Os gatos predadores

Publicado Sexta, 09 Março 2018 18:42

Flávio Krollmman / Conselheiro da Promutuca / www.promutuca.com.br • Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Um estudo publicado na revista Nature Communications realizado por pesquisadores americanos informa uma preocupante estimativa sobre a mortalidade de animais silvestres provocada por gatos.

Segundo os cientistas, os gatos são responsáveis pela morte de cerca de 3 bilhões de aves e de até 20 bilhões de pequenos mamíferos, sobretudo roedores, por ano. Tal perda é superior às provocadas pela caça, produtos químicos e efeitos da urbanização.

Diante de tais dados, uma ampla discussão ocorre se o efeito devastador provocado pelos gatos às espécies é realmente desta proporção. Reconhece-se, porém que em áreas limitadas, como parques e jardins e até mesmo ilhas ocorrem desequilíbrios provocados pelos felinos. Alegam ainda que os gatos contribuíram com a extinção de mais de 30 espécies de animais do mundo, mas tal informação ainda carece de muito estudo para sua comprovação, já que o impacto dos gatos em áreas continentais tem sido pouco estudado.

De acordo com os cientistas, gatos sem dono, que incluem gatos de rua e os que vivem soltos na natureza, matam três vezes mais do que os domésticos.

Em alguns países do mundo, como a Nova Zelândia, estão sendo avaliados meios de controle dos gatos. Não se fala em exterminação, mas sim, normas quanto aos gatos domésticos, políticas de castração e até mesmo registro dos mesmos. A ONG britânica RSPCA, que atua na defesa dos animais, informou que o uso de uma coleira com um sino já reduz em até um terço as chances de um gato conseguir caçar outro animal.

O assunto se torna bastante delicado, pois os gatos fazem parte da vida do homem há muito tempo. Desta forma, tratar da questão e dos riscos que o animal traz, causa, no mínimo, desconforto e preocupação de como tratar a situação e de como discutir com a sociedade sobre o que fazer.

De acordo com pesquisas, a população de gatos tem crescido no Brasil e as pessoas cada vez mais optam pelo gato doméstico como animal de estimação.  Ao mesmo tempo acompanha-se que cada vez mais as pessoas buscam locais próximos à natureza para viverem e assim, os gatos passam a frequentar e, consequentemente, influenciar sobre este habitat. É o caso, por exemplo, que ocorre no Vale do Mutuca.

Os gatos se situam no topo da cadeia alimentar, são ótimos caçadores e, claro, aves e pequenos mamíferos da região passam a ser ameaçados. O problema é ainda maior em relação aos filhotes, principalmente de pássaros, que são extremamente vulneráveis ao extinto do felino.

A população atual de gatos no Vale do Mutuca se divide entre os gatos de proprietários das residências, gatos trazidos durante a obra pelos próprios funcionários da mesma, uma outra leva solta por aqui por pessoas que queriam “se livrar” do animal na sua região e uma outra grande parte de felinos nascidos no Vale. Esta última já incorpora uma grande população de gatos que têm o Vale do Mutuca como seu habitat, sem qualquer tipo de controle.

O problema já tomou uma proporção incontrolável. A situação é muito complexa já que, acima de tudo, são animais e merecem nosso respeito e cuidado e muitos destes têm donos no próprio Vale.

Diante disto a Promutuca está debatendo uma série de ações e alternativas para esta situação. Alguns condomínios, inclusive, sensibilizados, fazem parte desta discussão. Podemos resumi-las a fim de compartilhar a situação atual destas discussões e ações propostas.

Listamos as principais:

1. Ofício aos síndicos dos Condomínios comunicando sobre a situação dos gatos e respectivo plano de ação;
2. Ofício aos proprietários das obras sobre os problemas causados pelos gatos trazidos durante a execução da mesma pelos trabalhadores da construção;
3. Ofício aos encarregados das obras sobre a mesma situação;
4. Ofício ao novo morador (que pode não ser o antigo proprietário da obra) sobre o Vale da Mutuca e os impactos dos gatos na região, a necessidade da castração de seu animal doméstico e utilização de coleira;
5. Placas de sinalização no Vale do Mutuca informando sobre áreas de proteção ambiental de extrema relevância e afetadas pelos gatos;
6. Campanha de conscientização com moradores residentes através de ofícios informando sobre o cenário de gatos, necessidade de castração e utilização de coleiras;
7. Quanto à Captura e castração:
a) Consulta jurídica sobre o processo;
b) Ver possibilidade de firmar convênio com universidades de veterinária;
c) Ver possibilidade de firmar convênio com clinicas de veterinária e ONGS;
d) Buscar soluções de como identificar animais já castrados;
8. Destinação de animais capturados sem dono:
a) Consulta jurídica sobre o processo;
b) Levantar se existem ONGS ou associações para recebimento dos animais;
c) Discutir com a Prefeitura de Nova Lima sobre possibilidade de implantar um “gatil” no município já que atualmente a prefeitura não oferece este serviço.
Conforme relatamos neste artigo tais pontos ainda estão sendo discutidos e estamos abertos a sugestões, alternativas e ações que deram certo. Desde já agradecemos.

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