Moradores denunciam o aumento de cães abandonados na região

Publicado Terça, 26 Fevereiro 2019 08:16
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Defensores da causa animal relatam que pessoas estão deixando os cães nas portas de condomínios, em vias de residenciais, no Vila da Serra e até na Lagoa Seca, no Belvedere.

Um problema recorrente em várias cidades é a presença de cães abandonados e perdidos vivendo nas ruas. Nos últimos meses, animais de grande e pequeno portes têm sido abandonados em portas de condomínios, em vias de residenciais e, mais recentemente, na Lagoa Seca, no Belvedere. Esse triste cenário vem se repetindo também em ruas do Vila da Serra e parece não ter solução. Pessoas ligadas à causa animal ou, simplesmente, mais sensíveis à essa situação têm procurado conscientizar pessoas para um problema de ordem pública e realizado um trabalho muito bonito para proteger e acompanhar o destino desses animais.

Maria Cecília Rocha Figueiredo, moradora do Condomínio Nascentes, no Vale dos Cristais, é uma delas. A moradora vem acompanhando o aparecimento desses animais dentro do residencial. O primeiro animal surgiu na portaria do condomínio e ela o acolheu, alimentou, tratou, vacinou e castrou. Depois disso, outros animais vieram e receberam esses mesmos cuidados. Maria Cecília chegou a adotar três animais e encaminhar um para a adoção. Ela cita que o número de cães nas vias e dentro de condomínios têm aumentado e que o poder público deveria fazer algo. “Muitos não têm condições de manter ou de castrar e acabam abandonando esses animais. Entendo que a prefeitura deveria fazer um mutirão de castração pelo menos uma vez ao ano, pois senão essa população de animais será cada dia maior. A única forma de diminuir esse problema é a castração”, disse. Para conta que, recentemente, recebeu uma foto de um cachorrinho fazendo companhia a um idoso em um asilo. E acredita que as doações deveriam também contemplar os idosos, pelo fato de o animal ser uma boa companhia para eles.

Para abrigar esses animais e até mesmo aqueles que fogem de casa, o Nascentes instalou um pequeno canil de apoio a eles, através da ajuda de moradores. Uma cadela abandonada que ela cuida, por exemplo, ficou nesse espaço até ganhar a simpatia e confiança dela e dos funcionários do residencial.  Segundo Cecília, têm se pensado em criar um fundo para cuidar desses animais. A moradora ressalta que “cachorro não é um brinquedo que você brinca e quando cresce deixa ele para lá”.

No Alphaville, situação se repete

A situação é complicada para quem depara com um animal abandonado ou machucado, e muita gente entra em desespero sem saber ao certo a quem recorrer. Luciana Fraiha, moradora do Alphaville Lagoa dos Ingleses, conhece de perto essa situação. Há dez anos ela é protetora de animais. Começou o trabalho sozinha cuidando de cães doentes ou atropelados nas ruas do residencial. Em casa, dava toda a assistência e cuidados e em seguida ia para a internet tentar uma doação para o animal. Chegou a encaminhar entre 40 a 50 cães para lares adotivos.

Ela explica que a situação na Região Metropolitana é muito diferente de outros lugares. “A todo momento, pessoas abandonam eles nas ruas por falta de condições de criar e alimentar, e esquecem que embora para elas a intenção seja boa, esse é um ato criminoso. Aqui no Alphaville, há vários animais que foram abandonados em Água Limpa e migraram para as nossas ruas,  e como não há controle eles vão se reproduzindo. Uma cadela, com apenas um ano de idade entra no cio a cada seis meses, gerando no mínimo três filhotes.”

Ainda segundo Luciana Fraiha, o grande problema é que as pessoas não conhecem e não sabem o papel das ONGs e que há locais abarrotados de animais. Esse é um assunto para chamar a atenção da sociedade. Nossos políticos precisam criar leis para atender isso e as prefeituras precisam apoiar essa causa”, relatou. Ela conta que em Belo Horizonte existem quatro Centros de Controle de Zoonoses (CCZ) que fazem a castração em animais. E, que em Nova Lima, há alguns anos o procedimento era feito em uma clínica no centro da cidade, mas que acabou sendo fechada por denúncia de que eles estavam sendo eutanasiados.

ONG no Jardim Canadá realiza trabalho exemplar

Há alguns anos, um grupo se organizou e vem realizando jantares e festas para angariar fundos para os mutirões de castração. A CãoMer, uma ONG no Jardim Canadá, existe há seis anos e já castrou cerca de 5 mil animais sem a ajuda do poder público. A engenheira e administradora da ONG, Kely Oliveira, comenta que o número de animais abandonados naquela região é enorme e a CãoMer castra todos aqueles que são recolhidos pela entidade. “Existe um mutirão de castração, veterinários e parceiros que entraram na causa; a castração é feita em um dia na semana e atende a dez animais por vez. Na ONG eles são tratados, vacinados e alimentados. Temos 12 canis, sendo dois para isolamento de cães com parasitas.” A CãoMer atende no máximo 40 cães. Em três anos eles conseguiram retirar 750 animais das ruas para doação. A ONG acompanha o animal nos lares adotivos. As campanhas de ajuda para manter a entidade são comuns. Geralmente, não recebem dinheiro, apenas ração, remédios, produtos animais. Quem doa confia no trabalho desses voluntários. O nome CãoMer é para mostrar que o animal de rua precisa COMER.       

De acordo com a Coordenação de Zoonoses do Departamento de Vigilância e Saúde de Nova Lima, o município não possui um canil e já lançou uma licitação para uma clínica atender a demanda e instituir um castramóvel. Mas, que não houve interesse por parte das empresas e um novo edital deverá ser proposto.

Enquanto isso, por outro lado a causa vem ganhando engajamento de alguns políticos em busca de uma solução para a sociedade. No último dia 20 de fevereiro, o deputado federal Fred Costa (PATRI) entregou ao governador Romeu Zema, em Brasília, um ofício solicitando que “providencie a construção de e a colocação em andamento do primeiro hospital veterinário público do Estado de Minas” e, como deputado se comprometeria a destinar recursos para a obra, por meio de suas emendas orçamentárias.

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