Usuários da Trilha Perdidas querem transformar a região em um parque

Publicado Quarta, 26 Junho 2019 12:37
Trilha Perdidas: A área faz parte do Corredor Ecológico da Mutuca, única ligação entre as Bacias do Rio das Velhas e Rio Paraopeba © Foto: Divulgação/Promutuca Trilha Perdidas: A área faz parte do Corredor Ecológico da Mutuca, única ligação entre as Bacias do Rio das Velhas e Rio Paraopeba © Foto: Divulgação/Promutuca

Essa é a última porção ao Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte, ainda preservada, que não está devidamente protegida.

Moradores do Vale do Mutuca, de condomínios e ambientalistas estão engajados na criação do Parque da Perdidas. Durante a penúltima reunião do Conselho de Desenvolvimento Ambiental (Codema), o representante da sociedade civil pela Associação dos Condomínios Horizontais (ACH), Fred Lanna, solicitou a leitura e aprovação de uma Moção de apoio à criação da Unidade de Conservação. A área faz parte do Corredor Ecológico da Mutuca, única ligação entre as Bacias do Rio das Velhas e Rio Paraopeba, bem como ligação entre as diversas áreas protegidas, como o Parque Estadual do Rola Moça, RPPN do Jambreiro, Mata Samuel de Paula, RPPN do Tumbá, Fechos, Mona Serra do Souza, Mona Morro do Pires, Mona Morro do Elefante e Parque Nacional da Serra do Gandarela.

Flávio Krollmann, diretor da Promutuca, explica que “a Perdidas está estrategicamente situada entre estas áreas, com rica fauna, beleza naturais e funciona também como corredor ecológico entre estas áreas junto ao Corredor do Vale do Mutuca. Além disso, a região da Perdidas encontra-se em uma área de rara riqueza, caracterizada por área de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, com espécies específicas desta área de transição. Essa área é utilizada, há décadas, para diversas atividades esportivas, realizadas por moradores de Nova Lima e Belo Horizonte, além de turistas”, informou.

Ainda segundo Flávio Krollmann, a área do Parque Perdidas “é a última porção ao Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte, ainda preservada, que não está devidamente protegida. Não possui nenhum loteamento, arruamento, rodovia, atividade minerária ou comercial/industrial. Situa-se ao fundo da divisa dos condomínios à margem da BR-040 junto ao Viaduto da Mutuca, próximo ao início das Trilhas Perdidas e Speed Way, próximo ao antigo bar Clubinho e se estende até o distrito de Macacos.”

Para fácil entendimento, no sentido BR-040 – Macacos, no seu lado direito faz divisa com a RPPN do Tumbá e estrada de Macacos. No mesmo sentido, em sua porção noroeste faz divisa com a estrada de Macacos – Jardim de Petrópolis/Nova Lima e do lado esquerdo, faz divisa com Morro do Pires, Serra do Souza e mais ao sul com o Residencial Nascentes no Vale dos Cristais. Vale ressaltar que estas estradas, bem como a divisa dos condomínios facilitariam, além de sua demarcação, sua fiscalização, monitoramento e combate a incêndios.

Importância cultural

“A proposta de criação do Parque Perdidas está em consonância com os anseios em se preservar não somente a biodiversidade como também em se conservar áreas para uso da população em atividades recreativas e educacionais. Esse é o grande desejo também dos usuários da Trilha Perdidas, que querem transformá-la em um parque. O projeto de criação visa preservar não somente a biodiversidade como também em se conservar áreas para uso da população em atividades recreativas e educacionais”, explicou Krollmann.

Para Fred Lanna, criar esse parque tem uma importância cultural e histórica para a cidade, por ser uma área de referência do lazer e convívio da população. “Essa área é utilizada, há décadas, para diversas atividades esportivas, realizadas por moradores de Nova Lima, Belo Horizonte, Região Metropolitana e turistas tornando-se do ponto de vista cultural e histórico uma das áreas de referência do lazer e convívio da população da RMBH. Inclusive, as trilhas que cortam a Perdidas foram tombadas pelo poder público municipal de Nova Lima através de Decreto dada a sua relevância”, informou.

É importantíssimo ressaltar que a área em questão faz parte do Corredor Ecológico da Mutuca, única ligação entre as Bacias do Rio das Velhas e Rio Paraopeba, bem como ligação entre as diversas áreas protegidas, como o Parque Estadual do Rola Moça, RPPN do Jambreiro, Mata Samuel de Paula, RPPN do Tumbá, Fechos, Mona Serra do Souza, entre outros.

Propriedade da AngloGold

Este Corredor, conforme centenas de registros de fotos, vídeos e respectivas anotações, abrigam inúmeras espécies da fauna, incluindo grandes mamíferos, répteis, anfíbios, além de espécies endêmicas conforme estudos técnicos e científicos já realizados na região. Além disso, em relação à sua flora, tal região encontra-se em uma zona de rara riqueza caracterizada por área de transição entre a Mata Atlântica e o cerrado com ecossistemas distintos destas duas categorias bem como espécies específicas desta área de transição.

O município de Nova Lima também está comprometido com esse processo e busca formas de viabilizar a instalação do Parque da Perdidas. A informação é do secretário de Meio Ambiente, Danilo Vieira Junior, ao comentar que existe sim um grande interesse por parte do poder público em tornar a área em um parque, porém não há recursos nesse momento para desapropriar uma área de propriedade da AngloGold. Ainda segundo o secretário, existe um esforço muito grande junto à empresa para tratar de doação ou mesmo par uma compensação imobiliária para a instalação do parque das Perdidas.

Para Danilo Vieira, a instalação do parque representa um grande ganho para o Corredor Ecológico, pois permitirá uma conectividade maior, ligando a Serra do Souza até o Rola Moça, além de poder promover uma conexão maior com o Jambreiro, o Gandarela indo até Ouro Preto. “O Perdidas fará a conectividade de umas das áreas de conservação mais importantes da região, ao lado de Macacos, e vai preservar ecossistemas e proteger o corredor da biodiversidade”, ressaltou.

Moção

A moção feita pela Promutuca reitera a importância da criação de áreas protegidas como mantenedoras da vida, dos bens e dos serviços ambientais e reforça a função da Unidade de Conservação (UC) de proteger e diversidade biológica e os recursos genéticos associados. E ressalta que as UC’s municipais, individualmente ou através de mosaicos e como parte da infraestrutura verde dos municípios, podem proporcionar oportunidades e múltiplos serviços ecossistêmicos como abastecimento de água, conexão com a natureza, bem-estar da população, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, entre outros.

A ideia agora é encaminhar a Moção aos órgãos ambientais, ao poder público municipal e estadual, deputados e senadores mineiros visando a conscientização de todos sobre a importância de transforma a Perdidas em parque.

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