Liberdade ainda que tardia! Libertas Quae Sera Tamen

Publicado Terça, 26 Fevereiro 2019 11:20

Maria Cristina Brugnara Veloso / Conselheira da PROMUTUCA / www.promutuca.com.br • Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

O assunto não se encerra e nem pode encerrar!

Por caprichos da natureza nas Minas Gerais, aonde brota ferro, brota água. Quadrilátero Ferrífero, Quadrilátero Aquífero. Escrevi no dia 02/05/2012 um artigo assim intitulado para essa mesma coluna. Ambientalistas têm alardeado há muito essa tragédia anunciada e agora repetida, crime continuado. Vamos continuar falando, não vamos nos calar!

O ferro para sua extração demanda muita água. Mineradoras estão sempre próximas a mananciais de água. Quanto vale o ferro, quanto vale a água?

A água é um recurso finito do qual toda a vida terrestre é dependente. Sem água, sem vida.

Hoje temos em torno de trezentas barragens de mineração em nosso Estado, todas próximas a cursos d’água e é inerente à atividade o risco potencial. Portanto toda barragem oferece risco.

Com a tragédia de Mariana, tornou-se pública a precariedade da segurança das nossas barragens e a falta de fiscalização e providências efetivas do poder público. Ganância e poder irmanaram as esferas pública e privada na assunção de um risco não potencial, mas calculado, pois, é impossível que a ciência e a técnica não soubessem do risco e de como mitigá-lo. As consequências, essas sim, são imensuráveis a longo prazo.

A atividade minerária em nosso Estado tem que ser revista em suas premissas. Terá custo para as empresas, seus funcionários, poder público e principalmente para toda a sociedade mineira, mas é necessária uma mudança rumo ao desenvolvimento sustentável, a políticas que respeitem a vida humana, a vida animal e o meio ambiente. É necessária a punição exemplar de responsáveis, o desenvolvimento de uma rede de proteção via fiscalização isenta e eficiente. Portanto, o assunto não se encerra e nem pode encerrar. Nossas vidas e dos nossos descendentes e conterrâneos estão em risco. Não temos um planeta B.

O Rio Doce foi envenenado, agora o Paraopeba. O Rio das Velhas, que abastece 60% de Belo Horizonte e 40% da Região Metropolitana está sob a ameaça de rompimento de várias barragens. A de risco máximo, Mina do Engenho, em Rio Acima, está apenas a 2,4 km do seu leito. Essa mina encontra-se abandonada e com risco de ruir e contaminar córregos próximos com vários metais pesados, entre eles arsênico, usados no beneficiamento de ouro.

O assunto é muito sério e Carlos Drummond de Andrade já denunciava com um fervor profético os malefícios da mineração aos mineiros e dizia: “Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso e de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas.” Que seja de ferro a nossa determinação em defender nossos irmãos mineiros, nossas águas, animais e flora. Estamos tristes, Drummond. De luto. Mas também somos orgulhosos das nossas Minas Gerais. E na nossa bandeira escrevemos a nossa vocação libertária, ainda que tardia!

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