Um potencial a ser desenvolvido

Publicado Sexta, 09 Março 2018 18:39

Paulo André Mendes / Geógrafo e jornalista, colaborador da ArcaAmaserra / www.amaserra.org

Um evento realizado na semana passada, no Rio de Janeiro, reacendeu o debate sobre as boas perspectivas sociais e econômicas do Brasil em torno da visitação das nossas áreas protegidas.

O fato: em 2017 mais de 10 milhões de pessoas entraram em uma área protegida federal brasileira. É um recorde de visitação. E esse número não inclui os visitantes em unidades de conservação estaduais e municipais.

O número impressiona, mas podemos melhorar bastante: nos Estados Unidos, por exemplo, são contados, a cada ano, mais de 300 milhões de visitantes nas áreas protegidas federais.

E o nosso potencial é indiscutível: um estudo de competitividade no turismo, apresentando no Fórum Econômico Mundial, coloca o Brasil nos primeiros lugares, no quesito atrativos naturais. Mais de 130 países foram avaliados.

Falta estrutura

Mas o que falta para que as nossas áreas sejam mais visitadas?

Nas palavras do presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ricardo Soavinski, “é preciso entender que, para desenvolver o turismo nas unidades de conservação, precisamos primeiro criar condições de o turista chegar até elas, por meio de estradas e aeroportos, mas nem sempre temos essa infraestrutura”.

Nas palavras de Soavinsky, o ICMBio precisa e deseja ganhar escala. E uma maneira de avançarmos, segundo ele, seria por meio de uma medida provisória editada recentemente. Ela cria o fundo de compensações ambientais, que irá ajudar o órgão a estruturar os parques e melhorar a visitação. Também é um objetivo do ICMBio aumentar a concessão de serviços públicos nos parques nacionais.

Caminhadas: uma fonte de renda?

Durante o evento também foi debatido o papel das trilhas de longo curso – essas trilhas ligam várias unidades de conservação e geralmente atravessam mais de um Estado.

Pedro Menezes, especialista no tema e coordenador de Uso Público e Negócios do ICMBio, explicou que o chamado turismo a pé – feito por turistas que tem como objetivo percorrer essas grandes trilhas – é capaz de gerar emprego e renda em locais sem grande potencial econômico.

Isso ocorre, entre outros motivos, porque ao longo dessas trilhas, a cada 15 km pelo menos, é necessária uma estrutura mínima de pousadas, restaurantes e bares, capaz de atender esse turista.

É possível enxergar um bom futuro nessa área. E, como já escrevi aqui no Jornal Belvedere, nossa região será um protagonista cada vez mais importante no tema trilhas.

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