A importância da imunização da família

Publicado Quinta, 10 Maio 2018 17:20

Drª. Priscila Saleme / Médica infectologista e coordenadora de vacinas do Hermes Pardini.

Quando se prepara para a chegada de um bebê, são inúmeras as tarefas relacionadas ao planejamento. A escolha do nome, a decoração do quarto, a compra do enxoval e das fraldas, a preparação da mala da maternidade.

Enfim, a família passa os nove meses se organizando para receber um novo membro.

No entanto, muitas vezes, a preocupação com a proteção contra doenças infectocontagiosas restringe-se apenas a higienizar as roupas e brinquedos e exigir a lavagem das mãos das pessoas que irão visitar o bebê. Há algum tempo, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças Infecciosas (CDC) defende a importância de um planejamento relacionado à vacinação da família. A estratégia Cocoon, palavra que significa casulo em inglês, consiste na vacinação de todas as pessoas que irão ter contato frequente com o recém-nascido para evitar a transmissão de doenças, dentre elas, a coqueluche. Esse cuidado é importante, pois o recém-nascido apresenta um sistema de defesa imaturo e muitas vacinas só poderiam ser administradas a partir dos dois meses de vida. Assim, como esses bebês estariam mais expostos a infecções nesse período, ao se vacinar os cuidadores, é possível promover uma espécie de casulo de proteção contra doenças ao redor do bebê.

Atualmente, já existe uma recomendação mais consagrada de vacinar a gestante contra a coqueluche, a partir da vigésima semana de cada gestação, e contra a gripe, a qualquer momento. Por outro lado, pouco se fala sobre o fato de que os principais transmissores dessas doenças são as pessoas que apresentam contato mais próximo aos bebês como os pais, irmãos, avós e outros que cuidem da criança. Nesse contexto, portanto, o CDC recomenda que a vacinação de todos os cuidadores contra essas mesmas doenças esteja atualizada, além da mãe. Caso uma dessas vacinas esteja em atraso, para obtenção de proteção adequada, deve-se ser vacinado com um intervalo mínimo de duas semanas antes de entrar em contato com o bebê.

Para se obter uma proteção ainda mais completa, poderíamos extrapolar a recomendação mínima feita pelo CDC relacionada à vacinação de todos os membros da família também contra a meningite e a pneumonia, doenças que podem ser transmitidas por meio de pessoas consideradas portadores inativos das bactérias que as causam e, portanto, podem disseminar alguns germes mesmo não estando doentes.

No entanto, apesar de bem definida, a prática dessa estratégia apresenta ainda o obstáculo de conscientização. Muitos adultos ainda não compreendem a importância da vacinação enquanto forma de proteção individual, quanto mais para promover uma proteção indireta de outra pessoa. Como na maioria das casas ainda não se consegue promover esse casulo de proteção do recém-nascido, a vacinação da gestante permanece como medida mais eficaz de proteção na atualidade, seja pela proteção individual, seja pela transferência de anticorpos maternos contra a coqueluche através da placenta. No entanto, como a ação desses anticorpos maternos após o nascimento não é duradoura, a vacinação do bebê nas datas preconizadas pelos calendários de vacinação das principais sociedades médicas é uma medida fundamental para que a própria criança já comece a desenvolver a sua própria proteção.

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