Parques, trilhas e corredores demonstram a preocupação com o meio ambiente na região

Publicado Quarta, 28 Novembro 2018 13:03

A despeito do crescimento econômico e demográfico, moradores, entidades ambientais e empresários buscam o uso sustentável dos recursos naturais.

Em meio ao intenso crescimento econômico e demográfico da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a região do Vila da Serra, do Vale do Sereno e dos condomínios de Nova Lima tenta proteger um de seus maiores tesouros: áreas de Mata Atlântica e Cerrado, montanhas, nascentes e uma rica fauna, com espécies que vivem somente na região. Nesse sentido, e buscando o uso sustentável desses recursos, surgiram o Parque Fonte da Vila, o Corredor Ecológico do Mutuca e o Parque das Perdidas.  

Parque Fonte da Vila

O Parque Ecológico Fonte da Vila – como vem sendo chamado, pois ainda não é um nome definitivo – vai ocupar uma área de 22.000 metros quadrados no coração do bairro Vila da Serra (com entradas pelas Rua da Fonte, Rua González Pecotche e Rua Das Flores). A área pertence ao município de Nova Lima e o projeto executivo está pronto e surgiu de uma parceria público privada. Ele leva a assinatura da arquiteta Bruna Palhares, que não economizou nos detalhes para o lazer de toda a população.

O parque nasceu de uma ideia de Lilian Viana quando ela era diretora da União de Associações, Condomínios e Moradores do Vila da Serra, Vale do Sereno, Belvedere, MG-030 e Região (UNIVIVA) – atualmente, Lilian é secretária da Regional Vila da Serra da Prefeitura de Nova Lima. Ela conseguiu a doação do terreno e o apoio do empreendedor Luiz Hélio Lodi, que contratou o projeto junto ao escritório BP Arquitetura.

Segundo a arquiteta Bruna Palhares, o projeto foi inspirado em experiências que ela viveu quando fazia um estágio em Londres. “Lá, as pessoas têm o hábito de usar os espaços públicos. Minha ideia foi criar um Parque que seja como um refúgio e uma fonte de enrgia para a comunidade, um espaço de socialização e para as pessoas se reconectarem a natureza”. A arquitetura também se inspirou em algumas ideias sugeridas pelo colega Gustavo Penna, como colocar o elemento água como dominante no Parque, criando fontes de água mais expressivas.

Bruna Palhares disse que o projeto também teve a colaboração da paisagista Carla Pimentel e terá pista de skate, praça de entretenimento, playground, fonte interativa, horta comunitária, sala verde (para receber os alunos das escolas próximas, proporcionando as crianças uma interação com as plantas), deck de contemplação e trilhas. A arquiteta ressalta que o projeto visa o mínimo de impacto na vegetação existente e na topografia.

O mobiliário do Parque terá a assinatura da empresa Sunew, que, por meio de uma tecnologia conhecida como OPV. Trata-se de uma pelico flexível, que gera energia limpa. Essa tecnologia será aplicada aos mobiliários urbanos, captando energia para iluminação noturna. O escritório BP desenvolveu uns “ombrelones” com intuito de trazer sombra diurna e iluminação à noite. Atualmente, o projeto, que tem o apoio do prefeito Vitor Penido, está em tramitação dentro da Prefeitura de Nova Lima. Em paralelo, está sendo desenvolvido o estudo de custo, já que a realização dependerá de parceria público privado.

Corredor Ecológico

Estudos técnicos, trabalhos acadêmicos de campo de monitoramento das matas e campos realizados nos últimos anos revelaram que o Vale do Mutuca é um importantíssimo corredor ecológico, abrigando e servindo para o deslocamento de inúmeras espécies da fauna brasileira, incluindo espécies endêmicas (que vivem apenas naquela região).

Flávio Krollmann, diretor da Associação para Proteção Ambiental do Vale do Mutuca (PROMUTUCA), que defende a preservação do Corredor Ecológico da Mutuca, lembra que, de acordo com o art. 11 do Decreto 4340, que regulamenta a Lei das Unidades de Conservação, os corredores ecológicos, reconhecidos em ato do Ministério do Meio Ambiente, integram os mosaicos das unidades de conservação para fins de sua gestão, e, na ausência de mosaico, o corredor ecológico que interliga unidades de conservação terá o mesmo tratamento da sua zona de amortecimento.

