Chuvas e riscos

Publicado Quarta, 28 Novembro 2018 11:43

Paulo André Mendes / Geógrafo e jornalista, colaborador da ArcaAmaserra / www.amaserra.org

Olá, leitor!
A chegada da estação chuvosa é algo a ser, em princípio, comemorado. Chuvas significam saúde para a vegetação, melhoria da qualidade do ar, redução da temperatura do mesmo e, principalmente, recarga dos nossos aquíferos.

Ou seja, tudo de bom.

Mas os nossos erros e a nossa teimosia têm transformado a chuva, infelizmente, em um vilão.

Com a palavra um leitor, o Sr. José Alberto, que me escreveu se referindo ao último alagamento ocorrido na região de Venda Nova, agora no início de novembro:

“Paulo, a chuva chegou. A chuva é benção, ajuda a fecundar o chão, a crescer as plantas, é sinal de aumento das colheitas e de fartura nas nossas mesas. Mas a chuva chegou matando pessoas bem próximas a mim, e te asseguro a culpa não é da chuva – que por sinal é muito bem-vinda.”

No caso o Sr. José Alberto se refere, é claro, ao modelo completamente irracional utilizado na implantação das grandes cidades brasileiras. Esse modelo, que mistura impermeabilização excessiva de toda a área urbana com a construção de avenidas e casas ao longo das margens dos córregos, é uma bomba relógio.

Que explodiu mais uma vez há alguns dias. E que, infelizmente, ainda explodirá várias vezes. Pois a água precisa passar e irá passar.

Lamentável.

As barragens, sempre elas

Mas as chuvas também nos trazem problemas fora das áreas urbanas. Por exemplo, com a sua chegada aumentam os riscos de rompimento das barragens de mineração consideradas problemáticas.

E um documento divulgado pelo Governo Federal, na última semana, indicou que cinco reservatórios localizados em Minas Gerais apresentam alto risco de rompimento.

Quatro dessas cinco barragens já são conhecidas do leitor do JORNAL BELVEDERE.

Em Rio Acima estão as duas barragens da Mundo Mineração. Trata-se de uma empresa que encerou as suas atividades e abandonou as barragens. O rompimento dessas estruturas pode contaminar o rio das Velhas e atingir a estação de tratamento de águas de Bela Fama, em Nova Lima – unidade responsável pelo abastecimento de parte da nossa área metropolitana.

Também em Rio Acima, mas já nos arredores de Itabirito, ficam duas barragens da Nacional Minérios, empresa controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional. Essa dupla também ameaça o rio das Velhas.

E, em Ouro Preto, temos uma má novidade: a barragem Água Fria, operada pela Topázio Imperial Mineração, foi “promovida” à categoria máxima de risco. A empresa não apresentou documentações referentes ao projeto nem atendeu solicitações apresentadas pelos órgãos de controle. Essa barragem está situada na bacia do rio Doce.

Encerro com as mesmas reflexões da coluna anterior: o ciclo de vida de um projeto de mineração é longo.

É indispensável que qualquer projeto mineral ofereça, no momento de seu início, garantias consistentes de que ele será operado de forma segura.

E de que um dia, de alguma forma, a sua área será reabilitada.

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