Os parques urbanos

Publicado Terça, 27 Fevereiro 2018 18:48

Paulo André Mendes / Geógrafo e jornalista, colaborador da ArcaAmaserra - Associação para a Recuperação e Conservação Ambiental em Defesa da Serra da Calçada. / www.amaserra.org

Estávamos ainda nos anos 1970 quando um interessante estudo foi concluído e veio a público, aqui em Belo Horizonte. Esse estudo tratava dos parques urbanos da região metropolitana, e tinha sido desenvolvido por uma jovem autarquia: a Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Plambel).

O documento identificava a grande carência de áreas verdes para uso público na região metropolitana, e propunha a criação de diversos parques, espalhados por todo o seu território.

Entre eles, os parques da Cachoeira Santa Luzia (com 205 hectares), de General Carneiro (com 200 hectares), Hugo Werneck (com 925 hectares), da Lagoa de Ibirité (com 195 hectares), da Ressaca (com 114 hectares) e da Várzea das Flores (com 1.150 hectares).

Provavelmente o leitor está estranhando os nomes, e pensando onde ficariam esses parques. Mas é muito simples: esses parques nunca saíram do papel. Foram apenas planos. Mas alguns deles se tornaram uma realidade: é o caso dos parques Fernão Dias, Lagoa do Nado e Mangabeiras.

Marcha-a-ré?

A pequena história que contei acima ilustra um pouco a nossa realidade em termos de espaços públicos de lazer: o fato indiscutível é que temos pouquíssimos parques públicos em Belo Horizonte e região. Mas veja o leitor: o que é ruim sempre pode piorar.

O Parque Fernão Dias, por exemplo, fica em Contagem, e era uma área muito procurada pela população. Agora o parque está completamente arruinado, sem quaisquer condições de uso.

O Parque das Mangabeiras está fechado desde novembro do ano passado, a pretexto da epidemia de febre amarela. A epidemia é uma triste realidade, porém várias áreas de risco têm recebido visitantes, desde que munidos do cartão de vacinação.

Pertinho do Parque das Mangabeiras, o Parque do Paredão e o Mirante das Mangabeiras também estão fechados, segundo a mesma lógica.

E as praças?

Já que não temos parques, que tal irmos às praças? Perto dos parques acima citados, no bairro Sion, fica a Praça JK (que ganha o nome de parque mas no fundo é uma praça). A praça está aberta – até porque não há como fechá-la... – mas a degradação da área é de impressionar.

Pisos danificados, vegetação descuidada, drenagem abandonada. Para piorar, como temos também poucas praças na cidade, a Praça JK não atende apenas os moradores do bairro Sion. Vem gente de longe aproveitar o espaço.

O que nos resta?

Então o leitor abre os jornais, blogs, sites e revistas que falam da saúde da população, da obesidade, do sedentarismo. Eles nos dizem que devemos tomar mais sol, caminhar mais, conviver mais. E que as crianças devem se movimentar de verdade, mexendo menos nos celulares e nos computadores.

Sem parques. Sem praças. Sem espaços de uso comum. Esperavam o quê?

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