E a tragédia se repete

Publicado Segunda, 11 Fevereiro 2019 19:13

Paulo André Mendes / Geógrafo e jornalista, colaborador da ArcaAmaserra / www.amaserra.org

Olá, leitor.
Quando vi as notícias, no início da tarde da sexta-feira do dia 25 de janeiro, confesso que custei a acreditar. Inicialmente me iludi, tentando imaginar um acidente de menores dimensões, com algum dano ambiental e patrimonial. Mas as horas foram passando, e logo ficou claro que enfrentávamos novamente uma tragédia como a de 2015, em Mariana.

O fim do dia chegou, e com ele um triste diagnóstico.

Por um lado, o dano ambiental certamente era menor do que o de Mariana. Isso porque a barragem de Córrego do Feijão lançou na natureza menos de 15 milhões de toneladas de resíduos, contra mais de 60 milhões despejados pela barragem do Fundão. E a composição do material estocado em Brumadinho, bem como a geografia local, tornaram o seu deslocamento mais vagaroso do que no caso de Mariana.

Por outro lado, a tragédia humana tinha dimensões gigantescas: desta vez era algo bem mais grave. Em 2015 foram 19 vítimas fatais – e que se ressalte, não estou aqui menosprezando esse número. Mas agora eram centenas de pessoas no caminho dos rejeitos, entre trabalhadores da mina e moradores da região.

Poucas conseguiram escapar da onda de lama e de detritos que desceu rumo ao rio Paraopeba.

Meus sentimentos aos familiares e aos amigos das vítimas.

Novos caminhos

Mas, de uma forma ou de outra, a vida precisa seguir. Depois de 2015, por várias vezes escrevemos aqui no JORNAL BELVEDERE sobre a tragédia de Mariana, os seus desdobramentos e o problema das barragens de rejeitos.

Pedimos uma apuração completa e clara dos fatos. A responsabilização civil e criminal dos envolvidos. A recomposição, ou ao menos a minimização, dos danos patrimoniais e ambientais.

E, a título de compensação ambiental, o apoio à preservação das grandes áreas verdes – campos, canga e matas – ainda existentes nas montanhas ao redor da área do desastre. Essas áreas guardam algumas das mais importantes nascentes do rio Doce.

Passados três anos, pouco disso foi feito.

O momento, então, é de renovar os pedidos acima – que passam a valer tanto para Mariana quanto para Brumadinho.

E com um adendo: a nossa convivência com essas barragens de lama não é mais possível.

Novas barragens não podem ser construídas

E as barragens existentes precisam ser desmobilizadas o quanto antes. Em prol da segurança da população e em prol também do negócio da mineração, uma atividade econômica que desempenha um relevante papel em nosso Estado.
Que desta vez realmente seja diferente.

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