Mortes em Nova Lima por Febre Amarela deixam a cidade em alerta

Publicado Segunda, 22 Janeiro 2018 17:07

Após a divulgação do resultado de exame que constatou a febre amarela como causa da morte de dois micos encontrados nos condomínios Bosque da Ribeira e Passárgada e a confirmação da morte de um homem de 49 anos, residente em São Paulo, a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Lima está orientando os moradores a se vacinarem.

No último dia 9, o órgão soltou um comunicado informando que estão sob investigação as causas de três óbitos de nova-limenses ocorridos nos últimos dias e dois pacientes que estão com sintomas e internados em Belo Horizonte.

Até o último dia 10 de janeiro (data do fechamento desta edição), o balanço epidemiológico das autoridades constava que foram registrados cinco casos: sendo confirmados dois óbitos por Febre Amarela e um outro que havia sido descartado. A primeira morte, foi um pintor nova-limense, que morava em São Paulo e estava na cidade para passar as festas de fim de ano com a família, no bairro Honório Bicalho, e que veio a óbito no último dia 6 de janeiro. O outro homem era morador na cidade, no bairro Santa Rita, e faleceu no último dia 8. A Secretaria de Saúde de Nova Lima explicou que tem uma terceira morte inicialmente suspeita que já foi descartada para a doença. Também há dois pacientes dos bairros Santa Rita e Cascalho, que apresentaram sintomas e estão internados no Hospital Eduardo de Menezes, em BH. Os casos ainda estão em investigação.

Pelo comunicado, a secretaria informa que as causas de mortes de micos estão sendo investigadas por meio da Fundação Ezequiel Dias (FUNED – MG), de acordo com o protocolo de Febre Hemorrágica, que pode diagnosticar doenças como Dengue, Febre Amarela, Hantavírus, Febre Maculosa, Leptospirose e Hepatite A.

O secretário de Saúde de Nova Lima, José Roberto Lintz Machado, confirmou à imprensa a morte dos dois homens, no Hospital Nossa Senhora de Lourdes, na cidade, e ressalntou que ainda não se sabe em qual Estado eles contrairam a doença: se foi em São Paulo onde residiam com a família, ou se foi aqui em Minas, em Nova Lima, onde estavam nos bairros de Honório Bicalho e Santa Rita.

Parques fechados

A preocupação das autoridades de Saúde de Minas é que a Febre Amarela está se aproximando de áreas urbanas, principalmente, na região da Zona da Mata (devido à proximidade com o Rio de Janeiro e São Paulo), e também está próxima da Região Metropolitana de BH, onde já que deixou vítimas. O primeiro caso foi em Brumadinho e agora em Nova Lima. A preocupação é que nestas cidades há grande concentração de vegetação e muitas matas fechadas. 

Para evitar a proliferação da doença, os parques das Mangabeiras e da Serra do Curral, e o Mirante, todos na região Centro-Sul de Belo Horizonte, estão fechados. No Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, na divisa de Nova Lima com Brumadinho e BH, a visitação está suspensa.

Além disso, tanto a Secretária de Estado da Saúde, quanto a Municipal de Nova Lima, recomenda aos moradores que, além de vacinarem, fiquem atentos e em alerta para a ocorrência de animais mortos em seus terrenos, em especial os micos e outros primatas, pois são as primeiras vítimas do vírus da Febre Amarela. As regiões Centro-Sul de BH e de Nova Lima estão cercadas de áreas verdes e muitas delas são habitat desses animais.

Outras regiões estão sendo monitoradas

Os técnicos da Secretaria de Saúde de Nova Lima visitaram as residências, na região do Galo, Santa Rita e Honório Bicalho, onde as três pessoas moravam, verificando possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti e fizeram a intensificação da vacinação contra a febre amarela.

A Secretaria comunicou que outros locais, como a região de Macacos e Alphaville, a ação também está sendo realizada devido à proximidade com a cidade de Brumadinho, onde também há casos suspeitos.

