Efeito borboleta

Publicado Quarta, 25 Julho 2018 19:04

Flávio Krollmman / Conselheiro da Promutuca / www.promutuca.com.br • Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

A teoria do “Efeito Borboleta” é um termo que se refere à dependência sensível às condições iniciais dentro da teoria do caos. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz.

Segundo a cultura popular, a teoria apresentada, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo.

O modo como é tocada a política brasileira atualmente nos coloca diretamente dentro deste processo. O balcão de negócios que se tornou nossa gestão pública, esta cada vez mais presente nas páginas policiais, passou a ser totalmente dependente do jogo político, do assistencialismo e da manutenção do poder.

A definição de um ministro, que deveria seguir, estritamente, sua competência técnica, atualmente depende, exclusivamente, do apoio político que este trará consigo. Esta mesma situação ocorre nos demais escalões comissionados, nas secretarias de estado, dos municípios bem como nas empresas públicas.

Neste circo vale tudo. Para abrigar os “aliados” criam-se novas pastas, aumenta-se a burocracia, coloca-se ruralista para ser responsável ou dirigir políticas em relação ao meio ambiente, etc. E isto na nossa cara, com a vitrine da televisão e dos jornais.

Além disso, as relações políticas tomaram caráter globalizado, quando o interesse político em um estado por exemplo, pode provocar uma mudança na escolha de um servidor em outra região.

Literalmente o que acontece hoje é que a escolha de um gestor público pode depender de quem será o líder no Congresso ou do que o aliado em um Estado do Nordeste definirá quem será sua base de apoio. É o caos!

Até mesmo verbas e os orçamentos são definidos dentro desta baixaria na gestão pública. Não é à toa que vemos hospitais e escolas deixados à mingua e ao mesmo tempo desvios milionários e obras faraônicas, muitas delas desnecessárias, em outros setores.

E pra piorar a situação e aumentar mais ainda a insegurança e a instabilidade política há também a interferência dos grandes financiadores de campanha, estes capazes de influenciar e até mesmo determinar o rumo das políticas públicas. E sabe lá o que estes grupos são capazes de fazer e financiar para conseguir o que desejam.
E esta passou a ser a base da governança pública no País.

Recentemente visitei um município com menos de cinco mil habitantes, sem nenhuma indústria, encravado em uma região sem muitas alternativas mas que possui todas as suas ruas limpas, asfaltadas, serviços de saúde de primeira qualidade, bem como educação e assistência social. Até as árvores nas ruas (acompanhada de passeios acessíveis) possuíam placas educativas com o nome da espécie! O Correto, o básico passou a ser exceção. A grande maioria dos municípios do País, estes com muito mais condições que este visitado estão quebrados. Com certeza porque são vítimas desta pavorosa força que corrói as instituições, que não foca a competência na gestão e a ética como suas principais características.

Assim, temos uma pessoa à frente de uma pasta sem possuir credenciais e competências para ocupa-la e, além disso, segue, irresponsavelmente, o que determina o seu financiador e/ou grupo dominante. Consequentemente se perdem as políticas públicas, o planejamento a longo prazo, a qualidade técnica e a continuidade dos projetos. E isso tudo por causa do nocivo jogo político e de poder em que o estado está atolado.

Desta maneira, o que se prever em relação à política ambiental no País, Estado e nos municípios?

Neste ponto, devido ao momento de mudança de governos, não sabemos sequer quem será(ão) o responsável (is) por esta política e tampouco que postura ou interesses que este gestor público irá seguir. A interferência do interesse privado invade até as Câmaras Municipais, sem falar nas Assembleias, Congresso, Ministérios e empresas públicas.

Portanto, o que se esperar do futuro?

A crise da água demandaria uma esperada mudança de postura de nossos governantes. E temos visto alguma ação efetiva? Reduziu-se, de fato, os desmatamentos, a aprovação de loteamentos mais sustentáveis, a implantação de políticas de saneamento? Dados são omitidos, quando não, mentirosamente, alterados. O jogo do empurra-empurra, ainda mais em período de eleições deixou o país no meio desta discussão sem nenhuma ação efetiva.

O País anda pra trás ao contrário das demais nações, muitas delas menos desenvolvidas que o Brasil, que andam pra frente.

O jogo político e a busca pela manutenção do poder está acabando com o País, com as pessoas e com o ambiente que vivemos. E as boas cabeças começam a se isolar ou até mesmo abandonar o País.
Quem sabe um bater de asas de uma borboleta possa mudar isso tudo?

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