Um capítulo que não pode ser escrito

Publicado Terça, 12 Março 2019 19:36
Paulo André Mendes / Geógrafo e jornalista, colaborador da ArcaAmaserra / www.amaserra.org Olá, leitor! Hoje voltarei um pouco à história, cada vez mais triste, das barragens de lama. A recente tragédia de Brumadinho nos remeteu a todos de imediato à tragédia de Mariana – tanto pela magnitude dos danos quanto pela proximidade no tempo. Pois, o intervalo entre elas foi de apenas três anos. Mas vale a pena lembrar o leitor de uma coisa: ao longo das últimas duas décadas nós tivemos, aqui em Minas Gerais, muitas outras situações graves envolvendo essas barragens de rejeitos. A primeira delas foi na nossa região: em 2001, em Nova Lima, uma das barragens de rejeitos de minério de ferro da hoje extinta Mineração Rio Verde ruiu. A lama desceu pelo vale do Córrego dos Macacos, devastando 80 hectares de Mata Atlântica. O rompimento causou a morte de cinco empregados da companhia. Logo depois, em 2003, em Cataguases, o rompimento de uma barragem destinada a conter rejeitos da produção de celulose causou o vazamento de mais de 500 mil m2 de resíduos orgânicos e soda cáustica. O material chegou aos rios Pomba e Paraíba do Sul. Os prejuízos aos ecossistemas e ao abastecimento de água na região foram expressivos. Quatro anos se passaram, até que em 2007 uma barragem de rejeitos de mineração se rompeu na região de Miraí. O desastre causou o vazamento de 2.300.000 m2 de uma mistura de água, argila, bauxita e sulfato de alumínio nos rios da região. A onda de lama deixou 4.000 pessoas desabrigadas. É importante lembrar que no ano anterior a mesma barragem havia apresentado problemas, e lançado 400.000 metros cúbicos de resíduos no rio Muriaé. O próximo capítulo dessa novela infeliz teve como cenário a região de Itabirito. Em 2014, o rompimento de uma barragem de rejeitos de processamento de minério de ferro soterrou trabalhadores e veículos. Três funcionários da mineradora Herculano morreram. No ano seguinte, 2015, foi a vez de Mariana. Um distrito inteiro da cidade destruído. 19 mortos. E mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos lançados na bacia do rio Doce. Agora todos se perguntam: haverá um novo capítulo? As candidatas Logo em seguida à tragédia de Brumadinho foi divulgada uma relação oficial de barragens classificadas como de alto risco de rompimento. Quatro dessas cinco barragens estão localizadas nas proximidades de Belo Horizonte: as duas barragens da Mundo Mineração (em Rio Acima), a barragem 2 da Mineração Aredes (em Itabirito) e a barragem Água Fria, da Topázio Imperial Mineração (em Ouro Preto). Mas há várias outras barragens causando medo, como a barragem de Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional (em Congonhas) e a barragem de Gongo Soco, operada pela Vale (em Barão de Cocais). O cenário não é bom. Esperamos que desta vez algo concreto e efetivo seja feito, e que um novo capítulo dessa história jamais seja escrito.

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