulatório médico e odontológico, a correção da acústica, a construção de novas salas e a ampliação de espaços para evangelização. Além de todas as benfeitorias, que tornaram a Igreja uma das mais modernas de BH, o sacerdote comanda o Programa Vai na Fé, veiculado na TV Horizonte, idealizado por ele, a Rádio Belvedere FM, que funciona na frequência 87,9 e mantém um jornal, destinados aos fiéis.

Mas, o Padre Alexandre não para. No seu currículo estão ainda os trabalhos de capelão do Hospital Biocor, de assessor pastoral do Colégio Magnum Agostiniano e de professor de História do Cristianismo na PUC-Minas. De 2005 a 2007, ele foi também vice-chanceler da Arquidiocese de Belo Horizonte.

Natural da cidade de Abre Campo (MG), Padre Alexandre vem de uma família católica e foi ordenado padre aos 24 anos. Iniciou seu trabalho na igreja Nossa Senhora Consolação, no bairro Santo Agostinho e após quatro anos foi transferido para o bairro, onde adquiriu a confiança das inúmeras famílias belvederianas.

Por onde caminha, instituições reverenciam a atuação e o dinamismo do pregador das boas novas. Depois de receber o título de cidadão honorário de Belo Horizonte, agora ele será condecorado com esta mesma honraria pela Câmara Municipal de Nova Lima, por iniciativa do vereador Álvaro Azevedo. Um reconhecimento à obra mister desenvolvida por ele, agora também para a implantação da Igreja Bom Jesus do Vale.

Neste momento de violência nas cidades e no mundo, diante da intransigência e intolerância das pessoas, nada melhor do que compartilhar dos pensamentos de um sacerdote, que durante estas últimas décadas, tem transformado a região do Belvedere e Nova Lima em um ambiente de paz. O JORNAL BELVEDERE foi ouvi-lo:

JORNAL BELVEDERE: Como o senhor recebeu o chamado de Deus para assumir o sacerdócio?

PADRE ALEXANDRE FERNANDES: Sou o filho mais novo de oito irmãos, vindos de uma família profundamente católica em Abre Campo (MG). Nossa casa, na infância, ficava ao lado da igreja que frequentávamos semanalmente. Eu gostava de levar livrinhos para ficar lendo dentro da sacristia e ajudar a fazer as hóstias para a missa. Por isso minha vocação é antiga: tive certeza desse chamado desde a primeira confissão, na primeira eucaristia, aos 7 anos de idade. Com apenas 12 anos fui encarregado pelo pároco para coordenar o grupo de jovens da comunidade e, a partir de então, trabalhei em direção ao caminho na Igreja Católica. Após concluir o ensino médio, já em BH, estudei História e decidi entrar para o seminário. Passei um ano em Bragança Paulista (SP), onde fiz o noviciado (que é o período da formação de um religioso que precede a emissão dos votos), e logo depois voltei a BH para o curso de teologia.

JB - Como se deu a sua vinda para o bairro Belvedere?

Padre Alexandre - Fui ordenado padre aos 24 anos e dei início a carreira na igreja Nossa Senhora Consolação, no bairro Santo Agostinho (BH). Comecei como diácono e, logo depois, fui designado pároco. Fiquei nessa comunidade por quatro anos. Em seguida, fui transferido para a paróquia Nossa Senhora Rainha, onde cheguei em 1998, para ficar um ano. Estou nela desde então. Cerca de 25 famílias frequentavam a Nossa Senhora Rainha no fim da década de 1990 e hoje nossa comunidade se alegra por receber mais de sete mil pessoas apenas nas atividades do fim de semana. Desde o início, quis construir laços com as pessoas que estavam aqui, buscando a confiança das famílias. Procurei visitar as casas, aumentar gradualmente o número de missas, incentivar e multiplicar as atividades.

JB - Como está constituída a Igreja Nossa Senhora Rainha hoje, pastorais, voluntários, grupos de trabalho, missas, número de fiéis? A estrutura da igreja em si.

