Olhe bem em volta, deixe a vida natural entrar...

Publicado Sexta, 26 Janeiro 2018 11:00

Maria Cristina Brugnara Veloso / Conselheira da PROMUTUCA / www.promutuca.com.br

O dia a dia de anos na PROMUTUCA possibilitou observar a enorme desconexão de grande parte dos moradores do Vale com a vida natural em seu entorno, bem como da sua biodiversidade.

Realmente é difícil para pessoas com vivência exclusivamente urbana entender, a priori, toda a dimensão de se viver em uma área na qual a preservação de biomas extremamente ameaçados é um imperativo.

Convivemos com demandas que revelam todo o estranhamento do humano com a vida silvestre. Seguem exemplos:

- Perguntam o que pode ser feito com os jacus que comem folhas da horta;

- Reclamam sobre o que pode ser feito com quatis e gambás que rasgam sacos de lixo; e eventualmente queixam-se dos gaviões que também rompem os sacos de lixo, em locais mais altos;

- Vem pedir que a PROMUTUCA autorize corte de árvores que são protegidas por lei, cujas folhas estão sujando a calçada ou a piscina (a PROMUTUCA não tem poder para licenciar supressão vegetal).

Poderíamos elencar muitas outras que retratam a nossa falta de conhecimento sobre práticas e condutas de quem adentra em áreas onde existe vida natural.

Essa interação humano/natureza ocorre aqui no Mutuca e em várias partes do mundo. No Canadá e no Alasca moradores aprendem a conviver com ursos. Na África, aldeões convivem e tem aprendido sobre a preservação dos leões e outros grandes felinos.

A população humana aumentou e as áreas naturais diminuíram. A vida selvagem está sendo grandemente impactada.

Temos que evoluir em termos de consciência ambiental e educarmos nossas crianças com uma visão holística e sustentável. Somos privilegiados por morar junto à natureza, mas saibamos que somos hóspedes em casa alheia. A mata, o cerrado são deles, os animais. Leis os protegem. Muitos que não podem usufruir do prazer de tê-los como vizinhos, estão prontos de longe a defendê-los, portanto não podemos falhar, pois quem tem o bônus, tem o ônus da preservação e da convivência respeitosa.

A hegemonia humana e a consequente ocupação do espaço natural exigem atitudes reparadoras e urgentes, mesmo que isso nos custe sacrifícios e mudança de atitude. Todos tem sua parcela de contribuição em prol da qualidade de vida na Terra, mas alguns como nós, podem fazer mais, efetivamente. Não se trata de caprichos de ecologista, trata-se de abrir os olhos e ver a vida se descortinando ao nosso redor, o barulho que vem das matas, dos córregos, a arruaça das maritacas em voo, o barulhinho dos esquilos roendo os cocos dos licuris, o canto das cigarras antes da chuva, os olhinhos brilhando no escuro das matas de seus habitantes ilustres. Trata-se dessa sinfonia de vida perfeita e frágil que nos rodeia fazendo com que nós mesmos sejamos muito melhores. Tudo que é bom no mundo se identifica com a vida natural, é a nossa referência do que é perfeito, agradável e justo.

Olhe bem em volta, deixe a vida natural entrar, deixe a vida fluir, pare e dê passagem a ela.

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