Rio Acima e mineradora podem firmar acordo para definir trajeto de carretas

Publicado Segunda, 28 Maio 2018 17:05

Reunião entre a prefeita Maria Auxiliadora Ribeiro e representantes da EMPABRA deve ocorrer nos próximos dias. Município quer como contrapartida a obra de reforma da ponte sobre o Rio das Velhas, que corta o município ao meio, mas a mineradora oferece recursos de R$ 8 milhões para a estrada Rio de Peixe, por onde passariam os caminhões de minério.

Representantes da Empresa de Mineração Pau Branco (EMPABRA) e a prefeita de Rio Acima, Maria Auxiliadora Ribeiro devem se reunir na próxima semana para uma tentativa de acordo sobre o tráfego de carretas de minério nas vias do município. Os caminhões de minério foram proibidos de trafegar pela cidade por determinação da prefeita há pouco mais de um mês. O encontro teve que ser adiado na semana anterior em razão da greve de caminhoneiros que trouxe uma série de problemas para a cidade. Na mesa de negociação, a contrapartida principal proposta pela prefeita é a obra de reforma da ponte sobre o Rio das Velhas, que corta o município ao meio.
Segundo informou a prefeita, a situação da ponte inviabiliza e compromete o comércio, divide o município em dois lados, além de causar muito incômodo para moradores que precisam transpor o percurso a pé para ter acesso ao ônibus do outro lado do rio. Segundo informações anteriormente fornecidas pela EMPABRA, a mineradora chegou a oferecer ao município uma contrapartida no valor de R$ 8 milhões para a utilização da estrada Rio de Peixe, R$ 350 mil em investimentos dentro do município e R$ 400 mil para projetos sociais. No entanto, de acordo com o chefe de Gabinete da prefeita Maria Auxiliadora Ribeiro, o município não poderia, nesse momento, aceitar receber um investimento tão alto em uma estrada, enquanto a ponte – principal ligação e acesso dos moradores e comerciantes – está caindo. “Moradores e comerciantes estão muito prejudicados com a questão da ponte, eles transitam a pé e a passagem é permitida somente para carros de até 8 toneladas. O que acontece é uma baldeação. A vida da cidade está comprometida e dividida ao meio”, explicou o chefe de gabinete.

As carretas de minério não passam pela ponte, elas utilizam a Via Rio de Peixe e a reforma da mesma é vista pelo município como uma contrapartida à utilização da estrada.

Segundo informações da comunidade local de Rio Acima, recentemente, a empresa de mineração adotou uma nova rota para escoamento do produto, através do Bairro Castanheiras, em Sabará. No entanto, para a EMPABRA, para o porte e quantidade de produto escoado existe a necessidade de mais rotas alternativas. O JORNAL BELVEDERE conseguiu falar com a Assessoria de Imprensa da EMPABRA para comentar toda a situação e até teve sinal positivo da empresa para responder nossa demanda. Mas, no último momento, através de sua Assessoria fora informado que, por decisão do Departamento Jurídico, a empresa não se pronunciaria antes da negociação na próxima semana. 

Motoristas voltaram a protestar na rodovia MG-030

No último dia 21 caminhoneiros se posicionaram em frente à escola Ana Nascimento, em Nova Lima, e de lá saíram em comboio pela rodovia MG-030, até o Vila da Serra, onde retornaram na Trincheira. A carreata de caminhoneiros com muito buzinaço acordou moradores de condomínios no entorno da via e tinha por objetivo protestar contra o impedimento de trafegarem por vias na cidade de Rio Acima e na MG-030. Muitos deles estavam apenas com o cavalo mecânico, sem as caçambas, e exibiam dizeres sobre a necessidade de voltarem a carregar para continuar trabalhando.

A questão da utilização da via pelas carretas da Mineração Phoenix, responsável pelo escoamento da Mina de Corumi, de propriedade da Empresa de Mineração Pau Branco (EMPABRA), vem se arrastando há mais dois anos. A MG-030 era a principal via utilizada pelos condutores de carretas após a proibição do tráfego por Belo Horizonte, no governo Marcio Lacerda. E, desde então moradores, prefeitos, entidades de classe e o deputado Fred Costa vêm atuando no sentido de impedir a utilização da rodovia, para que fosse cumprido a rota estipulada do Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), apresentado pela empresa e referendado junto ao Ministério Público. A grande preocupação de moradores é em razão do risco de acidentes pelo fato de a estrada contornar diversos residenciais e uma grande escola, além do barulho causado pelas carretas e a sujeira no asfalto. Dois acidentes graves ocorreram na região, sendo um deles com vítima fatal.  

Essa não foi a primeira vez que os motoristas protestaram contra decisão judicial que proíbe o escoamento de minério pela via. E, embora, seja uma decisão mantida pelo Superior Tribunal de Justiça, os próprios caminhoneiros continuavam circulando pelas MG-030 no período noturno. Recentemente, a prefeita de Rio Acima, Maria Auxiliadora, proibiu a passagem por vias do município. 

Para impedir o trânsito de carretas na rodovia MG-030, moradores dos condomínios e entidades já se reuniram com o diretor-geral do Departamento de Estradas e Edificações de Minas Gerais (DEER), e com o tenente Geraldo Donizeti da Polícia Militar Rodoviária (PMRv). O diretor do DEER informou na época que não poderia impedir apenas o tráfego de uma categoria de veículos pesados. Já a PMRv informou que poderia autuar as carretas, mas que o Estado não possuía um pátio para apreensão e nem um guincho específico para transporte das mesmas. A Prefeitura de Nova Lima, por sua vez, informou que não teria como impedir o tráfego, pois, as carretas não passavam dentro de vias do município, e a MG-030 é uma via estadual. E que a única estrada dentro do município utilizada pelos caminhoneiros estaria em uma via particular, de propriedade da AngloGold. 

O embate continua, embora o trânsito de carretas por ora continua paralisado.

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