Ultrassom do coração do bebê, ainda na gravidez, pode salvar a vida do recém-nascido

Publicado Terça, 11 Dezembro 2018 16:01

Especialista alerta para a necessidade de tornar a ecocardiografia fetal um exame de rotina na gestação.

Um órgão que exige cuidado. O coração é a parte do corpo humano com maior chance de ser afetada por alguma má formação durante a gestação. A cada 100 crianças, uma nasce com alteração na estrutura ou função do coração. E a falta de diagnóstico agrava essa realidade. Por ano, as mulheres dão à luz cerca de 28 mil crianças cardiopatas no Brasil. Dessas, 23 mil precisam de atendimento diferenciado ou cirurgia. Mas 78% sequer chegam a receber tratamento. Isso, em parte, porque menos de 1% tem o diagnóstico ainda durante a gravidez, o que leva a um considerável número de óbitos após o nascimento. “Essa situação poderia ser diferente se os médicos pedissem o exame de ecocardiografia fetal entre a 21ª e a 30ª semana de qualquer gravidez”, explica a Dra. Cristiane Martins, cardiologista e ecocardiografista pediátrica e fetal do Hermes Pardini.

A ecocardiografia fetal nada mais é do que um exame de ultrassom realizado através do abdômen da mãe para avaliar o desenvolvimento, a função e a estrutura do coração do feto. Além de não ser invasivo, ele não oferece risco à gestante ou ao filho e dá ao médico informações importantes sobre a saúde da criança. Dependendo da cardiopatia detectada, ela pode ser tratada ainda na barriga da mãe. A detecção intrauterina de uma eventual anomalia permite também programar o hospital onde o parto será realizado e saber se ele poderá ser normal ou terá que ser cesárea. Decisões que aumentam a chance de sobrevida e favorecem a evolução clínica do bebê. “Crianças com cardiopatia precisam de atendimento especializado já na sala de parto, antes do agravamento do quadro”, alerta a especialista do Hermes Pardini. A profissional ainda lembra que o diagnóstico pré-natal permite o aconselhamento e preparo emocional da família no que se refere ao planejamento terapêutico e prognóstico da doença. 

Segundo a Dra. Cristiane Martins, até 90% dos casos de cardiopatias congênitas ocorrem em gestações não consideradas de risco. Por isso, a necessidade da realização do exame independentemente das condições da gravidez. Hoje, a Sociedade Brasileira de Cardiologia já recomenda que o procedimento seja feito como rotina no pré-natal, como um complemento ao ultrassom morfológico - ambos podem contribuir para a detecção de más formações no coração. Ainda assim, atualmente, ele é oferecido no sistema público de saúde apenas para as gestações de risco. Quem não está nessa situação consegue encontrá-lo só em laboratórios e clínicas particulares.

A necessidade do exame é ainda maior quando a mãe tem mais de 35 anos de idade, com filhos ou parentes próximos com cardiopatias. Gestantes com diabetes, hipotireoidismo, lúpus eritematoso sistêmico (LES) ou que apresentam doenças como toxoplasmose e rubéola durante a gestação também merecem atenção especial. Idem com as que fazem uso de medicamentos anticonvulsivantes, anti-inflamatórios, ácido retinóico e lítio. As gestações de gêmeos ou de múltiplos, e a gravidez por fertilização in vitro também estão entre as que o exame é ainda mais recomendado. “Dá pra ver que ele deve ser feito em várias situações. O ideal, então, é padronizar e torná-lo de rotina. Alguns médicos já fazem isso... Mas só quando todos aderirem é que poderemos tentar mudar os números alarmantes registrados aqui no Brasil”, conclui a especialista.

Dra. Cristiane Martins é ecocardiografista pediátrica e fetal do Instituto Hermes Pardini e do Biocor Instituto. Atua como Diretora Científica do Departamento de Cardiologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Cardiologia e é especialista em Ecocardiografia e em Cardiologia Pediátrica. Mestre em Medicina pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, é formada em Medicina Fetal como “visiting fellow” no Boston Children’s Hospital, em Massachusetts.

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