Febre Amarela: uma ou duas doses?

Publicado Quarta, 11 Abril 2018 13:33

O atual contexto epidemiológico tem despertado importantes discussões sobre a vacinação da febre amarela. Dentre elas, a questão do número de doses necessárias para se considerar protegido contra a doença.

Durante décadas, o Ministério da Saúde recomendou a revacinação a cada 10 anos. Posteriormente, definiram duas doses, com intervalo de 10 anos entre elas. A partir de 2017, seguindo a recomendação da Organização Mundial de Saúde, que já havia definido a dose única desde 2013, o Ministério mudou mais uma vez a sua recomendação. Desde  então, assim como também preconizou a Sociedade Brasileira de Imunizações, ficou estabelecida a dose única, a partir de nove meses de idade.

Mas como explicar a mudança sobre o número de doses? Os esquemas de vacinação não são estáticos. A cada novo estudo, os especialistas da área de vacinação rediscutem as práticas vigentes sempre com o intuito de se alcançar a melhor evidência científica. As mudanças, nesse caso, são reflexos de muita dedicação de pesquisadores e estudiosos do assunto. E a população, apesar de muitas vezes confusa com toda essa dinâmica, tende a ser beneficiada com as melhores práticas de saúde. Foi o que ocorreu com a vacina da Febre Amarela. Apesar de a OMS recomendar uma dose desde 2013, o Brasil ainda trabalhava com a manipulação de duas doses.

Outra dúvida extremamente frequente é o tempo necessário para a vacina conferir proteção. De acordo com a OMS, após 10 dias da vacinação, estima-se uma proteção superior a 90%. Já 30 dias após a vacina, pode-se esperar uma proteção superior a 99%.  Assim, com o intuito de se obter uma proteção mais rápida, a melhor medida é procurar atualizar o cartão de vacinas. Com o cartão atualizado, diante de um surto como o atual, as pessoas já terão maior chance de estarem protegidas e, caso pretendam viajar para uma região de maior risco, não precisarão esperar 10 dias para a vacina começar a atuar.

Sobre a comprovação da vacinação, frequentemente, as pessoas questionam sobre a existência de um teste que possa confirmar a imunidade. No entanto, os exames atualmente disponíveis no mercado não conseguem trazer essa informação com segurança. Assim, a melhor forma de comprovação é o registro da dose no cartão de vacinação.

Nesta semana, a Fiocruz divulgou um comunicado confirmando que foram identificadas mutações no vírus da febre amarela em 2017, mas que essas não interferiram na eficácia da vacina e por isso não é necessário uma nova vacinação. Atualmente, portanto, a recomendação de vacinação com dose única contra a febre amarela é a melhor conduta recomendada pelos especialistas. No entanto, quando se pensa em doença de disseminação por meio de um mosquito, é fundamental associar a ela medidas de prevenção de picadas de mosquito em áreas de maior risco de contrair a doença como o uso de repelentes.

Sobre os casos anunciados de pessoas vacinadas contra a febre amarela, mas que desenvolveram a doença, todos ainda estão em processo de investigação pela Secretaria Estadual de Saúde. Assim como ocorre com a maioria das vacinas, existe uma porcentagem de falha vacinal pequena esperada, o que não é relevante ao se avaliar a sua eficácia. Ao contrário, diante da vacinação de um número maior de pessoas, é possível se obter uma proteção em massa. A febre amarela é uma doença potencialmente grave e, como não há tratamento específico para ela, a melhor estratégia é se prevenir.

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