Padre Alexandre - A comunidade hoje conta com a dedicação de dois padres: estou à frente como pároco e, no final de 2017, tivemos a chegada do padre Arnaldo Cézar, nomeado vigário paroquial – ou seja, cooperador dos trabalhos desempenhados. Quanto aos grupos, a igreja possui cerca de 30 pastorais, que se desdobram em suas atividades e frentes de atuação. Trabalhamos aqui com o incentivo à formação de novos movimentos e no diálogo com as mais diversas realidades: infância e juventude, maturidade, sobriedade, formação humana e espiritual, grupos de oração, liturgia, acolhida, saúde, ação social, entre outros. Ao todo, a paróquia conta com a participação de 800 voluntários que se dedicam de uma forma muito bela e comprometida com os serviços prestados. A Pastoral Social, por exemplo, organiza-se em 11 grupos de voluntários, cada grupo apoiando um projeto específico, com atividades realizadas em comunidades e aglomerados de Belo Horizonte e da Região Metropolitana da cidade. Em relação as missas, temos hoje celebrações diárias (exceto na segunda-feira): terças, quartas e quintas-feiras sempre às 19h15; sexta-feira, às 15h00; sábado, às 12h10; e, aos domingos, dispomos de cinco horários de missa: 8h30, 10h30, 12h00, 17h45 e 19h30. Quem quiser fazer parte da paróquia como voluntário ou então acompanhar nossa programação, pode acessar o site da igreja: www.nsrainha.com e se informar melhor. A Comunicação é um ponto forte da nossa comunidade e hoje temos um grupo de profissionais contratados que mantêm todo o trabalho de divulgação interno e a criação de programas para TV católicas.

JB - Como o senhor vê a participação dos jovens dentro da comunidade? E como é seu trabalho junto a eles?

Padre Alexandre - Crianças e jovens são parte significativa dos fiéis da comunidade de Nossa Senhora Rainha. Aos domingos, enquanto os pais acompanham as celebrações, os pequenos de 2 a 8 anos ficam no Cantinho do Céu, espaço em que brincam, desenham e aprendem histórias e princípios bíblicos. Aos 8 e 9 anos eles podem frequentar a catequese infantil. A partir dos 10 anos eles também têm seu espaço para rezar, estudar a fé e se relacionar com colegas nas atividades voltadas para crianças, adolescentes e jovens adultos. Essas atividades formam o grupo de jovens Fanuel, criado há 17 anos com o propósito de ser feito por jovens e para jovens. Os encontros são organizados por 120 voluntários e reúnem cerca de mil fiéis semanalmente, nos grupos de Perseverança, Crisma, Grupo de Oração e Formação Fanuel (GOFF), Master, Intercessão Jovem e Acorda Meu Filho (social). Os pais que quiserem inscrever seus filhos nas atividades, podem entrar em contato com nossa secretaria paroquial.

JB - Como o senhor vê a questão da violência dentro das cidades e no mundo? O que está faltando para as pessoas e o que pode ser feito? 

Padre Alexandre - Infelizmente a violência está presente em vários segmentos da sociedade. Seja na rua, dentro de casa, pela condição social, nos meios de comunicação e até na intolerância das palavras. Precisamos de políticas públicas para nos ajudar a superar e assegurar os direitos fundamentais que as pessoas têm. A Igreja proclama, com a convicção de sua fé em Cristo e com a consciência de sua missão, que a violência é um mal, é inaceitável como solução para os problemas e não é digna do ser humano. O tema da Campanha da Fraternidade 2018, que trata sobre a questão da violência principalmente contra a juventude, pretende advertir, por exemplo, que a violência nunca constitui uma resposta justa. É preciso olhar a realidade, iluminá-la com a luz da palavra de Deus e do magistério da Igreja e, por fim, agir sobre ela, transformando-a.

JB - Como está a construção da igreja Bom Jesus do Vale? Como se dá a participação dos fiéis?

Padre Alexandre - Atualmente, as missas são feitas em uma construção provisória, mas com capacidade para cerca de 600 fiéis. O terreno, de 5 mil metros quadrados, foi doado pela Vale do Sereno Empreendimentos Ltda. há quatro anos, e é onde será construída a capela definitiva. O projeto é de autoria do arquiteto Gustavo Penna e já está protocolado na Prefeitura de Nova Lima. A Bom Jesus do Vale, que já se consolidou como um local de fé, oração, comunhão e confraternização, surgiu em função do crescimento populacional da região e da preocupação com a mobilidade das pessoas que ali residem. A comunidade conta atualmente com uma grande equipe de voluntários, que se dedicam com muito carinho ao crescimento e à construção da “Igreja Viva”, para que a palavra de Deus possa ser partilhada com um número cada vez maior de pessoas.

JB - O que representa para o senhor a nova cidadania honorária?

Padre Alexandre - É algo muito especial para mim, pois me torno um nova-limense não só de coração, mas também de fato. Gratidão pelo carinho e por este ato de generosidade. Agradeço a esta cidade amiga, aos seus habitantes, aos meus amigos e às minhas amigas que aqui vivem, aos administradores locais e, em especial, à Câmara Municipal, na pessoa de cada um de seus Eminentes Vereadores, pelo título de Cidadão Honorário de Nova Lima. A esta cidade dei e continuarei dando o meu empenho e a minha dedicação. Recebam meu afetuoso abraço e minha bênção.

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