Dúvidas sobre a vacina da Febre Amarela

Publicado Sexta, 09 Março 2018 17:49
Dra. Priscila Saleme: Médica infectologista, coordenadora do setor de vacinas do Hermes Pardini © Foto: divulgação/Leo Lara/Cedida Hermes Pardini Dra. Priscila Saleme: Médica infectologista, coordenadora do setor de vacinas do Hermes Pardini © Foto: divulgação/Leo Lara/Cedida Hermes Pardini

A preocupação com a Febre Amarela só aumenta, mas mesmo assim, existem dúvidas para entender o que causa a doença, quais os sintomas e como se prevenir. A médica infectologista, coordenadora do setor de vacinas do Hermes Pardini, Dra. Priscila Saleme esclarece estas dúvidas.

Com o surgimento de casos de Febre Amarela muitas vezes causa dúvidas quanto a vacinação. Vacinar ou não vacinar? Esta dúvida não tem razão de ser. A vacina é, reconhecidamente, uma das maiores conquistas da Humanidade. Desde que se tornou uma prática comum na sociedade, no Século 18, ela ajudou a salvar milhões de vidas apostando no uso da própria doença (uma porção enfraquecida do agente agressor) para estimular a prevenção. Muitas doenças foram erradicadas à base de vacinas e muitas outras ainda serão, graças à dedicação da comunidade científica.

Para esclarecer qualquer dúvida quanto a doença, a Dra. Priscila Saleme, médica infectologista, coordenadora do setor de vacinas do Hermes Pardini, fala ao JORNAL BELVEDERE.

Quantas doses são necessárias?

Atualmente, em concordância com a Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Imunizações preconizam a necessidade de apenas 1 dose na vida para obtenção de proteção contra a Febre Amarela.

Por qual motivo, no Brasil, o número de doses passou de duas para uma dose?

Desde 2013, a Organização Mundial de Saúde, a partir de estudos feitos pelo mundo, definiu a necessidade de apenas 1 dose. O Brasil ainda não havia acatado essa recomendação. Desde 2017, portanto, houve uma mudança no calendário nacional, que passou a recomendar 1 dose única, a partir de 9 meses de vida.

Nos demais países são recomendados uma dose ou duas doses?

A maioria dos países segue a recomendação da Organização Mundial de Saúde de 1 dose única.

A vacina é segura? Qual é a eficácia da vacina?

A vacina é segura e, de acordo com a OMS, após 10 dias da vacinação, estima-se uma proteção superior a 90%. Já 30 dias após a vacina, pode-se esperar uma proteção superior a 99%.  

Com quanto tempo após a aplicação a pessoa pode considerar que está imunizada?

A partir de 10 dias da data da vacinação já se pode obter uma proteção adequada. Em função disso, recomenda-se que as pessoas que irão viajar para áreas de risco possam esperar esse intervalo para viajarem com maior segurança.

A mutação do vírus, identificada em 2017, reflete na eficácia da vacina?

Não, de acordo com o estudo da Fundação Osvaldo Cruz, as mutações identificadas correspondem a proteínas responsáveis pela replicação do vírus. A vacina atual confere proteção baseada nas proteínas responsáveis pelo envelope do vírus, as  quais não sofreram alteração. Logo, a eficácia da vacina não foi comprometida.

Existe alguma restrição para a aplicação da vacina (grupos que não podem vacinar)?

Sim, como ocorre com toda vacina de vírus vivo, há situações em que o risco de um evento adverso supera o benefício da vacinação. Atualmente, a vacina é contraindicada para menores de 6 meses de idade; pessoas com imunodepressão grave por doença ou uso de medicação; pessoas submetidos a transplante de órgão; portadores de câncer; história de reação alérgica grave relacionada a substâncias presentes na vacina, dentre elas o ovo.  

No caso das grávidas, mulheres amamentando e bebês menores de 9 meses, numa situação de surto, a vacina é recomendada?

Sim, esses são justamente os casos que se enquadram como situações de precaução. Conforme o contexto epidemiológico, pode-se definir que o risco de contração da doença pode superar o risco de eventos adversos. Após uma avaliação médica cuidadosa e individualizada, pode-se definir a necessidade de vacinação de gestantes, bebês maiores de 6 meses e de mães que estejam amamentando crianças menores de 6 meses, desde que suspendam a amamentação por um período de 10 dias após a vacinação. 

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