A febre amarela é uma doença infecciosa, causada por vírus e transmitida por mosquito. No meio rural e silvestre, o vírus é transmitido pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. Em área urbana, o vetor é o Aedes aegypti, o mesmo da Dengue, Zika e Chikungunya. Vale ressaltar que ao contrário do que é propagado, os animais não transmitem a doença, são vítimas ou apenas anjos, como mencionam os biólogos, ao identificarem os locais onde há o mosquito e que necessitam do controle da doença. Assim, a única forma de contágio é pela picada do mosquito infectado.

A Divisão de Zoonoses do município faz um alerta que caso seja encontrado algum macaco morto, moradores devem entrar em contato imediatamente com o órgão, através do telefone 31 3541-3299, ou com a Vigilância Epidemiológica, no número 31 3541-5017.

Equipes estão à procura de pessoas para vacinarem

As autoridades de Nova Lima estão preocupadas com a situação e estão tomando várias medidas, como a intensificação da vacinação. Segundo o secretário de Saúde, nos bairros onde houve notificações, a prefeitura escalou 20 equipes do Programa Saúde da Família, acompanhadas por um técnico em enfermagem, um enfermeiro, com a tarefa de orientar os moradores e, inclusive, com a vacina para aplicar imediatamente em quem não está imunizado.

“A cidade tem cobertura vacinal de 96%, mas queremos ampliar. Isso significa 4 mil pessoas sem a proteção. Nova Lima é uma cidade turística e ainda temos as regiões de Macacos e do Jardim Canadá, onde vários eventos acontecem, que são  praticamente uma extensão de BH e que atraem várias pessoas de fora”, disse o secretário de Saúde de Nova Lima, José Roberto Lintz Machado.

A preocupação do delesecretário é com a grande extensão de áreas de matas que a cidade possui: “É possível uma contaminação urbana, mas, embora os pacientes estivessem em bairros, todos eles frequentaram área de mata para se banhar em cachoeiras. Então, é preciso uma investigação rigorosa sobre isso”, afirma José Roberto Machado.

O secretário acrescenta: “A família do pintor, por exemplo, nos informou no prontuário que ele já tinha alguns sintomas. Daí, a necessidade de aprofundar se ele contraiu a doença em Nova Lima ou em São Paulo, de onde reside e que já existe um surto da doença. Mas, independentemente do local, a situação nos preocupa e vamos ter todos os cuidados  e tomar todas as medidas”. 

Segunda dose da vacina contra varicela

Seguindo nova orientação do Ministério da Saúde, crianças de até 4 anos deverão receber a vacina contra a varicela a partir desse mês, de acordo com a alteração no calendário de vacinação infantil. Desde o dia 2 de janeiro, crianças de até 4 anos 11 meses e 29 dias deverão receber a segunda dose da vacina contra varicela, doença mais conhecida como catapora. De acordo com o Ministério da Saúde, o esquema vacinal recomendado anteriormente era que crianças de 1 ano e 3 meses deveriam receber a dose tetraviral (triviral + varicela).
Em Nova Lima, segundo a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, Lorenna Fernandes, as doses estarão disponíveis em todos os postos de vacinação das Unidades Básicas de Saúde (UBS). “É importante que os pais fiquem atentos e mantenham sempre o cartão de vacina dos filhos em dia. Essa medida é essencial para manter o controle e a erradicação de doenças”, afirma.

Locais para vacinação

Policlínica e Unidades Básicas de Saúde dos bairros: Cristais; Caic; Cascalho; Cruzeiro; Nossa Senhora de Fátima; Bela Fama; Honório Bicalho; Santa Rita; Rosário; Retiro; Cabeceiras; Macacos e Jardim Canadá.

Um jornal moderno, com a credibilidade e a leveza no jeito diferente de informar. Notícias, cultura, gastronomia, negócios, eventos e muito mais sobre um dos bairros mais charmosos de BH.

31 3264.0211 | 3286.1181

Edição Digital

Inscreva-se e receba o Jornal Belvedere em formato PDF.

Não mandaremos Spam!