Krollmann explica que, na prática, “o Vale do Mutuca, através do vale por baixo do viaduto da Mutuca funciona como uma via permanente e protegida para que a fauna se desloque entre o Parque Estadual do Rola Moça e o outro lado da rodovia, junto a outras diversas Unidades de Conservação”. Estas duas regiões se caracterizam pela bacia do Rio Paraopeba e a bacia do Rio das Velhas e a única conexão física entre estas duas bacias, em um raio de aproximadamente 40 quilômetros, é o Vale do Mutuca.

Ele ressalta ainda que a região do Vale do Mutuca, bem como a Mata do Jambreiro são das raras áreas ainda preservadas entre a Mata Atlântica e o Cerrado. Pouquíssimas regiões no País possuem estes dois ecossistemas integrados e preservados. “A consequência disso é termos em uma mesma área espécies de fauna e flora destes dois riquíssimos biomas”, lembra Krollmann.

O Corredor Ecológico é hoje reconhecido por todas as instâncias legais, população, conselhos e Unidades de Conservação. O licenciamento ambiental no Vale do Mutuca, inclusive, já leva em conta a existência do Corredor. Entretanto, como outras unidades de conservação e áreas de preservação, sofre com a especulação imobiliária, poluição e contaminação de seus cursos d´água, proliferação de gatos e cães domésticos que passam a caçar, incêndios florestais e ausência de um plano de manejo exclusivo” ressaltou.

Nesse contexto, atualmente, Flávio Krollmann explica que a PROMUTUCA, junto a outras Ong´s, Ministério Público, IBAMA, IEF, Prefeitura de Nova Lima, entre outros parceiros e agentes, busca formas de atuar de modo mais eficiente pela preservação, manutenção e gestão do Corredor Ecológico.

Parque das Perdidas

Além do Corredor Ecológico da Mutuca, os estudos realizados nos últimos anos identificaram que a região situada atrás dos condomínios do Vale que se estende até o distrito de Macacos, historicamente, serviu de caminho para os bandeirantes e que depois, num período mais recente, as suas trilhas foram o berço da prática do enduro, também funciona como um importante Corredor Ecológico.

Diante da famosa e antiga trilha chamada de “Perdidas” esta região passou a utilizar de mesmo nome. Essa região está estrategicamente localizada e faz limites com a Estação Ecológica de Fechos, Monumentos Naturais da Serra do Souza, Morro do Elefante e Morro do Pires, RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do Vale dos Cristais e RPPN de Tumbá. E está próxima a outras unidades como a RPPN do Jambreiro e o Parque Nacional do Gandarela. Se o Corredor da Mutuca, ao longo do Córrego da Mutuca liga os dois lados da rodovia (leia-se bacia do Paraopeba e bacia do Velhas) a região da “Perdidas” liga diretamente estas unidades de conservação, estando todas de um mesmo lado da rodovia, na porção da bacia do rio das Velhas.

Neste contexto, lembra Flávio Krollmann, “o Corredor Ecológico da Mutuca e a região da Perdidas se complementam, pois um conecta com a região do Parque do Rola Moça e matas da Serra da Moeda e o outro faz a ‘distribuição’ já do lado oposto da rodovia, às outras Unidades de Conservação”.

Entretanto, diante de uma extensão de área muito maior que o Corredor da Mutuca, por sua riqueza ambiental, pelo histórico de utilização desta área para a prática de atividades esportivas e de lazer, consoantes com a preservação da região, por ser a última área preservada no Eixo Sul da RMBH, chegou-se, após muitas discussões e com a participação de vários órgãos, Conselhos, Ong´s e Associações, à opção pela criação de uma unidade de Conservação, já com o nome de “Parque da Perdidas”.

Segundo o secretário de Meio Ambiente da Prefeuitura de Nova Lima, Danilo Júnior, a Secretaria já está finalizando o georeferenciamento para delimitar a área do Parque, que pode ser criado ainda este ano. “Estamos otimistas com a criação de mais uma área de preservação do meio ambiente e de lazer para as pessoas”, diz o secretário.

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