Um dia especial para a Serra da Calçada

Publicado Terça, 11 Setembro 2018 17:03
Homenagem: Equipe do Projeto de Reabilitação de Trilhas e Nascentes (MONA Serra da Calçada) e familiares da André Abelha durante a inauguração da Praça © Foto: Divulgação/ ArcaAmaserra Homenagem: Equipe do Projeto de Reabilitação de Trilhas e Nascentes (MONA Serra da Calçada) e familiares da André Abelha durante a inauguração da Praça © Foto: Divulgação/ ArcaAmaserra

Paulo André Mendes / Geógrafo e jornalista, colaborador da ArcaAmaserra / www.amaserra.org

Olá, leitor!
O sábado dia 1º de setembro representou uma data muito especial para a Serra da Calçada: nesse dia foi entregue ao público a primeira etapa do Projeto de Recuperação de Trilhas e Nascentes da Serra. Um trabalho que reuniu a ARCA-AMASERRA, o grupo Mountain Bike BH, a mineradora Vale, a Associação de Condomínios Horizontais (ACH), a UFMG, o Projeto Trilhas e a empresa E.C.O. Engenharia.

Na mesma data foi também homenageado um grande amigo da serra: André Abelha. É sobre esse tema que vamos conversar com Fred Lanna, integrante da diretoria da ARCA-AMASERRA, do Mountain Bike BH, da ACH e do Projeto Trilhas.

Fred, qual a importância desse Projeto?

Esse projeto só foi possível graças a dedicação e a entrega de cada pessoa participante. A importância do projeto vai além da reabilitação desta área degradada na Serra da Calçada – foram 12 anos desde o início, quando o Abelha iniciou o primeiro abaixo-assinado para a proteção da Serra da Calçada, até o dia de hoje, com a entrega da primeira etapa da recuperação. Ele representa uma nova realidade da relação entre comunidade, poder público e empresas, alcançada através da participação de todos e da confiança entre os parceiros.

É só o início, temos um bom caminho a ser trilhado. Mas, é um modelo de gestão compartilhada que vem dando certo e que poderá servir de exemplo: é possível usar uma Unidade de Conservação de maneira consciente. E a melhor forma de preservar um lugar é conhecendo, criando uma relação de afeto. Só preserva quem conhece.
No Brasil, tantas vezes as coisas não saem do lugar. Foi difícil chegar até esse momento?

Não foi fácil chegar até aqui. Primeiro, durante um longo período, lutamos para que a Serra da Calçada fosse protegida, o que veio ocorrer em 2008, com o tombamento pelo IEPHA. E em 2013 Nova Lima criou o Monumento Natural. Estes foram marcos legais. Outro marco importante foi a criação da “Rede Serra Protegida”, tema já abordado aqui no JORNAL BELVEDERE.

E foi com a colaboração e a parceria da professora Maria Rita Scotti Muzzi, da UFMG, nós propusemos para a Vale o Projeto Piloto de Recuperação de Trilhas e Nascentes da Serra da Calçada, o qual ela apoiou desde o início. E então formou se o Grupo que realizou esse projeto: Mountain Bike BH, Vale, ARCA-AMASERRA, ACH, UFMG, Projeto Trilhas e E.C.O Engenharia.

Fred, alguns trechos da Serra seguem degradados...

Sim, mas como não existe mais a prática de off road, esses trechos estão se estabilizando, e alguns vão se recuperando de maneira natural. Mas em algumas áreas existem trechos já erodidos, e essas erosões aumentam em cada período chuvoso. Por isso, é imprescindível a continuidade da recuperação.
E a homenagem ao André Abelha?

Desde o início desse Projeto nós sempre pensamos em como poderíamos retribuir ao Abelha tudo que ele representou e ajudou a construir. Foi ele quem propôs o primeiro abaixo-assinado para que a Serra da Calçada fosse protegida e tombada, isso em meados de 2006.

O Abelha, além disso, era ciclista e vizinho da Serra, um pioneiro na prática do mountain bike por lá. Ele faleceu em 2008, ano em que a Serra foi tombada pelo IEPHA, e não viu todo seu sonho se concretizar. Fizemos uma homenagem ao Abelha com o batismo da “Praça André Abelha”.

Para concluir: qual a sua visão de futuro para a Serra da Calçada?

A melhor possível! Sempre acreditei que um dia este momento fosse chegar. Que a Serra seria protegida, recuperada e bem utilizada. Tenho a convicção de que a Serra da Calçada está no caminho certo.

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