“Jogo” no desenvolvimento sustentável

Publicado Quarta, 27 Junho 2018 13:54

Flávio Krollmman / Conselheiro da Promutuca / www.promutuca.com.br • Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Em meio ao acontecimento da Copa do Mundo, utilizo o termo “jogo” para traduzir o que ocorre em alguns casos de transgressão ao fundamento do desenvolvimento sustentável.

Na verdade, este “jogo” refere-se à tática de parecer agir ou se pronunciar de uma maneira quando, na realidade se busca outro objetivo.

Para isso, deve-se ter uma postura racional e interpretativa dos fatos. Desta forma você consegue entender o que realmente aquela informação ou pretensão significa de fato.

Através do slogan “desenvolvimento” agentes públicos e empreendedores inescrupulosos avançam contra o meio ambiente e a qualidade de vida da população. Como que se o desenvolvimento (a curto prazo) fosse prioritário sobre as demais bases do desenvolvimento sustentável. Além disso, abordam somente a questão do desenvolvimento como que se ele não pudesse ocorrer de forma planejada e responsável.

Outra tática utilizada é de colocar o caos na razão das coisas. A necessidade de melhoria do tráfego pode maquiar, na verdade, a abertura de novas vias para novos loteamentos e mais caos.

Estão entendendo como o jogo funciona?

Aqui mesmo em nossa região este tabuleiro está em cima da mesa. De um lado os que defendem a “melhoria do trânsito” e consequente implantação de uma via que aproveitaria a antiga linha ferroviária da antiga MBR ligando a sede de Nova Lima ao Belvedere e depois de lá sabe-se onde mais. De outro “os que não querem a melhoria do trânsito” e não querem a implantação desta via. Interessante é que os mesmos idealizadores da via, são aqueles que um dia implantaram diversos empreendimentos na região e que não se importaram (como agora) com o planejamento e desenvolvimento da mesma. O máximo que fizeram é colocar nos materiais promocionais de seus empreendimentos fotos de vistas das montanhas e matas da região que eles mesmos cuidaram de eliminar (tanto as montanhas, as matas e a própria vista). Além disso, diante do histórico de alguns destes idealizadores desta “solução”, sabemos que na verdade esta via servirá para a viabilização de acesso a novos loteamentos, prédios e tal, isso porque boa parte onde está via será implantada é uma região ainda preservada e não antropizada. Ou seja, esta autopista, em breve, também estará afogada em mais tráfego, a região perderá mais qualidade de vida enquanto que os seus defensores estarão reclamando do novo caos do trânsito e buscando uma nova “solução” para o problema.

Vale ressaltar também que a área em que estaria prevista esta via corta a região da Mata do Jambreiro, aquele imenso e ainda preservado pedaço de Mata Atlântica (o último da RMBH) na porção Sul de Belo Horizonte e município de Nova Lima. Ou seja, derruba-se tudo, constrói-se mais loteamentos, enriquece uma meia dúzia, cria uma nova cidade por ali, mais trânsito, mais poluição, mais calor, menos verde, menos áreas de lazer e mais “desenvolvimento”.

Este jogo acontece em todo lugar, em todos os níveis, seja estadual, municipal e federal.

O pior disso tudo é que os governantes públicos, sobretudo municipais, embarcam nesta onda. Passam a ser e se portar como promotores deste desenvolvimento ou das soluções do desenvolvimento. Só que em vez de melhorar a situação eles só conseguem piorar mais. Não é atoa que nossas cidades são sinônimo de crescimento desordenado, má administração e ineficiência.

Devemos nos posicionar contra isso.

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