Diabetes: avanço no tratamento, mas falta prevenção

Publicado Terça, 13 Novembro 2018 10:01
Dra. Silvia Nascimento Bicalho: Assessora Médica do Hermes Pardini © Foto: Leo Lara / cedida HP Dra. Silvia Nascimento Bicalho: Assessora Médica do Hermes Pardini © Foto: Leo Lara / cedida HP

A primeira documentação dos sintomas do diabetes está no papiro Ebers, elaborado em torno de 1500 AC: uma doença caracterizada por emagrecimento, sede contínua e emissão frequente e abundante de urina.

Apenas no século II DC, na Grécia Antiga, a doença recebeu o nome de diabetes, que significa “passar através de”, explicando o fato de que a poliúria que caracterizava a doença assemelhava-se à drenagem de água através de um sifão. Mais adiante, médicos indianos detectaram a doçura da urina a partir da observação de que havia maior concentração de formigas e moscas em volta da urina de pacientes, o que foi confirmado nos séculos XVII e XVIII, na Inglaterra, quando provaram efetivamente a urina de um paciente e a aqueceram até o ressecamento, constatando a presença de um resíduo açucarado, fornecendo evidências experimentais de que pessoas com diabetes eliminavam de fato açúcar pela urina. Em 1769 foi introduzido o termo mellitus (mel, em latim), caracterizando a urina abundante com odor e sabor de mel.

A partir de evidências de que o diabetes estava relacionado às células pancreáticas, levando a alterações à ação da insulina e/ou deficiência de sua secreção, puderam desenvolver tratamentos. O principal marco no tratamento do diabetes mellitus é a descoberta de insulina, em 1921. Foi extraída dos pâncreas de bovinos e suínos e possibilitou aos doentes uma sobrevida e qualidade de vida maior. Em 1955 surgiram as primeiras medicações orais. Desde então, novas drogas orais e injetáveis estão sempre surgindo no mercado. A partir da década de 1980, foi criada a insulina por DNA recombinante. Hoje, já possuímos inúmeros análogos de insulina humana. Atualmente, já dispomos da bomba de insulina, um aparelho do tamanho de um celular, com comando eletrônico, que envia doses de insulina continuamente de forma pré-programada. E já estamos no caminho para o desenvolvimento do pâncreas artificial.

Entretanto, mesmo com os avanços da medicina, observamos um número crescente de portadores da doença. Sabemos que hábitos e estilo de vida estão relacionados ao diabetes tipo 2.

Segundo o Atlas do Diabetes 2017, produzido pela International Diabetes Federation (IDF), no mundo, estima-se que 425 milhões de adultos ente 20-79 anos têm diabetes e que 212,4 milhões (50%) desconhecem sua doença. O IDF estima que, em 2045, 629 milhões de adultos nessa mesma faixa etária terão diabetes. Aproximadamente 4 milhões de adultos ente 20-79 anos morreram em decorrência do diabetes em 2017, correspondendo a 1 morte a cada 8 segundos.

Em 21,3 milhões de nascidos vivos em 2017 a mãe apresentou algum tipo de hiperglicemia durante a gestação, sendo 86,4% dos casos decorrentes de diabetes gestacional.

Observa-se também um aumento importante do diagnóstico de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes decorrente aos níveis crescentes de obesidade e inatividade física nessa faixa etária.

No Brasil, 12,5 milhões de pessoas entre 20-79 anos têm diabetes e estima-se que 5,7 milhões (46%) desconhecem sua doença. Estima-se que, em 2045, 20,3 milhões de pessoas nessa mesma faixa etária terão diabetes. Só em 2017 no nosso país aproximadamente 108.600 pessoas entre 20-79 anos morreram devido ao diabetes.

Todos esses números reforçam a tendência para o crescimento do diabetes no mundo e a necessidade urgente de estratégias para combater as epidemias de obesidade e diabetes. São necessárias mais políticas públicas por parte dos órgãos de saúde para a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, mas também uma mudança de comportamento da população. Por isso, proponho uma reflexão sobre os seus hábitos e como o seu estilo de vida pode ser melhorado para o combate ao diabetes.

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