Falta de apoio é um dos problemas de quem tem TDAH

Publicado Terça, 24 Abril 2018 18:10
Participação: Crianças portadoras de TDAH estiveram presentes na Audiência Pública na Assembleia de Minas © Fotos: divulgação/Sarah Torres/Cedidas ALMG Participação: Crianças portadoras de TDAH estiveram presentes na Audiência Pública na Assembleia de Minas © Fotos: divulgação/Sarah Torres/Cedidas ALMG

Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) discute formas de ajudar as famílias de pessoas diagnosticadas com transtorno de déficit de atenção.

As dificuldades enfrentadas pelas famílias no diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças foi o tema central da reunião, em abril, na Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os convidados também trataram da falta de sensibilidade e aceitação de outras pessoas, especialmente de professores e outros funcionários das escolas, em relação às especificidades das crianças que têm esse transtorno.

A Audiência Pública foi solicitada pelo deputado Fred Costa (PEN) em função do aniversário de três anos da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil em Minas Gerais. A presidente da entidade, Ana Christina Pimentel, fez um paralelo entre o desenvolvimento de uma criança no terceiro ano de vida e a história do grupo. Para isso, ela citou marcos que a Academia Americana de Pediatria lista para essa idade, como o início da capacidade de negociar soluções para os conflitos e do processo de independência em relação a outras pessoas. Assim, ela agradeceu o apoio à causa durante o encontro.

Quem explicou os sintomas clínicos causados pelo TDAH foi a presidente da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), Iane Kestelman. Segundo ela, os principais sintomas são dificuldades de se manter a atenção, impulsividade e hiperatividade.

Se a doença não for tratada ou acompanhada, pode levar a sintomas secundários, como altos índices de reprovação escolar e de abuso de drogas. Por isso, conforme ressaltado por Iane, é preocupante a dificuldade ou resistência dos médicos em diagnosticar o problema.

Essa dificuldade foi relatada por todos os presentes. “A maioria dos profissionais de saúde não conhece o transtorno”, afirmou Odília de Almeida, que foi diagnosticada com TDAH. O neurologista infantil Christovão Xavier também ressaltou o problema e disse que até hoje as faculdades não oferecem a formação necessária sobre a doença para os futuros médicos.

Ele completou, ainda, que é preciso que a compreensão sobre o transtorno seja estendida também para outros profissionais, em especial àqueles que trabalham em escolas, como professores e psicopedagogos.

Apoio de familiares e educadores é importante

Os convidados relataram problemas vividos pelas famílias em função do desconhecimento dos membros da comunidade escolar sobre o TDAH. A desatenção e a agitação causadas pelo transtorno dificultam o aprendizado, o que costuma, conforme os presentes, levar a reprovações e expulsões da escola.

Cinthia Madureira de Aguiar e Silva, que tem um filho diagnosticado com a doença, salientou outro problema: a desconfiança das pessoas que cercam a família. Segundo ela, é comum o questionamento baseado na ideia de que se trata de um “modismo” e que o problema da criança seria a falta de limites. Ela e os demais reforçaram que o TDAH já está listado no Cadastro Internacional de Doenças (CID).

Ao final da reunião, houve sorteio de livros sobre o assunto, com ajuda das crianças Ao final da reunião, houve sorteio de livros sobre o assunto, com ajuda das crianças - Foto: Sarah Torres

O presidente da Academia Mineira de Medicina, José Raimundo Lippi, fez uma palestra durante a reunião. Ele tratou especialmente da importância da família no acompanhamento das pessoas com TDAH. “Todos nós nascemos com capacidades e precisamos desenvolvê-las ao longo da vida. Quem tem TDAH, por exemplo, costuma ter ótima habilidade motora. Com o apoio adequado, essas pessoas podem desenvolver isso”, disse.

O deputado Fred Costa ressaltou que o desenvolvimento dessas capacidades pode levar as pessoas a se destacarem em vários campos de atividades. Ele citou algumas personalidades que já admitiram publicamente ter a doença, como o nadador olímpico Michael Phelps.

O deputado Fred Costa também disse que há um descaso político com a doença e que é preciso apoiar as famílias. Por fim, ele anunciou que vai destinar R$ 100 mil de verba parlamentar à compra e distribuição de remédios importantes para o tratamento. A reunião terminou com o deputado e as crianças presentes na reunião fazendo sorteio para a distribuição de livros sobre o assunto.

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