ONG Ambiental: mudança de ação

Publicado Quarta, 11 Abril 2018 14:13

Flávio Krollmman / Conselheiro da Promutuca / www.promutuca.com.br • Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

É interessante quando refletimos sobre o que nos transformamos e nos dedicamos na gestão de uma ONG Ambiental.

Logicamente, o primeiro ideal, objetivo, foco da criação de uma entidade com viés ambiental seria a abordagem prática da proteção e gestão do meio ambiente. Seguindo o caminho desta utopia pensamos e idealizamos esta associação para se dedicar ao estudo e levantamentos de fauna e flora, cursos hídricos, geologia, proposições e ações de melhoria destes habitats, etc. Trabalho de campo, junto ao ambiente que dedicamos. Para tal, desenhamos o corpo profissional de apoio e execução das atividades formado por biólogos, geólogos, geógrafos entre outros.

Isso seria o ideal e o mais lógico. Contudo, diante do circo brasileiro, uma ONG Ambiental se transforma em um escritório de luta contra o desrespeito às leis, o estupro ao bom senso e a irresponsabilidade de agentes detentores de decisão e poder, mas que se curvam às mais indignas práticas democráticas e éticas. Deixamos em segundo plano as tão necessárias, prioritárias e prazerosas ações de estudos ambientais para nos dedicarmos a um incansável e continuo trabalho de monitorar os caminhos mais cabulosos, exclusos e vergonhosos do trato entre o poder público e privado.

E esta relação se dá pelo fato que é do poder público a responsabilidade em se fazer cumprir as leis, em fiscalizar o seu cumprimento bem como determinar e educar o setor privado em exercer suas atividades. Neste caso, como em todos os setores e segmentos onde esteja presente a raça humana, há os bem-intencionados e aqueles que não enxergam barreiras éticas para sua ganância e objetivos degradantes.

E é neste ponto que a lógica, o correto, se perdem. Infelizmente presenciamos durante toda a luta ambiental episódios vergonhosos de submissão de agentes públicos ao interesse econômico de uma minoria que ainda insiste no descumprimento das leis, nos caminhos mais “fáceis” e menos transparentes para suas práticas.

Neste momento, deixamos a utopia de ações práticas ambientais para nos transformarmos e nos dedicarmos, initerruptamente, a nos rastejar por estes túneis de acordos inescrupulosos, obscuros e vergonhosos. Alteramos nossa postura, nossas estratégias e até mesmo nosso corpo técnico para tal. Ao invés de biólogos e outros estudiosos práticos da área ambiental, passamos a nos dedicar e contratar advogados, peritos e investigadores. Em vez de estarmos nos campos, estamos sentados nos Conselhos de decisão a fim de tentarmos estar “atualizados” perante o que se pretende em relação o desenvolvimento de nossas cidades, atividades e vidas. Passamos a escrever pareceres jurídicos em vez de estudos ambientais, passamos a frequentar gabinetes do Ministério Público, da Justiça, Câmaras de Conciliação em vez de órgãos ambientais, universidades e até mesmo eventos com a comunidade.

Confesso que o mais triste disso tudo, o que nos deixa mais, digamos, decepcionados é nos depararmos constantemente em discussões com estes grupos, em sua maioria, discussões estas conduzidas, lideradas por um agente público que teria ali a responsabilidade, o dever, de conciliar à luz do cumprimento da lei e execução da preservação ambiental, do desenvolvimento sustentável e da prioridade da qualidade de vida das pessoas em prol do desenvolvimento irresponsável, se curva de maneira nítida em defesa do interesse econômico predatório.

Salta-nos aos olhos o descaramento de alguns destes agentes que, não há outra compreensão, acham que naquele momento todos (com exceção dele e da parte que ele “defende”) são verdadeiros idiotas. É aquela questão em que o próprio mentiroso passa a acreditar não só que as pessoas acreditam em suas mentiras como ele mesmo passa a acreditar nas mesmas. Tomamos, literalmente, “tapas na cara” quando nos deparamos com situações como esta. E, acreditem, são frequentes.

Mas, nossa esperança, é que estas práticas irão, pelo menos um dia, acabar, senão diminuir muito, pelo menos em relação ao nível e quantidade que ainda ocorrem atualmente. O País está mudando, corruptos estão sendo presos, agentes corruptos estão sendo punidos. Esperamos que a ficha desta turma caia o quanto antes e nós possamos voltar à nossa utopia. Ou, quem sabe, eles passem a não mais acreditar em suas mentiras.

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