As trilhas de longa distância passarão por aqui

Publicado Sexta, 16 Fevereiro 2018 17:03

Paulo André Mendes / Geógrafo e jornalista, colaborador da ArcaAmaserra - Associação para a Recuperação e Conservação Ambiental em Defesa da Serra da Calçada. / www.amaserra.org

É uma questão de tempo: as trilhas de longa distância passarão pelas nossas serras, vales e margens dos rios. Na edição 275, do JORNAL BELVEDERE escrevi sobre as trilhas de longa distância – um conceito ainda novo no Brasil, mas já bastante difundido pelo mundo.

E comentei que em Minas já há algumas ideias no ar e também boas iniciativas em andamento. Fala-se, por exemplo, da trilha Trans-Espinhaço, entre Ouro Preto e Diamantina – uma ideia ousada, em cuja implementação poderíamos incorporar trilhas menores, já em funcionamento.

Entre elas, a travessia Diamantina - Mendanha, a tradicional ligação Lapinha – Tabuleiro, e a recém-criada Travessia Alto Palácio - Serra dos Alves (esta última localizada no interior do Parque Nacional da Serra do Cipó). Mais ao norte também poderia ser aproveitada, no Parque Nacional das Sempre Vivas, uma travessia com 55 km de extensão. Esta travessia está em fase de planejamento.

E aqui no nosso “quintal”?

As grandes serras ao redor de Belo Horizonte farão parte dessa história. Mas, precisamos falar do nosso “quintal” – a vasta região montanhosa ao sul de Belo Horizonte, que segue até Ouro Preto, Ouro Branco e Congonhas, serra atrás de serra.

Moeda, Caraça, Gandarela, Itacolomi, Geral, Veloso, Ouro Branco, Itatiaia, Curral e Rola Moça, entre outras.

Desde pelo menos o final do século XVII – portanto há mais de 300 anos, com a nossa Corrida do Ouro, milhares e milhares de pessoas vieram para a nossa região, abrindo aos poucos um conjunto de vias para acesso e circulação.

Os nomes desses caminhos se perderam no tempo – com a exceção dos mais importantes. Entre eles, o Caminho da Bahia (ou dos Currais), o Caminho do Rio de Janeiro (depois chamado de Caminho Velho), o Caminho dos Diamantes, o Caminho de Goiás e do Mato Grosso. E depois o Caminho Novo do Rio de Janeiro.

Resgate e inovação

Estamos falando sim de resgate histórico – mas também haverá espaço para a inovação.

Primeiro o resgate

Abrir um sistema de trilhas de longa distância em nossa região é portanto, antes de tudo, um exercício de pesquisa histórica.

Encontrar na literatura dos grandes viajantes os caminhos percorridos. Observar os mapas antigos, muitos deles ainda em bom estado de conservação. Pesquisar o que sobrou dessas antigas estradas.

Trarei dois exemplos interessantes. Entre Ouro Preto e Itabirito, sobre o rio das Velhas, fica a ponte Ana de Sá. Construída por volta de 1.700, a ponte é citada em inúmeros documentos e mencionada por vários viajantes.

Felizmente ela sobreviveu ao tempo, é tombada pelo município de Ouro Preto e – tanto quanto eu saiba – vai bem, obrigado.

A ponte Ana de Sá parece ter sido a única ponte existente no trecho alto do rio das Velhas nos tempos coloniais. Tudo indica que temos ali uma rota fundamental para ser revivida.

Também na região de Ouro Preto vale a pena citar o Chafariz de Dom Rodrigo. Mais recente do que a ponte Ana de Sá, o chafariz foi erguido por ordem do então governador e capitão-general da Capitania de Minas Gerais, Dom Rodrigo José Antônio de Meneses, em 1.782. O chafariz foi uma obra de melhoramento para a nova (na época) ligação entre Cachoeira do Campo e Ouro Preto.

Inovação

Mas, também vale inovar e pensar em caminhos não desenvolvidos no passado. Tanto em termos de rotas mais altas (ao longo das cristas das serras) quanto em termos de rotas mais baixas (acompanhando rios e baixadas). Muitas rotas interessantes podem ser desenvolvidas: a ligação Congonhas / Nova Lima, via Serra da Moeda, é uma delas.

Essa rota pode se ligar a uma rota na Serra do Rola Moça, descendo para Brumadinho. Ou, no sentido oposto, pode ganhar a Serra do Curral e praticamente entrar em Belo Horizonte. Temos também a rota Ouro Preto / Belo Horizonte, via Serra Geral e Serra da Gandarela (aqui permitindo uma variante rumo o Caraça).
Essa história promete.

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